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Domingo, Agosto 10, 2003
Fechando a edição...
Dois meses e meio. Trabalho em equipe - Cris, Fred, Guilherme, Pedro, Rodolfo, Rodrigo e Tati. Esforço e muita pesquisa. Sete alunos de Comunicação Social da UFMG, completamente verdes, aprendendo como correr atrás de textos legais para encher um blog de atualização diária. Pauta vastíssima, recursos ilimitados, canal infinito. Independência e pouca orientação. Cuidado para que assuntos não ficassem repetitivos, para trazer sempre coisas novas e discussões interessantes. Artigos, entrevistas, matérias, fotos, textos próprios e dos outros. Trinta e três jornais e revistas linkados na coluna da direita. Outros blogs, sobre outros temas. Visual moderno; uma página de jornal pregada à tela de um computador. Notícia não-impressa, notícia virtual, notícia arquivada, salva, em disquete, em blog, site, e-zine, newsletter, CD.
É difícil resumir aqui tudo o que escrevemos, publicamos e aprendemos no projeto Notícia na Internet, mas algumas coisas merecem destaques. Para começar, nosso primeiríssimo post, logo depois da introdução. Fred e Guilherme, dois dos alunos envolvidos no projeto, visitam a redação do UAI, site do jornal Estado de Minas, e conversam com todos os jornalistas responsáveis pelo portal. O Notícia na Internet narra, logo de cara, o mundo dos sites por dentro. O resultado é uma matéria eficiente, cheia de fotos.
A primeira enquete Você acredita que o jornal impresso será substituído pelo jornal online? recebe 97 votos e dá empate. Mas abre o caminho para uma longa discussão, que seria levantada em vários posts adiante.
Rodrigo, o entrevistador "oficial" do grupo, publicou as entrevistas com Carolina Nascimento e Silva, da Revista Época, Luciano Martins Costa (entrevista que foi publicada no site Novae e no Observatório da Imprensa), Ana Lúcia Araújo, jornalista do UOL, e Marcelo Russio, cronista esportivo do Comunique-se, todas realizadas por ele.
Discutimos sobre os blogs e a importância que eles estão assumindo neste novo estágio da comunicação globalizada (teriam força suficiente para concorrer com a imprensa tradicional?). Discutimos o alcance dos hipertextos e a flexibilização que eles propiciam - e a Tati conseguiu um texto especial sobre o assunto, escrito pela professora Ana Elisa Ribeiro, da Oficina de Textos. Comparamos os sites da Folha de S.Paulo e do Jornal do Brasil - publiquei textos analisando o conteúdo e layout de cada um, comparando com a versão impressa e com outros sites. O Fred também fez sua análise, mas do New York Times - que acabaria rendendo bons comentários do designer, publicitário e jornalista Alexandre Giesbrecht. Também analisamos tendências do jornalismo, fazendo um paralelo com a modernidade da Internet e procurando ver perspectivas futuras - em textos do Rodolfo e Guilherme. Em outro momento, procuramos ver até que ponto a Internet contribui para a falência dos jornais impressos, postando textos que vão contra e a favor desse ponto de vista.
A segunda enquete, Qual é o principal canal de mídia pelo qual você se mantém informado?, com caráter mais estatístico, deu 104 votos - e o triunfo da Internet inclusive sobre a televisão (!). Isso fez com que continuássemos em nossa discussão sobre as vantagens e desvantagens dos sites noticiosos e em nossa busca pela explicação para o grande número de pessoas que estão optando por esse canal de comunicação. Foi aí que entrou nossa análise sobre as e-zines, que explicou o trabalho da Novae, revista digital que vem ganhando reconhecimento no país inteiro. Fechamos com uma entrevista com o editor da Novae e um texto sobre a newsletter - mais uma ferramenta nesse mundo cheio de possibilidades que é o da Internet.
Depois de um bimestre e tantas atualizações, o saldo do nosso trabalho é positivo. Tivemos, sim, toda sorte de problemas e falhamos em alguns momentos. Um deles foi, por exemplo, na hora de trazer novos leitores para cá, fazer com que nossos colegas se interessassem pelos assuntos e quisessem participar das discussões ou mesmo conseguir arrancar comentários dos nossos professores. Mas o Pedro, publicitário "oficial" do grupo, fez diversas campanhas divulgando o blog; cada uma mais criativa que a outra. O resultado é que conseguimos tantos votos nas enquetes e cerca de 88 comentários. Além de termos sido citados em alguns sites sobre o assunto, e de o Notícia na Internet ter sido colocado na seleção especial da Novae e elogiado por alguns leitores. No fim das contas, o esforço valeu a pena. E a nossa experiência está aqui mesmo, na Internet, para quem quiser conferir.
Equipe do Notícia na Internet
É, gente, o Manoel Fernandes Neto nos deixou na mão... Logo que começamos o blog, enviei a ele as perguntas da entrevista, separadas em blocos para facilitar na edição e para que ele escrevesse de um jeito mais solto. Tinha tudo pra ficar legal. Mas como ele é um sujeito muito ocupado (responsável pela MFN Comunicações, Pela e-zine Novae e por vários outros projetos), disse que poderia responder quando tivesse um tempo, desde que não passasse o prazo do nosso blog. Foram cerca de quatro meses, não é isso? Mas o prazo estourou - e nada. Para manter a promessa, publico agora uma entrevista que o editor da Novae concedeu ao Panopticon, site da Faculdade de Comunicação da UFBA. Ficou muito interessante. O mais legal da entrevista é a idéia que ele sempre passa de que a Internet é algo revolucionário. Para jovens jornalistas como nós, não deixa de ser uma idéia bastante empolgante...
Qual a importância da internet para o desenvolvimento do jornalismo alternativo no Brasil?
MF - A internet é a última fronteira do chamado jornalismo alternativo, que teve no movimento das rádios livres seu mais saudável suspiro, mas que foi sufocado pelo poder econômico das rádios comerciais e pela dificuldade e custos de publicações inerentes à mídia impressa. É claro que não adianta nada o meio se você não tiver as pessoas comprometidas para realizar. E a internet tem contra si campanhas sórdidas de outros meios, visando veicula-la a lucros e interesses econômicos que nada trazem de novo. "Gente boa da comunicação", que hoje possa de "pioneiro" e fala bonito em simpósio, sempre alimentou essa campanha contra o germe da revolução contida na web. Veja o movimento blog, surgido há tantos anos, 97, 98, e só agora depois da compra da Globo.com é que é citado como "bacana" por esses "pensadores". Depois, é muito difícil um jornalista abandonar o corporativismo e se dedicar integralmente à construção de uma nova mídia, livre e democrática. Por isso gosto de falar da revista Novae e a coragem de diversas pessoas que abraçaram essa causa.
Como a revista Novae está inserida neste contexto?
MF - A revista Novae coroa um projeto profissional que teve início na Universidade, que era o desenvolvimento de meios de comunicação independentes que colocassem na pauta de discussão o debate do monopólio da comunicação. Em 1985, fiz parte de um grupo "rebelde" que lançou a primeira rádio livre na Baixada Santista onde sua programação era voltada para os movimentos sociais e sindicais, além de cultura alternativa. A rádio alternativa da baixada durou dois anos e seu fim coincidiu com a minha formação como jornalista.
Sempre quando reflito sobre o surgimento da revista tenho diversas percepções. Uma de destaque é que a Novae já ocupava o lugar na cabeça de diversas pessoas. Inconscientemente procuramos e queremos ver nossa produção intelectual em uma revista com as características cult da Novae. Com essa revista, procuramos tirar o melhor aproveitamento editorial dessa produção autoral de várias gerações. Uma obra é como um filho. Eu sei como funciona. Caso sua criação seja bem cuidada você admira ainda mais o meio. Ocorreu mais ou menos isso. A Novae não poderia despertar essa atração se seus próprios articulistas não acreditassem e admirassem a proposta. As coisas não estão dissociadas. Todos gostam de como a revista é concebida, do resultado final, das edições semanais e extraordinárias. A partir disso as vozes vão se unindo, aproveitando a força de aglutinação da web e os próprios ensinamentos de seu dia-a-dia. Seu próprio DNA. O que vemos é uma comunhão de pautas e estilos que surgem espontaneamente.
O que vemos, então, é um grupo de pessoas querendo se expressar, independente de terem sentado ou não em um banco de uma faculdade de jornalismo. A página de parceiros da revista diz tudo.
Quais as estratégias desenvolvidas por vocês para o melhor aproveitamento das potencialidades que o meio digital oferece como, por exemplo, a interatividade, a personalização, a multimidialidade, a memória (arquivo) e a hipertextualidade (uso dos links nos textos)?
MF - A estratégia da conversa, "corpo a corpo", acima de tudo. Somos um grupo com pouquíssimos recursos financeiros, uma equipe enxuta e que vive de doações porque o mercado gosta mesmo de "blá, blá, blá" que muito diz e pouco realiza. Colocar links e interagir é uma necessidade diária. O que vale é a constância e o amor que um meio na web pode despertar no coração do leitor. Por isso, não temos a intenção de lançar o formato impresso. Nem hoje e nem nunca. Não acreditamos, filosoficamente, que o formato papel possa ter mais influência do que o formato digital. Papel é difícil de resgatar quando você mais precisa, além disso, você não consegue viver com ele junto com seu trabalho. Imagine uma revista mensal; você abre a revista todos os dias? Em todos os momentos? O digital traz embutido o sentimento de infinito que o papel não traz; em possibilidades e surpresas.
Além disso, o nosso objetivo é o fortalecimento da web como mídia de transformação e influência. Agora no tocante à viabilidade financeira é claro que isso pode seduzir mais um anunciante. Que vai ser iludido pela agência que o anúncio dele está no veículo certo, mas no fundo, jaz na mesa do dentista e da cabeleireira. E não é essa a razão da existência da revista Novae, por exemplo. A primeira delas é estar vivendo tudo isso e estar dando sua colaboração na concepção dessa verdadeira Internet como novíssima mídia e possibilidades ainda não descobertas.
Como deve ser visto o jornalismo digital para os estudantes de jornalismo que estão ingressando no mercado de trabalho?
MF - Primeiro, não existe jornalismo digital. Existe, isto sim, a força revolucionária do meio. E o recém formado tem o mundo em suas mãos. Pode montar seu blog e interagir com diversas comunidades no planeta. Ir construindo a sua reputação, a partir do momento em que sai da faculdade, ou melhor, do momento em aprende a escrever. Visito blogs de jovens de 15 anos de idade, que contam suas dúvidas em relação ao curso que vão freqüentar. Visito também blogs e sites de professores universitários veteranos que mostram tudo o que já assimilaram da vida. Visito revistas feitas por pessoas comuns, com hábitos comuns. Reais. E é esse o grande salto da web. Todos são importantes e todos estão se expressando. E isso incomoda um pouco quem adota o jornalismo "só pra ficar famoso". Todos nós somos ¿famosos¿ nessa sociedade do conhecimento. A "babaquice corporativista" não tem mais espaço. E não adianta chorar. Este mundo está aberto a todas as possibilidades. Todas as revoluções. O estado da arte como ferramenta de construção de um mundo melhor. Ativo e participante.
Qual é a rotina de vocês? Como é feita a apuração dos dados, quais as fontes requisitadas na elaboração das notícias, como é a atualização dos conteúdo, quantos redatores e colaboradores tem na equipe do site?
MF - É a rotina do amor perfeito. Às vezes ligamos o gerador, pois a energia foi cortada por falta de pagamento. Às vezes passamos o dia inteiro com alguns sanduíches de mortadela (quase sempre). Às vezes não dormimos ou discutimos pauta de madrugada de diversos locais do mundo. O importante é que a revista não deixa de ir para o ar. É fechada no sul, norte e no centro oeste do Brasil e até do exterior dependendo da edição. Temos uma única redação que funciona freneticamente utilizando os recursos digitais, como ICQ, e-mail e vídeo. São mais de 40 colunistas de diversos locais distantes conversando loucamente em busca de uma mídia verdadeira. Que fuja de modelos vendidos pela mídia de massa que gosta de formar anomalias. Cidadãos que pensam que são informados, mas que ficam à mercê da "propaganda sabonete" do horário eleitoral. Que pinta um futuro azul, mas que de fato é o vazio do nada que querem manter. Que garanta seu caviar e suas viagens na primeira classe. Nossa rotina é do amor perfeito, com disposição de luta infinita. E meios para isso.
( Mismana Militão)
Quinta-feira, Agosto 07, 2003
Três coisas importantes:
1- Se até amanhã o Manoel não enviar as respostas da entrevista, vamos publicar uma outra entrevista pronta com ele.
2- Em breve: conclusão do Notícia na Internet.
3- E, para um texto interessante escrito pelo jornalista Luciano Martins Costa sobre a realação blog-jornalismo, clique aqui.
Quarta-feira, Agosto 06, 2003
Interatividade em tempo real parece ser um dos maiores fascínios dos que se envolvem de alguma forma (na produção ou na recepção) com informação on line. Até hoje todos os jornalistas entrevistados pelo Notícia na Internet ressaltaram a queda das barreiras de tempo e espaço como causa primeira da mudança nos processos de apuração e divulgação da notícia via internet. Geralmente um maior enfoque é dado para a apuração. Mas a divulgação também sofreu profundos impactos. É fundamentado nessa velocidade de interação que se consolida um dos serviços mais utilizados pelos sites noticiosos: a Newsletter. Trata-se de uma mensagem enviada por e-mail ao usuário que requer (quase sempre gratuitamente) o serviço. Nela estão contidas as principais manchetes diárias da publicação, geralmente com links que levam o leitor ao site, para leitura completa do conteúdo.
As origens históricas podem se basear até mesmo na origem do jornalismo, com as gazetas manuscritas derivadas das cartas noticiosas, ainda no século XVI, mas a primeira estratégia na internet surgiu em 1994, nos EUA, criada pelo Newshound do The San Jose Mercury News. Fornecia-se por correio eletrônico as principais notícias e artigos do jornal, com textos na íntegra. A idéia foi logo adaptada para a redução dos textos, de modo que as mensagens despertassem o interesse do internauta para que ele visitasse a página.
Com o tempo também foi possível a seleção, pelo usuário, das suas áreas específicas de interesse. Quando assina o serviço, o internauta escolhe, por exemplo, se deseja receber em sua caixa de correio eletrônico links para notícias de Esportes, Economia, ou Artes. Nesse esquema entram todas as editorias básicas da versão impressa, e eventualmente, algumas seções exclusivas da edição online da publicação.
Dentre as newsletter analisadas pelo NI, destacamos o serviço da BBC Brasil, que emite dois e-mails por dia, com fotos e links bem estruturados, além de não possibilitar a especificação de interesses. Dessa forma as informações de todas as editorias chegam ao leitor. É claro que ele visitará no site a informação que for do seu interesse, mas pelo menos fica à par dos outros acontecimentos, sem se "ilhar".
Outros bons serviços são as newsletters do Globo Online e da publicação digital Agência Carta Maior. O que deixa a desejar é o e-mail remetido pelo site do Jornal Nacional. Sem links para cada notícia, o e-mail é um simples texto-resumão das principais notícias que irão ao ar. Detalhe: o texto é exatamente o mesmo dito por Fátima Bernardes na chamada do intervalo da novela das 19h. Assim, a newsletter do JN parece ser mais uma propaganda para o programa, do que um convite para se explorar o site- o que é lamentável, porque a página do Jornal Nacional é bastante rica em termos de multimídia. (apesar de ser apenas um conteúdo transposto)
Segunda-feira, Agosto 04, 2003
JORNALISTAS DE O GLOBO SE RENDEM À ONDA DOS BLOGS
"BLOG APROXIMARÁ COLUNISTAS AINDA MAIS DOS LEITORES", copyright O GLOBO, 13/06/2003
No novo serviço, liberdade para textos sem limite de espaço
Um dos novos serviços criados exclusivamente para o redesenho do Globo On Line vai dar o que falar. Para aproximar cada vez mais o leitor de quem faz o jornal, o site lança hoje o Blog dos Colunistas, que coloca alguns dos principais jornalistas da redeção do Globo em contato direto com os internautas.
Nesse novo serviço, os colunistas terão liberdade para publicar textos sem limite de espaço. Como um diário, eles poderão compartilhar idéias, imagens, áudios e vídeos. E o leitor pode intervir enviando comentários, criticando ou sugerindo novas abordagens.
Para Tereza Cruvinel, titular da coluna Panorama Político, os blogs representam o fim de um processo que ela testemunha há quase 20 anos: "comecei no tempo em que a interação com os leitores era quase inexistente. No máximo cartas, faxes ou telefonemas. Como o e-mail, vivemos uma revolução no relacionamento colunista-leitor. Mas o blog será um canal ainda mais eficiente", comemora.
Sábado, Agosto 02, 2003
Na próxima semana: entrevista com o jornalista Manoel Fernandes Neto, editor da revista digital Novae.
Hoje vou fazer a análise da revista digital Novae, como "prometi" na semana passada. Deixo de lado, portanto, a análise de algum site de jornal mineiro. É que acho muito importante que o Notícia na Internet comente sobre a existência desse tipo de revista e a Novae é uma das melhores no Brasil (e a minha favorita!). Semana que vem, em algum dia qualquer (confirmo aqui a anarquia do projeto dos blogs, que já critiquei no sábado passado...), também será publicada a entrevista com o editor da Novae, o jornalista Manoel Fernantes Neto. Não reparem se meu texto ficar muito puxa-saco; eu realmente adoro essa revista...!
 A Novae nasceu no dia 5 de outubro de 1999, com a proposta de criar um jornalismo independente, que discutisse Política, Cultura, Economia e vários temas polêmicos e atuais de uma maneira inteligente, crítica e completamente livre. É o que diz no Editorial da revista: " Em seu ano 5 de atuação na Web, o compromisso de Novae sempre ficou cristalino aos seus leitores e colaboradores: a construção de uma publicação de qualidade editorial com credibilidade e transparência de intenções. Não nos preocupamos em vender ovos de páscoa ou livros, e a distância da redação do departamento comercial é tão grande quanto a nossa fúria em entender e mostrar um tempo de transição da humanidade, onde as relações, ideais e utopias são erguidos em rede."
Para isso, ela conta com profissionais engajados e competentes que, além de fazerem análises aprofundadas sobre os temas, também buscam apurar fatos em reportagens completas, entrevistas marcantes e com uma agilidade possibilitada pelo canal da Internet. Os colunistas são, dentre outros: Carolina Borges, Fabiano Queiroga, Gislene Bosnich, José Lucas Alves Filho, Rodrigo Gurgel e Tanira Lebedeff - jornalistas, publicitários, economistas, antropólogos, cientistas políticos, filósofos, físicos, sociólogos. Além destes, outros nomes conceituados colaboram na revista: Alberto Dines, Heródoto Barbeiro, Ciro Marcondes Filhos, Wagner Homem, etc. A equipe editorial da revista, como se vê, é da mais alta qualidade. E esse é um dos motivos por que ela tem grande credibilidade no país. É isso o que eles comentam na seção Projeto, que explica as pretensões da Novae: " Os articulistas, colaboradores e parceiros são na verdade os grandes responsáveis pelo êxito alcançado pelo www.novae.inf.br. Massa crítica inovadora, fomentada pelo melhor do copyleft autoral que constrói a Internet Brasileira."
A revista é atualizada todos os dias com novas crônicas, matérias, entrevistas, debates e novidades. Mas possui um newsletter semanal, com circulação às quintas-feiras, com cerca de 4 mil assinaturas. Uma edição extra também pode ser distribuída sempre que houver algum comunicado ou conteúdo jornalístico relevante para o momento.
A primeira página é atrativa, cheia de fotos e com um design moderno. " A Novae.inf.br procura resgatar a paixão fidelizadora do leitor bem informado, despertada por uma edição inovadora da primeira página."
Nesta semana, por exemplo, a capa traz um destaque enorme para o erro cometido por impressos como a revista Época, que acusou integrantes do MST de terem assassinado o fotógrafo Luiz Antônio da Costa. Mais abaixo, traz textos de Frei Betto, Miguel do Rosário, Luciano Martins Costa (este, tirado do Observatório da Imprensa, parceiro da revista), Chico Vilela e vários outros. Na coluna da esquerda, as tirinhas de André Dahmer, ácidas e inteligentes.
A relação com o leitor também é bastante democrática. No centro da primeira página e ao fim de cada matéria, existe o link para o fórum da revista - o Manifeste-se. Lá as pessoas podem fazer críticas sobre os artigos, acrescentar idéias, debater. Muitas vezes os autores dos textos respondem e continuam as discussões. (Eu, pessoalmente, já participei de várias).
Outras seções merecem destaque. A Mídia da Paz, Mulheres.com, Ativismo, Mundo Pop e Neural Digital, são espaços para públicos específicos, de discussão sobre vários temas diferentes. O Novas Vozes é um projeto voltado para universitários que se interessem por publicar um artigo sobre qualquer assunto na Novae. " Se você é universitário e quer exercitar a livre expressão e o olhar crítico dentro de um projeto alternativo de credibilidade, encaminhe seu artigo ou reportagem dentro da linha editorial da Novae, para novasvozes@novae.inf.br, para análise do conselho editorial". Já a seção Nomes traz entrevistas com gente do naipe de Boaventura de Souza Santos, Naomi Klein, Mino Carta, Domenico de Masi e Zuenir Ventura, além de perfis de gente como José Saramago, Mílton Santos, Salinger e Chomsky, dentre vários outros. Dou um destaque especial ao cartunista Carlos Latuff, que é entrevistado e tem links para vários sites em que participa.
Por fim, a seção Parceiros traz links de dezenas de sites, revistas, empresas, e-zines, blogs e comunidades que colaboram com a Novae ou dividem o mesmo ideal de jornalismo. Sites como do Observatório da Imprensa, da revista Caros Amigos, o blog Livre Expressão (realizado pela produtora executiva da Novae, Cris Fernandes) e até este blog Notícia na Internet e o meu TamoscomRaiva. É uma rede de informação na internet que dificilmente se encontra em outra revista digital.
Espero que, depois de toda essa propaganda, vocês se interessem pelo trabalho maravilhoso realizado por esses jornalistas de Blumenau e leiam as matérias críticas e analíticas que eles publicam. Semana que vem, não deixem de conferir a entrevista com Manoel Fernandes Neto!
Quinta-feira, Julho 31, 2003
NOVOS PARADIGMAS DA RECEPÇÃO
Pedro Celso Campos
Professor-mestre de Jornalismo Comunitário na Unesp-Bauru. Email: pedrocelsocampos@terra.com.br
A Teoria Estética da Recepção, em Jauss, mostra-nos a importância do receptor do discurso em qualquer processo. Todos sabemos que foi a cobrança dos leitores americanos a respeito de melhores esclarecimentos sobre as guerras na Europa que deram origem ao Novo Jornalismo nos Estados Unidos nas primeiras décadas do século XX. Tratava-se de um jornalismo mais interpretativo, capaz de proporcionar ao receptor todas as nuances sobre as origens e as conseqüências do fato, em vez de ficar apenas no meramente informativo.
Ao longo do século o receptor do discurso jornalístico foi se tornando tanto mais seletivo e exigente, quanto maiores as opções de comunicação à sua disposição. O leitor de jornais especializados é mais exigente que o leitor dos demais jornais. O consumidor de artigos opinativos e de editoriais cobra mais qualidade quando se vê exposto aos demais gêneros do jornalismo ou aos demais produtos da mídia. Um conhecimento maior demanda um conhecimento maior, que, por sua vez, busca um conhecimento maior e assim por diante, de modo que este mesmo é o motor do progresso humano. A Teoria da Psicanálise vê contrapontos nessa "formulação binária" do progresso. Para Freud, é o apelo da Morte (Tanathos), de um lado, e o apelo da Vida (Eros), do outro lado, que impulsionam o homem para frente enquanto ser pensante.
No que se refere ao consumidor de notícias ¿ que é o tema deste tópico ¿, sabemos que o perfil do receptor do discurso jornalístico vem mudando drasticamente, de modo especial na última década. Cabe indagar, então, quem é o receptor-padrão do webjornalismo já que a Estética da Recepção nos aconselha a levar em conta o receptor como sujeito da informação ¿ isto é, como determinante do próprio contexto produtor do discurso ¿ se queremos ter êxito no processo de comunicação.
Se é verdade que a busca do conhecimento é um movimento contínuo no ser humano, também está correta a observação de Johnson (2.001) segundo a qual os jovens da geração do videogame tiveram maior facilidade em lidar com a internet, a ponto de aprenderem a lidar com o computador e com a web simplesmente mexendo nos controles e jogando fora os manuais, enquanto os velhos jornalistas das máquinas de escrever só a muito custo conseguiram aderir à nova mídia, ainda que com bastante insegurança e timidez.
É esse público constituído de jovens, os primeiros a se familiarizarem com a parafernália eletrônica do século XX ¿ muitas vezes ensinando aos pais e aos professores como operar os sistemas ¿ que forma o grande público receptor de informações no jornalismo online. Em todos os congressos realizados no país desde o surgimento da internet, em 1995, os estudos mostram que os jovens preferem a Internet para se manterem informados.
A pesquisa Datafolha divulgada no 3º Congresso de Jornais, no Rio, mostrou que 80% dos consumidores de notícias via internet têm menos de 40 anos de idade e 33% não passam dos 24 anos. Enquanto isto, 43% dos leitores de jornais de papel têm mais de 41 anos. Em média, são mais velhos que a população brasileira.
Nas cidades pesquisadas (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília e Recife) 34% dos entrevistados disseram que acessam a Internet, o que dá um total de 5,4 milhões de pessoas. Deles, 30% entram na rede diariamente e 27% pelo menos uma vez por semana. Sua escolaridade é mais alta que a dos leitores de jornais de papel: 63% dos usuários da internet, contra 31% dos que preferem o papel, têm curso superior. Sua renda, também: 43% ganham mais de 20 salários mínimos por mês, contra 20% no caso dos jornais. Segundo o Datafolha, "o jornal impresso é preferido pelos mais velhos e menos escolarizados".
Por que o público jovem prefere a internet para se informar? A pesquisa Datafolha também responde a essa questão: em média 65% dos internautas lêem notícias na rede. Talvez porque 33% dos que se converteram ao jornalismo virtual e mesmo 30% dos que não largam o papel de cada dia acham que na Internet o noticiário é mais confiável. Ao mesmo tempo, 77% dos internautas e 68% dos leitores de jornais afirmam, na pesquisa, que encontram mais rapidamente na internet as notícias que procuram.
Também a variedade de assuntos é maior na rede, segundo 77% dos entrevistados. E 58% dos leitores de jornais concordam com eles. E quem pensa que é nos jornais de papel que o receptor consegue se aprofundar mais nos assuntos está totalmente enganado: 62% dos internautas acham que o hipertexto da internet é mais completo que as colunas do jornal. Aliás, 54% dos leitores de jornais concordam que a internet tem mais conteúdo, dando mais informação em menos tempo. Na verdade os leitores dos jornais de papel reclamam ¿ conforme 57% dos entrevistados ¿ que a mídia impressa dá espaço demais à economia e à política.
O fato de a maioria dos webjornalistas ser jovem ¿ como vimos na pesquisa sobre o jornalismo digital de Brasília ¿ e a comprovação da pesquisa Datafolha, indicando que são igualmente jovens os consumidores de notícias virtuais, estão a mostrar um universo de Produção (ou captação), Emissão (ou manipulação) e Recepção (ou leitura) do discurso jornalístico quase que paralelo ao "mundo real" dos leitores cinqüentões e sessentões que "assistem" ao show de tecnologia que vai tomando conta dos processos de comunicação, no exato instante em que se aguarda o ingresso da tecnologia digital também nos aparelhos de TV e até no cinema.
Segundo o Ibope, mais de 14 milhões de brasileiros navegam, hoje, pela internet. Mas este número vai crescer muito, à medida que o computador vai sendo popularizado, com preços mais baixos e amplas facilidades de pagamento. Com o tempo a tecnologia prevê que a Internet será totalmente gratuita, à medida que vai conquistando os anunciantes que emigram da TV aberta. Outro fato determinante é a miniaturização dos equipamentos, permitindo ao internauta livrar-se do pesado volume formado pelo monitor de vídeo e pela CPU sobre a mesa do escritório doméstico ou comercial, podendo acessar a rede e as notícias a partir do carro, do ônibus, do avião, afinal, de onde quiser.
Mas o mais importante não é que o consumidor de notícias digitais pode acessar o webjornalismo. Enquanto na TV seu único instrumento de manipulação interativa era o controle remoto para "interferir" na programação, algo equivalente aos telefonemas e cartas-dos-leitores no contato com os jornais (e também com o rádio e a própria TV), agora o receptor da informação pode ser, ele próprio, um gerador de conteúdos, enviando informações por e-mail, criando sites especializados, ou até mesmo imprimindo em casa, a cores, as notícias que julgar do seu interesse ou do interesse de pessoas da família ou das suas relações comerciais, de amizade etc. É uma capacidade de interação muito mais expressiva, muito mais significativa, algo que chega a preocupar as entidades representativas dos jornalistas, como vimos, algo que pode comprometer a ética, pois se antes se dizia que "o papel aceita tudo", é o mesmo que se pode afirmar hoje, da internet, onde trafega também muito lixo, exigindo maturidade do internauta para que não consuma "gato por lebre". Uma orientação certa é procurar sempre os portais mais confiáveis, geralmente ligados a publicações e autores sérios, evitando material sem referência ou mesmo anônimo.
Ainda no que se refere ao posicionamento do receptor diante da internet, parece certo afirmar que o jornalismo online possibilita ao internauta exercer de forma plena a sua cidadania diante das possibilidades que tem de interferir na mensagem recebida, redirecionando-a por e-mail ou colocando-a em debate nos chats, ou enviando comentários a respeito ao próprio emissor do discurso recebido, bastando clicar no e-mail do emitente. Essa liberdade de se expressar confere novas possibilidades no exercício da cidadania plena.
Quarta-feira, Julho 30, 2003
Encontrei um artigo com dicas sobre como escrever notícias online. As várias sugestões feitas por Jonathan Dube demonstram como o jornalismo na internet exige um tratamento diferenciado e uma atenção especial. Antes de publicar na rede lembre-se dos conselhos de Dube: conheça seu público, não tenha medo de utilizar links externos, escreva textos interessantes e compactos, mas não acabe com o lead - corra riscos, sem se esquecer do básico.
Vários exemplos de trabalhos realizados para jornais online são apresentados, facilitando o entendimento dos conselhos do jornalista.
Clique aqui e visite o artigo publicado no Poynter Institute - em inglês
Terça-feira, Julho 29, 2003
FUTEBOL IMPULSIONA O CRESCIMENTO DO JORNALISMO ESPORTIVO NA INTERNET
Sites são mais uma opção para os torcedores ficarem informados
O Brasil é conhecido como o país do futebol. Maior vencedor de Copas do Mundo, o esporte mexe com as emoções de apaixonados torcedores seja nas vitórias ou derrotas. Está tão presente em nossa cultura que vários artistas já cantaram versos de amor ao esporte. Em Minas Gerais não é diferente, o futebol esta presente em discussões na escola, no trabalho, nos bares. São muitos os ¿pseudotécnicos¿ que analisam os resultados da rodada.
E foi-se o tempo em que as únicas maneiras do torcedor descobrir os resultados finais dos jogos eram as mesas-redondas de programas televisivos e depois das transmissões dos jogos pelo rádio. Acompanhando a evolução da Internet, o jornalismo esportivo cresceu e está cada vez mais profissional. Os portais cada vez mais dão espaço para o esporte em suas páginas iniciais e há ainda vários sites especializados nas mais diferentes modalidades esportivas.
Não só os sites de empresas jornalísticas, como também os sites oficiais dos clubes e jogadores estão se renovando constantemente. De olho neste mercado o portal Uai lançou em 2000, o site Superesportes. O que antes era apenas uma seção do portal tornou-se um site com cobertura para os principais esportes como futebol, vôlei, basquete, automobilismo e tênis. Mas o grande diferencial é a cobertura dada para o futebol mineiro.
Para o repórter e colunista do Superesportes Leandro Mattos a principal virtude da Internet é a agilidade na disponibilização das notícias e na possibilidade de oferecer recursos de multimídia para o leitor. Mattos diz que em termos de velocidade de divulgação só o Rádio como pode ser tido como principal concorrente e afirma que ele muitas vezes, é até mais ágil. Mas acredita que o principal valor da Internet é a possibilidade de fornecer um "pacote completo" para o leitor. ¿No Superesportes, por exemplo, os torcedores de Atlético, Cruzeiro e América podem ler sobre a partida do seu time e conferir os gols, na seção NetGols. Recursos de áudio e vídeo são uma ferramenta importante podem ser consideradas diferencial da Internet¿ observa Mattos. Se no início os sites esportivos se contentavam em dar os resultados de última hora a tendência hoje é diferente. A maioria dos sites tem oferecido a possibilidade de não só relatar os fatos esportivos, mas também analisá-los, com colunistas cada vez mais especializados. Para Leandro Mattos a formalização de parcerias também deve ser destacada. ¿A Internet tem sido vista como um dos principais canais de comunicação com o público esportivo. Vários atletas e clubes possuem sites oficiais. No Superesportes, as mais novas parcerias são com Alex (Cruzeiro) e Lúcio Flávio (Atlético)¿.
Mas se por um lado a qualidade das coberturas esportivas online tem se destacado pela melhoria dos textos, o aspecto visual, a diagramação também tem papel fundamental para conquistar novos leitores. Mattos acredita que na Internet visual e bons textos têm que andar sempre juntos. ¿Esse é o segredo. De nada adianta uma notícia brilhante, bem redigida, se ela estiver dispersa, numa página "poluída" e mal diagramada. De nada vale uma bela "embalagem", uma página bacana, com o conteúdo fraco. Aliar bom texto e design competente deve ser a meta na Net¿.
O Superesportes está sendo tão bem sucedido que segundo Mattos, o site em algumas oportunidades chega até a superar o portal Uai em número de acessos. No período de disputa do Campeonato Mineiro de futebol, os acessos aumentam já que o site é o mais completo sobre a disputa, que é tratada de forma irrelevante por sites nacionais que dão maior destaque para os regionais de São Paulo e Rio de Janeiro.
Segundo Mattos o perfil dos leitores durante a semana e os de domingo apresenta algumas diferenças. Os de domingo busca mais os resultados de última hora já os de semana querem uma cobertura mais ampla, com a repercussão do jogos.
Com relação a questão do jornalismo online substituir aos poucos os jornais impressos, Mattos acredita que isto nunca irá acontecer. ¿Acho que as duas coisas se completam. Tenho uma visão "romântica" sobre essa questão. Não só no campo esportivo. Por mais que façamos um jornalismo competente, nada substitui o contato com o papel, a leitura no banheiro, no ônibus, na praça¿.
Web site: www.superesportes.com.br
Autor: Thiago Silva Gontijo Fonseca
Segunda-feira, Julho 28, 2003
ENTREVISTA: MARCELO RUSSIO
As inovações trazidas pela Internet chegam ao Jornalismo Esportivo e modifica a maneira de fazê-lo. Marcelo Russio, cronista esportivo do site Comunique-se, analisa nesta entrevista as principais mudanças, além de adiantar as novas técnicas de transmissão de notícias que serão usadas nas próximas Olimpíadas. Confira!
Notícia na Internet: Como as mudanças trazidas pela internet afetaram o jornalismo
esportivo?
Marcelo Russio: A Internet, na minha opinião, foi uma bênção para o jornalismo esportivo. Através dela passamos a ter acesso mais rápido à notícias e resultados, passamos a acompanhar as transmissões ao vivo de eventos esportivos, passamos a ter a possibilidade de fazer entrevistas inteiras diretamente com um atleta, por exemplo, enviando todas as perguntas para o seu e-mail, tendo a certeza de que ele, pelo menos, leria as perguntas. Também passou a ser possível o envio de arquivos de áudio, vídeo e fotos muito mais rapidamente.
Enfim, ela agilizou e barateou o trabalhos dos repórteres esportivos. Uma outra mudança foi a falta de adaptação de uma ou mais gerações de jornalistas aos
novos meios. Isso acabou forçando a "emancipação" dos novos nomes, que viram na Internet o meio de se destacarem perante os medalhões da profissão que, por um motivo ou outro, não conseguiram se adaptar à ela.
Por fim, as próprias fontes de notícias se modernizaram, passando a utilizar os seus sites como fontes de informação. Os casos de Ronaldo e Rivaldo, por
exemplo, que a todo momento mandam recados a desafetos, ou utilizam seus sites como meio de negociação de contratos e/ou transferências mostram a força que a Internet ganhou.
N.I.: Quais as novas ferramentas da tecnologia de informação estão sendo utilizadas pelos repórtes esportivos? O que você prevê para a cobertura das Olimpíadas
de 2004?
M.R.: Não creio que haverá uma mudança muito radical em Atenas para o que se viu em Sydney 2000. Lá, sim, houve uma distância absurda para a cobertura
realizada em Atlanta 1996. em Sydney foi possível se ter acesso aos boletins oficiais da organização, pela primeira vez se enviou arquivos de áudio digitais diretamente do local dos Jogos, se fechou jornais totalmente via internet, enviou-se fotos e textos em banda larga, com qualidade excelente.
Enfim, em Atenas eu creio que haja uma consolidação deste tipo de utilização da Internet. Uma melhoria, mas não uma revolução. O que deve acontecer, ainda de
forma embrionária, é a utilização dos celulares como fonte de imagens e fotos, e na transmissão de dados. Isso dará à cobertura um caráter muito mais ágil,
ainda que sem a qualidade perfeita. Mas isso é apenas uma aposta. Certo, mesmo, é o nível de profissionalismo do site dos Jogos, que a cada edição dá mais
informações aos seus usuários.
N.I.: Quais as vantagens trazidas pela internet aos leitores e jornalistas esportivos?
M.R.: Principalmente a agilidade no acompanhamento das notícias. Hoje quase ninguém mais se dá conta, mas a grande maioria dos brasileiros se baseava nos jornais do dia seguinte para acompanharem os desdobramentos das notícias do dia anterior. Hoje, com a Internet, podemos acompanhar o "durante" de cada notícia.
Isso, sim, foi um grande diferencial para quem acompanha o noticiário esportivo.
A má-notícia foi a proliferação de fontes que não são confiáveis. Com a democracia total da rede, hoje qualquer um escreve o que bem entender nos seus sites. Quem não toma cuidado, acaba se baseando em informações de procedência nada confiável. Mesmo sendo um perigo a mais para o leitor, esse tipo de situação acabou
ajudando os verdadeiros repórteres, que tiveram que exercitar a principal característica da profissão: a apuração criteriosa.
N.I.: A internet permite que os jornalistas esportivos tomem contato com grande volume de notícias sobre atletas, esportes e competições em todo o mundo. Como é
realizado o processo de seleção dessas informações?
M.R.: É como eu disse na pergunta anterior: a apuração criteriosa passou a ter o seu valor renovado. Os repórteres tiveram que deixar de confiar em qualquer
fonte, e voltar a cultivar as suas fontes preferenciais. O processo de seleção, portanto, passou a ser feito da forma tradicional, que envolve pesquisa em sites de renome,
dando-se preferência a matérias assinadas e a fatos comprováveis (ou comprovados) publicados nos sites. O processo, em si, não mudou muito. Apenas houve uma pequena adaptação nos meios para se aplicar esse processo em um novo meio de comunicação.
N.I.: O leitor de um veículo online tem a possibilidade de direcionar sua leitura apenas para determinado assunto que lhe é de maior interesse. O torcedor-leitor, que acompanha o jornalismo esportivo online é mais exigente quanto à variedade de informações do que os leitores do veículo impresso?
M.R.: De forma alguma. Ele é tão seletivo quanto os leitores dos jornais impressos. O que muda é a oferta de informações, por conta da não-limitação de espaço da qual os veículos online dispõem. Por não terem o limite da página ou do tempo, os veículos podem se aprofundar mais nos assuntos, repercutir melhor as informações. Essa, a meu ver, é a vantagem crucial dos sites sobre os demais meios de comunicação. A única diferença, a meu ver, é essa.
Domingo, Julho 27, 2003
Revistinhas de respeito tomam conta da Web
As e-zines, irmãs mais novas dos velhos fanzines, conquistam a Web e já são vistas como as mais eficientes mídias digitais alternativas do momento.
Por João MagalhãesE-mail: jsmaga@terra.com.br
O nome Hugo Gemsback provavelmente não deve significar nada para você. Mas que tal Amazing Stories? Já ouviu falar, não? Pois Gemsback foi o editor da Amazing Stories, revistinha dedicada a ficção científica, lançada em 1926. Mais tarde, seus contos e novelas seriam celebrizados nas telas de cinemas de todo o mundo.
A mazing Stories foi também fonte de inspiração para o surgimento de publicações alternativas conhecidas como zines ou fanzines (do inglês fan club culture), que debutaram nos anos 30, e logo se popularizaram, graças ao mimeógrafo. A maquininha de tirar cópias em papel estêncil permitiu que milhares de pessoas se aventurassem na área editorial, seguindo os passos da The Comet (mais tarde rebatizada de Cosmology), considerado a primeira fanzine do mundo.
Com o agito político que sacudiu a década de 60, as zines explodiram de vez. Foi criado o Undergound Press Syndicate (Sindicato da Imprensa Alternativa), que contava com associados de peso como o Los Angeles Free Press, o East Village Other e o Barkely Barb.
A grande imprensa norte-americana sentiu-se incomodada com o sucesso das revistinhas - pois estava provado que que não era preciso técnica, talento, furo de reportagem ou dinheiro para colocar boas idéias num papel - e reagiu com planos de marketing agressivos.
Nos últimos vinte anos, então, sem grandes recursos financeiros, as zines passaram por uma fase de instabilidade: desapareciam tão rapidamente quanto surgiam. Mas veio a Web. E elas estão de volta, rebatizadas de e-zines. De acordo com o Forrest - respeitado instituto de pesquisas - são as mais procuradas mídias digitais do momento, ao lado dos blogers (diários pessoais)
No começo, as e-zines eram produtos da criatividade de solitários e estranhos personagens que curtiam rock, futebol, poesias ao estilo de Baudelaire, e feminismo. Sua bíblia é o Factsheet5, um guia editado em São Francisco, na Califórnia. Um dos maiores admiradores de e-zines é o americano John Labowitz. Desde 1993 ele vem colecionando sites do gênero. Seu atual acervo tem mais de 4 mil e inclui duas pérolas: o ToyTrov e Dead Jackie Susan, dedicado à autora do Vale das Bonecas, um clássico do cult.
O primeiro é uma e-zine barra pesada, com artigos satíricos, histórias perversas, colunas mordazes de aconselhamento e críticas à sociedade contemporânea.Toy Trove traz as últimas fofocas que correm na boca do povo sobre os astros e estrelas do cinema e do showbusiness em geral.
Atualmente, as e-zines estão saindo dos subterrâneos da Web, principalmente sob a forma de news letters, enviadas por e-mail, trazendo assuntos menos obscuros como Ciência, Saúde, Negócios, Informática. É o caso da HerComputer, voltada para o público feminino e que oferece tudo sobre computação e webmarketing, com treinamentos e soluções online. E da sofisticada Central de Saúde, que apresenta farto material sobre medicina, remédios e exercícios físicos.
Texto retirado do site www.estadao.com.br na seção maga.zine
Sábado, Julho 26, 2003
::::: CENSURADO :::::::
Clique aí e veja o quê: balde.doc
"Jornalismo: inserção e possibilidades na Web
O jornalismo, tal como o conhecemos hoje, nasceu no século XVII, com o lançamento dos primeiros jornais na Europa, quando se otimizou a aplicação das técnicas de impressão. De lá para cá, a história do jornalismo guarda forte relação com a difusão de novas tecnologias de transmissão, comunicação e informação. De certa forma, o conceito de jornalismo encontra-se relacionado ao suporte técnico e ao meio que permite a difusão das notícias. Daí derivam conceitos como jornalismo impresso, telejornalismo e radiojornalismo.
As primeiras experiências de jornalismo na rede datam do final da década 80, quando provedores como o American On Line começaram a disponibilizar serviços de notícia personalizados. No início de 1994, a Internet abrigava aproximadamente 20 sites noticiosos, todos produzidos nos EUA. Três anos depois, esse número saltaria para 3,6 mil, segundo monitoramento do NewsLink ( http://www.ajr.newslink.org/. ).
Segundo Eric K. Meyer, consultor norte-americano em mídia, estima-se que hoje o número de sites atinja a marca dos 5 mil em todo o mundo - dos quais 43% são produzidos fora dos Estados Unidos -, com significativa participação dos periódicos brasileiros. No Brasil, o pioneirismo foi do Jornal do Brasil ( http://www.jb.com.br ), o primeiro do País a oferecer a cobertura completa no ciberespaço em 1995. Hoje, praticamente todos os grandes jornais brasileiros estão na Web, a exemplo do movimento verificado em outros países.
Além dos jornais, outros veículos de comunicação, como revistas e emissoras de rádio, estão abrigados na rede, considerada como incubadeira midiática, 'ambiente propício à proliferação de novas formas midiáticas (RV, por exemplo) bem como à adaptação das antigas formas de mass media. A Rede, como o próprio nome indica, é um ambiente entrelaçado (rizomático) permeado de instrumentos de comunicação (as diversas mídias)'.
Os jornais foram os primeiros veículos de comunicação a integrar o ciberespaço, favorecidos pelo avanço das ferramentas tecnológicas e comandados pela decisão estratégica de não perder receitas publicitárias. De fato, cada vez mais, a Internet se apresenta como canal atrativo para atingir públicos segmentados e fonte promissora de rentabilidade tendo em vista o potencial de receitas múltiplas, como publicidade on line e comércio eletrônico, atraindo a atenção das grandes corporações de mídia.
Um leque de oportunidades se abre à atividade jornalística na Internet, no que concerne ao processo de produção e difusão da notícia, em função das tecnologias digitais e das redes interativas. No que se refere à pesquisa, o jornalista tem acesso a incalculável quantidade de informações oriundas de fontes plurais, o que pode lhe ajudar na confecção e apuração de pautas. A oferta é fruto, em parte, da nova maneira de se comunicar de organizações, empresas, instituições e autoridades, que passam a ver na Internet um meio de atingir seus públicos sem intermediários. Isso evita a unicidade das fontes de informação e permite, inclusive, o cruzamento de dados. Além disso, o jornalista dispõe de documentos e dados aos quais era difícil ter acesso até então. Registra-se, ainda, o fato de facilitar o contato de fontes distantes geograficamente ou difíceis de serem localizadas.
Se os sites, os bancos de dados e as listas de discussão são excelentes ferramentas para coletar dados e selecionar novas fontes, o correio eletrônico, por sua vez, revela-se instrumento eficaz para conhecer os desejos e atender aos interesses do leitor, que pode, por exemplo, sugerir assuntos, enfoques e entrevistados. Essa é apenas uma das possibilidades abertas pela interatividade, que torna seus participantes ativos e os autoriza a serem produtores de informação.
No processo de redação de uma notícia, o jornalista é favorecido pelo rompimento do limite de espaço. Segundo Melinda McAdams, responsável por implantar a versão digital do Washington Post, os profissionais são atraídos de possibilidade de oferecer todos os tipos de informação que não caberiam na página de um jornal impresso.
A possibilidade de utilizar recursos como textos, fotos, imagens, mapas e áudio, integrando-os na mesma mensagem, bem como de conectar, por meio do hipertexto, a matéria a informações de arquivo e/ou complementares disponíveis na home do próprio veículo ou em outro site, sem dúvida, incrementam a produção. Segundo Giussani, o 'hipertexto é o motor dessa diversificação da informação', capaz de satisfazer os múltiplos níveis de interesse do leitor, do superficial ao profundo, de contextualizar fatos, de associar informações, fontes e mídias.
Quanto à distribuição de notícias, a Internet mostra-se um veículo de difusão contínua. A informação no meio digital pode e deve ser revista após a sua distribuição. Estabelece-se nova relação com o tempo: o jornalismo digital 'cassa a cronologia e permite reutilizar ao infinito as informações, atualizá-las, corrigi-las, completá-las'.
Os custos dessa difusão também são atrativos. O lançamento um produto noticioso na Internet requer menos investimento do que o necessário para distribuí-lo nas mídias tradicionais. Nos Estados Unidos, por exemplo, os investimentos para se lançar uma revista mensal, de alcance nacional, são estimados em US$ 15 milhões. Uma publicação similar na Internet tem custo aproximado de US$ 100 mil."
(Escrito por Angèle Murad e publicado no site da Universidade Federal Fluminense)
Quarta-feira, Julho 23, 2003
E-ZINES
Uma alternativa no jornalismo cultural
Não é de hoje que o nível do jornalismo cultural, em especial aquele que é produzido pelos grandes veículos, está em xeque. Uma das principais reclamações por parte de leitores é quanto à mesmice de temas e enfoques nas análises, dando a sensação de que ler um caderno cultural é a mesma coisa que ler todos.
Um novo fôlego, porém, parece estar vindo da internet com os e-zines (zines eletrônicos). Abordando prioritariamente a cultura pop, as revistas eletrônicas têm procurado fugir dos padrões pré-estabelecidos da grande imprensa e vêm se destacando a cada dia.
Os e-zines são herdeiros diretos dos fanzines, publicações rudimentares feitas muitas vezes com tesoura e cola e voltadas a um público aficionado de determinado estilo musical, como o punk, na década de 70. Com o tempo, o perfil foi sendo ampliado e outros temas, fora da música, passaram a ser abordados. Com o advento da internet, a mudança do meio foi apenas uma questão de tempo. Muitos zines, além da edição em papel, passaram a ter suas versões eletrônicas. E não demorou nada para surgirem e-zines exclusivos da net.
A principal diferença entre os e-zines e os cadernos de cultura é a liberdade temática. Os grandes veículos são obrigados a cobrir de forma extensiva a agenda cultural, trazendo lançamentos de CD, estréias de cinema e teatro, bastidores da televisão, entrevistas e perfis com os nomes do momento. Talvez seja por esta fórmula que as "ilustradas" e "cadernos 2" da vida se pareçam tanto. Não que as revistas eletrônicas deixem o mainstream de lado, mas elas procuram ir além, falando de artistas independentes, que sem uma grande estrutura de divulgação acabam ignorados por jornais e revistas. "O conceito básico do ScreamYell era falar de coisas que outros veículos não falavam. Por isso eu comecei a fazer e-zines", conta o jornalista Marcelo Costa, um de seus idealizadores.
Uma contribuição importante dos e-zines é que o exercício da crítica não está mais limitado apenas à grande imprensa. O leitor pode buscar outras opiniões a respeito de um lançamento antes de decidir que CD vai comprar ou a que filme ou peça de teatro assistirá.
Outra característica dessas publicações é, na maioria dos casos, dar vez e voz a profissionais que estão batalhando por um lugar ao sol nas redações. É o caso do Rabisco . "Quando decidimos criá-lo, queríamos manter um canal para que jornalistas culturais ainda sem chance no mercado de trabalho pudessem extravasar suas opiniões e talentos", diz seu editor, Marcel Nadale. Quem confirma essa tendência de lançamento de novos nomes no jornalismo é Fabio Carbone, do Ruídos . "A maioria dos colaboradores é de aspirantes a jornalistas que têm no Ruídos uma oportunidade de aparecer e entrar no mercado. É uma porta de entrada para aqueles que querem fazer um trabalho de maneira competente e original. Assim, todos ganham", diz.
Os e-zines seriam herdeiros legítimos dos veículos da imprensa alternativa dos anos 70? "È bem diferente o cenário. Hoje em dia, temos uma abertura que não existia nos 70. O que causa, até, uma superexposição de material que acaba não sendo digerido. Ou seja, há tanta informação circulando que as pessoas não têm tempo para ver/ler/ouvir/atentar para tudo. E o mundo hoje é mais livre, não há bandeiras", responde Marcelo Costa. Para Fabio Carbone, "a imprensa alternativa caracterizava-se por abordar assuntos referentes à ditadura militar em publicações menores, independentes, mas com postura de ação. Por fazer oposição ao regime, o modelo foi considerado underground. O Ruídos, por mais que não tenha caráter político, pode ser considerado um veículo alternativo por priorizar assuntos específicos, dando aprofundamento maior a temas que não são muito explorados na grande imprensa."
Marcel Nadale acha correto traçar o paralelo entre os dois tipos de publicações, mas, segundo ele, a equivalência não chega a ser total. "Definitivamente, o valor semântico de ¿alternativo¿ é respeitado: estamos à margem do mainstream da mídia, com todas as benesses e as dificuldades que isso traz", diz.
Esse texto foi retirado do site do Observatório da Imprensa. Foi escrito pelo jornalista e colaborador de vários e-zines Rodney Brocanelli.
Nos próximos posts confira mais comentários sobre os e-zines!
Domingo, Julho 20, 2003
Publicações Eletrônicas
Depois de fazer uma análise sobre como os jornais impressos estão utilizando o seu espaço na Web devemos discutir como as publicações que surgiram na Internet pensam e estruturam o conteúdo para a nova mídia. Assim como o projeto de qualquer outra publicação,é preciso que haja uma estruturação de como a informação será veiculada (projeto gráfico-editorial), qual a periodicidade, a equipe que realizará o trabalho e o que vai dar suporte financeiro à publicação, ou seja, a publicidade e/ou o patrocínio.
As publicações criadas para a nova mídia devem ter um conteúdo diferenciado e um outro tratamento da informação. É preciso estabelecer os princípios que determinarão um novo produto, que falará com um outro público-alvo e estará em outro ambiente tecnológico - ainda em constante evolução. Segundo o colunista diário da publicação NO., Arthur Dapieve, o grande desafio das publicações que surgem na Internet é a construção da credibilidade junto aos seus leitores.
"O público ainda procura na Internet os sites dos principais veículos de comunicação tradicionais - jornais, revistas e canais de TV - em busca de informação. Eles confiam na credibilidade do veículo em sua mídia e acreditam que esta também estará presente em sua publicação Web. Conquistar o usuário e a sua confiança é o grande desafio das publicações eletrônicas. Acredito que o usuário está se tornando cada vez mais exigente com relação ao conteúdo na Internet e saberá identificar em que publicação pode confiar¿.
Newton Fleury, coordenador de novas iniciativas do portal globo.com, acredita que a principal preocupação das publicações que surgem na Internet não deveria ser somente com o conteúdo, mas sim em disponibilizar algo que seja do interesse e da necessidade do usuário.
"As publicações brasileiras, mesmo as genuinamente de Internet como NO. e Último Segundo, ainda operam como as empresas de mídia tradicional, pois não entenderam que o conteúdo não é o mais importante. O exemplo de empresa de mídia para o próximo milênio chama-se Yahoo! que inventou e continua inventando a forma da Internet. O segredo é a integração conteúdo/serviços, chamados de sticky applications, pois fazem o usuário retornar ao site sempre. Neste tipo de publicação observa-se: calendário, e-mail, chat e outras ferramentas de interatividade como mapas com informações geo-referenciadas, games, etc."
De acordo com Newton Fleury, uma publicação eletrônica não precisa produzir conteúdo, mas agregar, organizar, integrar com serviços de alto grau de interatividade e personalização e fidelizar os internautas. "A palavra-chave é integração. Um site nada mais é do que um banco de dados bem estruturado.¿
Texto retirado do site www.jornalismonainternet.hpg.ig.com.br
Sábado, Julho 19, 2003
Agora vou procurar fazer uma análise do site do Jornal do Brasil, através de uma comparação com o site da Folha (já analisado no dia 16/06) e com o próprio jornal impresso. Escolhi o JB por se tratar de um dos maiores jornais cariocas. A próxima "vítima", em breve, deverá ser mineira...
Diferentemente da Folha de S.Paulo, que só pode ser acessada por assinantes do jornal impresso ou do portal UOL, o site do Jornal do Brasil é aberto para qualquer internauta. Talvez isso contribua ainda mais para a enorme crise em que o jornal se encontra, principalmente levando-se em conta que ele foi o primeiro jornal brasileiro a disponibilizar as notícias na internet, muito antes de qualquer outro ter essa idéia. Mas aí eu vou entrar naquela delicada discussão sobre a influência da Internet na queda do número de leitores dos impressos, que já rendeu muitos posts pra trás... Na minha opinião, a rede contribuiu, sim, para essa queda. Mas não é suficiente para explicar, por exemplo, a crise que o JB está enfrentando há mais de uma década.
Assim como a Folha, o jornal carioca também disponibiliza todas - ou praticamente todas - as matérias do impresso no site. Os cadernos são divididos de uma maneira simples e eficiente, acessíveis para qualquer internauta inexperiente e muito fáceis de serem visualizadas. Enquanto a Folha optou por criar espaços para cada caderno, abrindo muitas janelas desnecessárias (ou através do Índice Geral, onde só temos acesso aos títulos das matérias), o JB deu a cada editoria as matérias com resumos e fotos, que facilitam muito para o leitor.
Uma das maiores vantagens de um noticiário na Internet, como já dissemos em outros posts, é a possibilidade que o leitor tem de interagir constantemente com o noticiarista, tornando o veículo muito mais democrático e aberto ao fluxo de informações. O Jornal do Brasil tem a seção " Tempo Real", dividida pela hora do fato. Um problema nessa seção é o fato de não dividir as notícias por editorias, dando trabalho desnecessário ao leitor. Eles tentam remediar o problema colocando símbolos para cada caderno. Outro espaço para interação é no " Pergunta de hoje": o jornal faz uma pergunta sobre algum fato do dia e, além de criar um gráfico como faz a Folha, também abre um fórum onde os leitores podem discorrer sobre o assunto e registrar sua opinião.
O Serviço ao Assinante também é eficiente e oferece, além das ajudas de praxe (entrega, reclamações, etc), várias promoções no "Clube JB", como o sorteio de um livro por semana. Mas a entrega é só para moradores do Rio de Janeiro...
O site também faz um bom trabalho na prestação de serviços. O leitor pode pesquisar em qualquer número anterior, ver notícias na agência JBOnNews, se cadastrar no ClubeJB, pode comprar na seção Shopping (com pesquisa de preços) ou marcar uma viagem.
Mas a maior vantagem do site do JB sobre o da Folha é a seção de Especiais. Iraque, Lula, Matrix, FSM, Zico, Oscar, Tráfico..., todas as edições especiais que o Jornal já publicou estão acessíveis para o internauta - com direito a infográficos, fotos, reportagens detalhadas e um design bem bolado para cada tema. A Folha, apesar de ser cheia de gráficos e quadros no jornal impresso, quase não oferece essa ferramenta na versão on-line.

O site do Jornal do Brasil, talvez por ser o primeiro dentre os grandes jornais brasileiros a ser disponibilizado na web, é um dos mais bem feitos, superando muitos defeitos da Folha, OGlobo e Estadão. Resta saber se é por isso ou apesar disso que o jornal está falindo. Mas essa é uma grande questão no debate das notícias na Internet e ainda vai dar uma boa discussão neste blog...
Sexta-feira, Julho 18, 2003
ENTREVISTA» ANA LÚCIA ARAÚJO
Jornalista, trabalha há quatro anos com jornalismo online e interatividade, ,já trabalhou na Folha Online e hoje atua no UOL além de ser coordenadora da Pedal (Asociación de Periodistas Digitales de América Latina). Nesta entrevista, conversamos sobre banalização da notícia, apuração online, conhecimento técnico exigido dos jornalistas de web, entre outros assuntos.
Notcia na Internet» Como muda o processo de apuração da notícia nos veículos online?
Ana lúcia Araújo» A apuração é a mesma. Encontrar a fonte, fazer a repercussão e o outro lado de uma história é o mesmo processo em todos os veículos. A diferença do jornalismo em tempo real é que vc não espera o horário de fechamento do jornal para escrever e ver seu texto publicado. Com as entrevistas pertinentes em mãos, redige e publica. Há profissionais que publicam reportagens com apenas uma versão da história e um lembrete no final do texto com a informação que ainda está procurando o outro lado. Quando encontra o outro lado, redige outro texto mais completo e faz as inclusões necessárias. Isso não é questão de estilo, mas sim de ética da empresa. Sabemos que há casos e casos. Alguns permitem, por questões éticas e jurídicas, esse tipo de atitude. Outros, não! Nunca! Um bom exemplo é o que ocorreu com a matéria da Contigo, envolvendo o Silvio Santos. Publicaram o texto sem procurar família, médicos e qualquer outra pessoa que pudesse dizer se aquilas loucuras dele eram verdade...
N.I.» Com o auxílio da tecnologia, o leitor pode se informar em tempo real e ficar a par dos últimos acontecimentos em alta velocidade se atualizando a todo momento. Como o jornalismo online atua no sentido de suprir essa grande demanda de notícias? Corre-se o risco de banalizar a informação e torná-la cada vez mais descartável?
A.L.A.» Corre-se esse risco, sim. Mas o que mais me impressiona é como pequenas histórias, que no jornal estão reduzidas a pequenos blocos de texto nos rodapés, ganham audiência nos sites. Como quase todos os sites têm aquelas listas enormes de notícias, não há uma edição do que é mais ou menos importante (diferentemente da diagramação do jornal). Então, o leitor vai clicando ao sabor do título. Pode encontrar um texto de 10 linhas ou de 100!
Acho que quem banaliza a notícia é jornalista e não leitor. E a notícia por ela mesmo nem sempre é compreensível para o leitor. O jornalismo não é só reprodução de fatos, tem de ter a sacada, a repercussão com especialistas da área. Esse sabor é difícil de fazer no acompanhamento em tempo real, mas não é impossível.
Quando se fala em jornalismo online, sinto que se está comparando jornalismo online com jornalismo em tempo real. Apesar de no Brasil serem quase sinônimos, isso não é verdade. As agências de notícias, o rádio e a TV também fazem jornalismo em tempo real. A internet achou essa brecha para não concorrer tão diretamente com os jornais diários e as revistas. Mas jornalismo online é um conceito mais amplo, que pode ou não ser em tempo real. Jornalismo online usa recursos da internet, coisa que nenhum outro veículo pode fazer.
N.I.» Os leitores que se informam pelos veículos online são mais exigentes que os de mídia tradicional?
A.L.A.» Não! Leitor acha pêlo em ovo e tem sempre razão!
N.I.» Qual o nível de conhecimento técnico sobre os recursos de informática é exigido dos novos profissionais de web? Eles têm a obrigação de dominarem novas tecnologias?
A.L.A.» Ter, eles não têm, mas quanto mais souber, melhor. Tenho quase certeza absoluta que muito jornalista de TV sabe operar aquelas mesas de som, eventualmente as câmeras, arrumar o microfone, identicar a melhor luz, o melhor ângulo. E isso não parece bacana de se aprender? Então, qual problema em saber um html, em incluir um link no meio do texto... Eu adoro essa independência, adoro inventar coisas com recursos da internet. Agora, há uma diferença básica entre saber e entender. Saber fazer um link não tem nada a ver com entender a utilidade dele, saber colocar no lugar certo, de forma intuitiva para o internauta, obedecendo regras de usabilidade. Essa segunda parte, a do entender pra que serve, isso todos deveriam saber.
Quarta-feira, Julho 16, 2003
JORNAIS ELETRÔNICOS - Mais Crise?
Edições online ameaçam as impressas
As edições online dos jornais estão começando a afetar negativamente a venda de exemplares impressos. É a constatação a que chega a última pesquisa da Belden Associates, um instituto de pesquisa sediado em Dallas, nos EUA.
No segundo trimestre de 2002, a Belden concluiu, através de uma pesquisa online, que houve o mesmo número de visitantes de sítios de jornais encerrando ou iniciando assinaturas impressas. A última pesquisa, no entanto, exibiu dados desanimadores: apenas 8% de usuários online compraram mais exemplares, enquanto 12% compraram menos. Vinte por cento afirmaram ler a edição impressa com menor freqüência, e 6% disseram ler mais a versão impressa, de acordo com reportagem de Carl Sullivan [Editor & Publisher, 30/6/03].
"Não estamos tão assustados, mas achamos que a indústria deve ficar de olho nisso", disse Greg Harmon, diretor interativo da Belden.
Há um lado alentador. Cerca de 25% de assinantes da versão online disseram que pretendem ou gostariam de fazer uma assinatura no futuro. Harmon afirmou que os publishers deveriam se dedicar mais ao marketing das edições impressas em seus sítios.
A pesquisa se baseou em jornais locais, como Las Vegas Review-Journal, Denver Rocky Mountain News, The Denver Post, Dayton Daily News (Ohio) e Longview News-Journal (Texas).
Texto retirado do site Observatorio da Imprensa
Segunda-feira, Julho 14, 2003
O JORNALISMO NA ERA DIGITAL
Texto de Gerson Martins
Uma nova classe de jornalismo se abre neste final de milênio. É com ela que o futuro profissional deve estar sintonizado e, conseqüentemente, preparado. Segundo o Prof. André Manta da Universidade Federal da Bahia, ¿o desenvolvimento ultra-rápido das tecnologias de comunicação, a expansão das redes de informação e a criação de interfaces amigáveis, que utilizam recursos de multimídia e hipertexto, estão acelerando o processo de digitalização das mídias tradicionais. Hoje, os mais importantes jornais e revistas do mercado editorial mundial estão na Internet¿.
De qualquer forma o jornal eletrônico se constitui num imenso banco de dados, capaz de armazenar um número ilimitado de informações. Na edição digital, as matérias podem vir complementadas com textos adicionais, gráficos, fotografias que não podem ser inseridas nas edições em papel. O jornal eletrônico permite ainda a apresentação de som e imagens em movimento. Outra grande vantagem do jornal eletrônico, conforme salienta o professor baiano, é a manutenção de arquivo de edições passadas. Pode-se consultar qualquer informação em qualquer tempo.
Jornais buscam equilíbrio entre meios de comunicação
Num primeiro momento, a erupção brutal da Internet encheu de terror os jornais do mundo inteiro. O jornal escrito não estaria agora sendo descartado e jogado fora pela rede mundial? Hoje, os jornais retomam seu sangue-frio e procuram antes um modus vivendi entre os dois meios de comunicação de massa: o de ontem e o de amanhã.
O desenvolvimento da Internet é fulminante: existem 3.500 jornais eletrônicos. No princípio, esses jornais eram exclusivos dos Estados Unidos. Mas está havendo uma evolução: há um ano, de todos os jornais eletrônicos, apenas 29% funcionavam fora dos Estados Unidos; hoje, essa proporção é de 43%. Outro número impressionante: em 1997, há 46 milhões de usuários da Internet. Em fins de 1998, haverá 80 milhões e, no ano 2000, 157 milhões. Quais são as áreas em que a rede faz os maiores progressos?
Em primeiro lugar, a das informações locais: isso explica por que os jornais regionais estão criando muitos sites. Mas as notícias nacionais ou internacionais não estão mais ausentes. Num caso, pelo menos, observa-se que um grande jornal optou por colocar um informativo seu na rede, antes mesmo de imprimi-lo: foi o jornal Dallas Morning News, que lançou na Internet a notícia do atentado de Oklahoma antes de divulgá-la no noticiário impresso. Essa iniciativa foi recebida com desagrado pelos jornais escritos dos Estados Unidos, preocupados com a idéia de que a informação geral pudesse passar para o lado da Internet.
Enfim, o lucro da Internet: as receitas publicitárias. Os Estados Unidos lideram neste ponto: em 1996, as receitas publicitárias atingiram US$ 300 milhões. A Europa vem bem depois. A própria Alemanha recebe apenas US$ 3 milhões.
Os jornais tradicionais deram a impressão de que já superou seu "grande temor" diante da rede. Todos eles acompanham o processo de informação on-line, mas pararam de aumentar seus investimentos no setor: em 1996, segundo a diretora de Editors and Publisher, Marsha Stoltman, "os investimentos dos jornais diminuíram, o número de pessoas que trabalham na edição eletrônica permaneceu estável; de modo geral, os gastos para o desenvolvimento on-line diminuíram", afirmou.
Maturidade - Sinal de maturidade: os editores dos jornais on-line começam a preocupar-se com o conteúdo e a apresentação dos produtos na Internet. Um dos mais ilustres designers de jornais, Mário Garcia, que trabalha nos Estados Unidos, deu em Amsterdã lições de profissionalismo e discrição ao mesmo tempo.
Ele ridicularizou os sites repletos de imagens, parecidos com árvores de Natal de todas as cores. "O pano de fundo deve ser branco; nada de fundos em forma de tapeçaria", disse ele. A tela deve ser clara, dividida em três partes no máximo e, se for permitido usar cores, elas jamais deverão insinuar-se no próprio texto, que deve continuar rigorosamente em "preto e branco".
Quanto ao conteúdo, segundo o mesmo Mario Garcia, longe de tender a uma informação rudimentar, "básica", a Internet "deverá, ao contrário, fazer esforços de aprofundamento". "Na Internet, a escrita volta a readquirir sua força; a leitura volta a ser o essencial", disse. "Vamos escrever textos cada vez mais longos: precisamos tornar a escrever como jornalistas¿.
São estudos e prognósticos que irão diretamente ao coração daquelas pessoas - sejam leitores ou jornalistas - que acalentam a esperança de que os novos apoios da mídia não prejudicarão mais o saber, a profundidade ou a elegância dos textos que neles serão colocados.
Diário dos EUA deve perder anúncio para Internet
A onda de anúncio na Internet é uma verdadeira avalanche. Há um crescimento desproporcional à evolução da própria rede. As empresas de uma forma geral descobriram que as páginas da Internet colocam suas empresas por muito tempo a disposição do consumidor e ainda, com a possibilidade de atualização diária.
Os anúncios de carros, por exemplo, que contavam com cerca de 27% dos US$ 15 bilhões gastos em classificados no ano passado, estão crescendo na Internet. Sites como o Auto-By-Tel prometem roubar anúncios dos jornais ao oferecer informação de aproximadamente 2 mil negociantes de todo o país, com preços de carros novos e usados. O site até mesmo oferece seguro para os veículos.
Segundo o chefe de operações desta empresa, Mark Lorimer, "os jornais são muito bons para certas coisas, mas o que eles não conseguem fazer é oferecer dados mais complexos rapidamente, como preço, ano e modelo dos carros¿.
Em outro tipo de anúncio, disse Lorimer, os jornais não podem mesmo competir. "Não há comparação", afirmou. "Como pode uma seção de classificados de um jornal com 20 ou 30 anúncios competir com 10 mil?¿ Para David Stout, supervisor de manufatura de 37 anos, a agilidade da Internet é inigualável. Preocupados, executivos de jornais estão criando sites na Internet. Mais de 40% dos 1.500 diários norte-americanos têm um site na rede e a previsão é de que aumentem 60% até o fim do ano, disse James Conaghan, diretor de análise de mercado e negócios da Associação de Jornais da América.
No Brasil, um dos principais nomes do jornalismo e responsável pela edição do primeiro jornal digital do país, o site denominado OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA (http://www.uol.com.br/observatorio/), Alberto Dines, a respeito dessa forma de fazer jornal, concedeu a seguinte entrevista:
Gerson Martins: O que é jornalismo digital?
Alberto Dines: Jornalismo digital é, antes de tudo, jornalismo. O modo de transmissão não afeta seus compromissos básicos. As diferentes tecnologias, desde a invenção do telégrafo, na primeira metade do século passado, não mudaram a essência da atividade.
GM: Qual o futuro desse jornalismo?
A.D: Vejo-o como ferramenta para públicos selecionados e diversificados. Não o vejo competindo com os veículos de comunicação de massa. O nosso Observatório da Imprensa on-line é um exemplo: inestimável ferramenta para o profissional e estudioso com um público que aumenta a cada edição através da boca-a-boca. Mas a nossa edição impressa, mensal e resumida, está sendo disputada nas redações. Temos pedidos para 3.500 exemplares e só imprimimos 2.500 já que é uma doação, sob a forma de serviço, da XEROX.
GM: Os jornais impressos e eletrônicos (TV e rádio) serão prejudicados com esse tipo de jornalismo?
A.D: O jornalista inteligente e criativo, de rádio, TV, jornal ou revista, pode tirar grande proveito do serviço on-line, sejam base de dados como das versões on-line de veículos tradicionais. Nosso observatório porque tem acesso às versões on-line de diversos grandes jornais internacionais têm conseguido ¿furar¿ a grande imprensa (claro, sempre em questões de mídia). Conclusão: só tem medo de tecnologias quem não tem talento.
Domingo, Julho 13, 2003
HIPERTEXTO e INTERNET
Por Ana Elisa Ribeiro
Professora das Oficinas de Texto A e B do curso de Comunicação Social da UFMG
No ensino médio nós aprendemos física e sabemos que lâmpadas podem trabalhar em série ou em paralelo. Sabemos que, por exemplo, se alguém retirar a lâmpada do meio da série, ela pode bloquear o funcionamento das lâmpadas que estão depois dela. Já quando trabalham em paralelo, as lâmpadas estão associadas numa espécie de rede e umas não comprometem as outras.
Agora pense naquela metáfora dos desenhos animados em que lâmpadas representam idéias. Como será que a mente humana funciona? Em série ou em paralelo? De que tipo de sistema precisamos para funcionar? Som, cheiro, cor, luz, contraste, linguagem verbal, percepção, propriocepção, etc. são ativados em série ou em rede?
Embora vez ou outra tenhamos a impressão de que certas pessoas funcionam em série (aqueles que não vêem enquanto comem, não andam enquanto falam, não beijam enquanto abraçam, etc.), a mente humana normal funciona em rede, fazendo milhares de associações ao mesmo tempo, de maneira muito ágil.
E foi pensando assim que o matemático Vannevar Bush decidiu montar um banco de dados, na década de 1940, diferente dos bancos que existiam. No dele, os sistemas processariam informações em rede, e não em série. Bush não achava que nossa cabeça funcionasse em série e foi assim que surgiu o conceito de hipertexto.
Alguns anos mais tarde, o conceito ganhou um nome: hipertexto. O pai do termo foi Theodore Nelson, que também estudava sistemas informáticos. Por isso é que a moda de usar a palavra hipertexto pegou primeiro no cenário da computação e depois foi contaminando outros cenários, até chegar às ciências cognitivas, à filosofia e à população que lida com a máquina.
Para quem quer saber mais sobre hipertexto, é imprescindível ler o filósofo francês Pierre Lévy (As tecnologias da inteligência, O que é o virtual?, Cibercultura, entre outros), o historiador Roger Chartier (A aventura do livro, Práticas da leitura, A ordem dos livros, entre outros), além de conhecer trabalhos feitos pela Faculdade de Comunicação da UFBA e da UFSC.
Para Lévy, o hipertexto é um texto que tem nós lincados uns nos outros e você vai navegando nele em profundidade. Chartier não faz esse tipo de distinção, mas também apresenta uma história do hipertexto muito anterior aos bancos de dados informáticos dos anos 40.
O hipertexto, segundo historiadores e filósofos, não é novidade. Sumários, notas de rodapé, paginação e índices remissivos são formas primitivas de hipertexto, ou seja, levam o leitor a navegar pelo texto em busca de algo de que precise ou que deseje. Assim, as diferenças entre esses hipertextos e os atuais seriam a velocidade e a natureza dos recursos.
Na internet, os jornais tiveram que fazer certas adaptações em seus formatos para ficarem adequados à leitura na tela, ao comportamento do leitor. A interface eletrônica tem características sutilmente diferentes da interface impressa. E isso tem razão de ser. Na tela, o leitor fica incomodado com a luz, por isso os textos devem ser mais curtos ou lincados em profundidade, devem estar escritos em fonte fácil de ler, em fundo que ofereça contraste confortável e não devem competir com bâneres cinéticos e piscantes. A não ser que a idéia seja mesmo desconcentrar o leitor do texto.
Se o hipertexto é um dos assuntos que interessam você, dê uma conferida dos livros de Lévy e Chartier (leiam-se Lêvi e Chartiê) e procure mais referências nas bibliotecas mais próximas. Pra fazer jornalismo na Internet é preciso aprender uma nova maneira de criar interfaces de leitura.
Sábado, Julho 12, 2003
Sérgio Vaz é editor chefe do portal do Estadão. Nesta entrevista, publicada pelo site da Faculdade de Comunicação da UFBA, ele explica detalhes sobre o site do Estadão, faz comparações do jornal impresso com o digital e com outros jornais que também são disponibilizados na Internet e discorre sobre a interatividade entre os jornalistas e os leitores. Para ele, essa seria a maior vantagem da notícia na Internet (e para vocês? Não deixem de comentar). Mas o mais interessante é podermos compreender um pouco mais sobre como funciona um portal e como trabalham os jornalistas da WEB. A entrevista foi realizada no ano passado, mas ainda é bem atual.
" Panopticon - O estadao.com.br difere de outros sites jornalísticos brasileiros no que se refere ao uso do espaço. Como vocês da redação do 'Últimas Notícias' utilizam os recursos da WEB para prender o leitor, considerando-se a dicotomia: atenção limitada do leitor X espaço ilimitado do meio?
Sérgio Vaz - Como vocês mesmo notaram, já que está dito na pergunta, o estadao.com.br difere dos demais no uso do espaço, especialmente do espaço na primeira página, a home main. Ao contrário do que acontece em todos os demais portais de notícia, nossa primeira página não tem formato prefixado, com templates fixas, em que apenas mudam os títulos. Nossa primeira é inteiramente aberta, sem camisa-de-força. Assim, podemos tratar cada notícia com o peso que ela merece; podemos usar corpos maiores para notícias de maior impacto; podemos abrir mais as fotos excepcionais e assim por diante. De resto, enfrentamos, como todos os sites, o problema de peso das páginas: uma página pesada demora mais para abrir, e isso afasta os leitores. Desta maneira, o espaço do meio não é tão ilimitado assim.
Panopticon - Quanto à transposição da versão impressa para o site, existe algum tipo de avaliação ou adequação para edição online? Quando isso é feito e a partir de que horas é disponibilizado esse material?
Sérgio Vaz - A transposição tanto de O Estado de S. Paulo quanto do Jornal da Tarde para o portal estadao.com.br é feita logo após o fechamento dos jornais, entre as 22 horas e cerca de 1 hora da manhã. O material dos dois jornais está inteiramente disponível a partir daí: 1 hora da manhã. Lembro que apenas os jornais do Grupo Estado ficam inteiramente disponíveis na Internet, gratuitamente. Os demais são disponibilizam todo o seu conteúdo na rede. Esta foi uma decisão editorial do Grupo Estado.
Panopticon - Existe tolerância para o tamanho das notícias na WEB?
Sérgio Vaz - Para as notícias, o espaço na Internet é, como vocês mesmos diziam, ilimitado. Por isso não há limitação de tamanho, no estadao.com.br. Há quem ache que notícias compridas não são lidas. Há quem ache tudo? Como diria o Millôr, livre achar é só achar. Eu, pessoalmente, acho que a importância da notícia define o tamanho que ela deve ter; se o leitor quiser ler só o lide, tudo bem, a opção é dele. Mas se a notícia merece ter 100 linhas, terá 100 linhas. Naturalmente, se temos uma informação importantíssima e urgente, entramos com o flash curto. Mas em seguida entramos com a informação mais consolidada. Aliás, esta é outra característica que nos diferencia de outros portais e sites de notícia. Ao contrário de muitos deles, nãopicamos notícia para parecer que temos um volume grande de informação. Nosso volume de notícias já é grande mesmo; não precisamos usar qualquer artifício para demonstrar isso.
Panopticon - No jornal impresso, as páginas delimitam a produção e matérias, o que não ocorre na versão online, que tem espaço ilimitado.Vocês aproveitam (para o site) as matéria que não foram veiculadas no impresso por falta de espaço?
Sérgio Vaz - Sim, aproveitamos. A produção da Agência Estado e das redações dos dois jornais sem dúvida é muito maior do que os jornais em papel comportam; oportal utiliza diariamente matérias que não foram veiculadas na versão impressa.
Panopticon - Você acha que o modelo da Pirâmide Invertida é adequado à estrutura do texto jornalístico na WEB?
Sérgio Vaz - Acho que sim. Até porque, assim como acontece no meio impresso, alguns leitores podem por falta de tempo, por opção, por preguiça, seja lá por que motivo for querer ler apenas os primeiros parágrafos de uma notícia ou de outra. Se os fatos mais fundamentais, mais básicos da notícia estiverem concentrados nos primeiros parágrafos, melhor.
Panopticon - Como fica a questão do valor notícia quando o que se busca é a informação em primeira mão e a alimentação contínua do sistema de último minuto com dados novos?
Sérgio Vaz - Não creio que o que se deve buscar seja apenas a informação em primeira mão. A informação em primeira mão, rápida, imediata, é importante, é claro, mas não é tudo. Há todo um mundo de informações que se segue a uma notícia importante: os desenvolvimentos, os detalhes, as repercussões, as análises. Tudo isso é necessário, me parece, num portal de informações e é o que buscamos forecer aos leitores.
Panopticon - A ausência de um texto linear pode confundir o leitor? Há um padrão para o uso de links ou hipertextos no portal Estadão?
Sérgio Vaz - Na verdade, acho até que o estadao.com.br usa menos links do que seria ideal. Não usamos mais por falta de tempo e de mais pessoas na redaçãopara editar o material. Mas nos esforçamos sempre para dar links para matérias relacionadas, no final de cada notícia.
Panopticon - O hipertexto garante ao leitor o poder de controlar o que ver. Você acha que isto pode mudar a rotina de produção e escolha das notícias publicadas na Internet?
Sérgio Vaz - Francamente, não sei. Acho que um portal de notícias deve dar aosleitores o mais amplo leque de assuntos que for possível, para que cada leitor possa aproveitar a parte desse leque que interessa a ele.
Panopticon - No caso do Estado de S.Paulo, a edição do jornal impresso edo online se voltam complementares à utilização de indicadores como 'leia mais na versão impressa' ou 'veja mais na online'?
Sérgio Vaz - Ainda não vínhamos fazendo isso de maneira regular e constante. Estamos, neste momento mesmo, discutindo formas e critérios de sermos maiscomplementares, o portal e o jornal impresso, com o portal dando mais detalhes (em boxes, quadros, retrancas complementares, íntegras) do que está publicado no jornal impresso.
Panopticon - Eu consegui entrevistar você somente devido à questão do recurso da interatividade, bastante aplicado no portal Estadão. Como esse recurso está influenciando o formato da notícia na Internet e a relação jornalista/leitor?
Sérgio Vaz - Olhe, não sei quanto ao formato da notícia. Mas posso dizer, com todacerteza, que trabalhar com notícias na Internet dá um enorme prazer, graças à dimensão e ao imediatismo da resposta dos leitores. É uma coisa absolutamente fascinante a resposta dos leitores em volume e em rapidez. Outro dia botamos na home page uma enquete sobre a Seleção brasileira de futebol. Em cinco minutos, já tínhamos umas 20 respostas; em cinco horas, foram cerca de 2 mil. No mesmo dia entramos com outra enquete, sobre política: perguntamos ao leitor quem ele achava que tinha saído perdendo com o episódio da saída do pefelê do governo, no dia emque o pefelê anunciou a saída. Eu achei que fosse ter muito menos retorno do que a enquete de futebol. Pois o retorno foi ainda maior e sábio. A imensa maioria identificou claramente que a Roseana e o pefelê perderam. Na enquete sobre a Seleção, tivemos retorno de 2.176 leitores. Na do pefelê, foram 3.534. Um erro de português que a gente comete (e a gente comete muitos, infelizmente, na pressa; ainda bem que na Internet, ao contrário de no jornal impresso, dá pra consertar rapidinho...), e literalmente chovem e-mails de leitores. Os leitores protestam contra tudo o que eles julgam errado no material. É uma coisa maravilhosa. Costumo brincar com os amigos: isto aqui é um canhão. É um poder incrível."
( por Vanuza Ramos e Raquel Iglesias)
OBS.: Leiam entrevista feita pelo Rodrigo com Luciano Martins, publicada num dos primeiros posts deste blog! A revista digital Novae deu espaço para nosso projeto em sua seção de entrevistas. Para conferir, clique aqui.
Sexta-feira, Julho 11, 2003
O VERDADEIRO PAPEL DO REDETOE DE WEB
Mario Lima Cavalcanti
A principal discussão na semana passada na lista Jornalistas da Web, que aborda questões do universo do jornalismo online, foi sobre qual é o real papel do redator de Web. Em agotso de 2002 já havia falado sobre o assunto, mas como o tema, que faz parte do cotidiano de muita gente da área, continua sendo uma polêmica, vale refletirmos novamente.
Mesmo após um ano, ainda vemos opiniões similares. Grande parte de quem deu pitaco na lista sobre o tema concorda com o fato de que o redator de Web deve estar familiarizado com os programas e tecnologias mais utilizados no dia-a-dia, como, por exemplo, o HTML ou as ferramentas de edição de imagens. É óbvio que o jornalista que trabalha no meio online não tem que de dominar por obrigatoriedade tais recursos, mas - até mesmo falando por experiência própria - estar ciente do que cada ferramenta faz e saber usá-las nos deixa com mais controle da situação.
Há quem defenda o "tradicional" papel do redator de somente, apurar, escrever e seguir pautas, sem ter a obrigação de dominar tecnologias. Mas cá entre nós, o Microsoft Word é uma ferramenta de edição de textos, e não imagino um jornalista em atividade nos dias de hoje que não saiba utilizar tal recurso. Outros jornalistas, como o brasiliense Alexandre Sena, possuem argumentos similares e bem interessantes: "Saber a codificação HTML, hoje, creio ser fundamental para quem trabalha com Internet. Não apenas a codificação manual, mas também o domínio de ferramentas de autoração em HTML (como o Dreamweaver). As empresas valorizam também quem trabalha com ferramentas gráficas (Flash, Photoshop, e outros) e linguagens de programação para sites dinâmicos (ASP, PHP, Coldfusion) e outros. Claro que você não precisa ser um super-homem e saber tudo quanto é linguagem ou ferramenta, mas quanto mais domínio você tiver, mais valorizado fica no mercado.", diz.
Se você está por dentro de como as ferramentas funcionam e/ou sabe utilizá-las, isso pode ser - e não estou querendo dizer que vai ser - uma carta na manga no que diz respeito a mercado de trabalho. E, ao se conhecer as tecnologias, você também pode interagir com os outros setores de uma empresa, como os de design e desenvolvimento. Alexandre Carvalho, editor de conteúdo do TI Master, portal sobre Tecnologia da Informação, ao contrário do que muitos pensam, ter conhecimento técnico de ferramentas não significa acúmulo de funções para o jornalista: "não existe uma regra que obrigue um redator/webwriter a ter o 'bom conhecimento técnico de ferramentas e linguagens da Web', mas posso te dizer com toda a segurança que isso ajuda um bocado, dependendo do trabalho que você for fazer. Não vejo como acúmulo de funções. Ainda que sua função seja apenas a de escrever, todo conhecimento é válido, mesmo que você nem vá utilizá-lo num futuro próximo. Tendo esse conhecimento, você pode, por exemplo, discutir idéias com o webmaster que trabalha contigo, mas falando a mesma língua, entende? Isso faz uma diferença enorme no final. Uma coisa é certa: na disputa por uma proposta de trabalho, ganha quem tem essa bagagem extra.", diz Carvalho.
Concordando com os colegas, em resumo, também vejo que, como jornalistas, é nosso papel "correr atrás" da utilização desses recursos, pois, no meio digital principalmente, eles sempre vão caminhar ao nosso lado.
Texto retirado do site www.comuniquese.com.br, 08/07/2003
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