Julho 2003
Junho 2003
Maio 2003

Qual é o principal canal de mídia pelo qual você se mantém informado?
Televisão
Jornal Impresso
Rádio
Internet
Conversa de bar


Fale conosco:
Pedro
Cristina
Rodolfo
Guilherme
Frederico
Tatiane
Rodrigo
Grupo

Powered by 

Blogger Nedstat Basic - Free web site statistics

Domingo, Agosto 10, 2003

Fechando a edição...



Dois meses e meio. Trabalho em equipe - Cris, Fred, Guilherme, Pedro, Rodolfo, Rodrigo e Tati. Esforço e muita pesquisa. Sete alunos de Comunicação Social da UFMG, completamente verdes, aprendendo como correr atrás de textos legais para encher um blog de atualização diária. Pauta vastíssima, recursos ilimitados, canal infinito. Independência e pouca orientação. Cuidado para que assuntos não ficassem repetitivos, para trazer sempre coisas novas e discussões interessantes. Artigos, entrevistas, matérias, fotos, textos próprios e dos outros. Trinta e três jornais e revistas linkados na coluna da direita. Outros blogs, sobre outros temas. Visual moderno; uma página de jornal pregada à tela de um computador. Notícia não-impressa, notícia virtual, notícia arquivada, salva, em disquete, em blog, site, e-zine, newsletter, CD.

É difícil resumir aqui tudo o que escrevemos, publicamos e aprendemos no projeto Notícia na Internet, mas algumas coisas merecem destaques. Para começar, nosso primeiríssimo post, logo depois da introdução. Fred e Guilherme, dois dos alunos envolvidos no projeto, visitam a redação do UAI, site do jornal Estado de Minas, e conversam com todos os jornalistas responsáveis pelo portal. O Notícia na Internet narra, logo de cara, o mundo dos sites por dentro. O resultado é uma matéria eficiente, cheia de fotos.

A primeira enquete Você acredita que o jornal impresso será substituído pelo jornal online? recebe 97 votos e dá empate. Mas abre o caminho para uma longa discussão, que seria levantada em vários posts adiante.

Rodrigo, o entrevistador "oficial" do grupo, publicou as entrevistas com Carolina Nascimento e Silva, da Revista Época, Luciano Martins Costa (entrevista que foi publicada no site Novae e no Observatório da Imprensa), Ana Lúcia Araújo, jornalista do UOL, e Marcelo Russio, cronista esportivo do Comunique-se, todas realizadas por ele.

Discutimos sobre os blogs e a importância que eles estão assumindo neste novo estágio da comunicação globalizada (teriam força suficiente para concorrer com a imprensa tradicional?). Discutimos o alcance dos hipertextos e a flexibilização que eles propiciam - e a Tati conseguiu um texto especial sobre o assunto, escrito pela professora Ana Elisa Ribeiro, da Oficina de Textos. Comparamos os sites da Folha de S.Paulo e do Jornal do Brasil - publiquei textos analisando o conteúdo e layout de cada um, comparando com a versão impressa e com outros sites. O Fred também fez sua análise, mas do New York Times - que acabaria rendendo bons comentários do designer, publicitário e jornalista Alexandre Giesbrecht. Também analisamos tendências do jornalismo, fazendo um paralelo com a modernidade da Internet e procurando ver perspectivas futuras - em textos do Rodolfo e Guilherme. Em outro momento, procuramos ver até que ponto a Internet contribui para a falência dos jornais impressos, postando textos que vão contra e a favor desse ponto de vista.

A segunda enquete, Qual é o principal canal de mídia pelo qual você se mantém informado?, com caráter mais estatístico, deu 104 votos - e o triunfo da Internet inclusive sobre a televisão (!). Isso fez com que continuássemos em nossa discussão sobre as vantagens e desvantagens dos sites noticiosos e em nossa busca pela explicação para o grande número de pessoas que estão optando por esse canal de comunicação. Foi aí que entrou nossa análise sobre as e-zines, que explicou o trabalho da Novae, revista digital que vem ganhando reconhecimento no país inteiro. Fechamos com uma entrevista com o editor da Novae e um texto sobre a newsletter - mais uma ferramenta nesse mundo cheio de possibilidades que é o da Internet.

Depois de um bimestre e tantas atualizações, o saldo do nosso trabalho é positivo. Tivemos, sim, toda sorte de problemas e falhamos em alguns momentos. Um deles foi, por exemplo, na hora de trazer novos leitores para cá, fazer com que nossos colegas se interessassem pelos assuntos e quisessem participar das discussões ou mesmo conseguir arrancar comentários dos nossos professores. Mas o Pedro, publicitário "oficial" do grupo, fez diversas campanhas divulgando o blog; cada uma mais criativa que a outra. O resultado é que conseguimos tantos votos nas enquetes e cerca de 88 comentários. Além de termos sido citados em alguns sites sobre o assunto, e de o Notícia na Internet ter sido colocado na seleção especial da Novae e elogiado por alguns leitores. No fim das contas, o esforço valeu a pena. E a nossa experiência está aqui mesmo, na Internet, para quem quiser conferir.

Equipe do Notícia na Internet


Postado por Cris, às 4:25 PM
Comentários:

É, gente, o Manoel Fernandes Neto nos deixou na mão... Logo que começamos o blog, enviei a ele as perguntas da entrevista, separadas em blocos para facilitar na edição e para que ele escrevesse de um jeito mais solto. Tinha tudo pra ficar legal. Mas como ele é um sujeito muito ocupado (responsável pela MFN Comunicações, Pela e-zine Novae e por vários outros projetos), disse que poderia responder quando tivesse um tempo, desde que não passasse o prazo do nosso blog. Foram cerca de quatro meses, não é isso? Mas o prazo estourou - e nada. Para manter a promessa, publico agora uma entrevista que o editor da Novae concedeu ao Panopticon, site da Faculdade de Comunicação da UFBA. Ficou muito interessante. O mais legal da entrevista é a idéia que ele sempre passa de que a Internet é algo revolucionário. Para jovens jornalistas como nós, não deixa de ser uma idéia bastante empolgante...



Qual a importância da internet para o desenvolvimento do jornalismo alternativo no Brasil?
MF -
A internet é a última fronteira do chamado jornalismo alternativo, que teve no movimento das rádios livres seu mais saudável suspiro, mas que foi sufocado pelo poder econômico das rádios comerciais e pela dificuldade e custos de publicações inerentes à mídia impressa. É claro que não adianta nada o meio se você não tiver as pessoas comprometidas para realizar. E a internet tem contra si campanhas sórdidas de outros meios, visando veicula-la a lucros e interesses econômicos que nada trazem de novo. "Gente boa da comunicação", que hoje possa de "pioneiro" e fala bonito em simpósio, sempre alimentou essa campanha contra o germe da revolução contida na web. Veja o movimento blog, surgido há tantos anos, 97, 98, e só agora depois da compra da Globo.com é que é citado como "bacana" por esses "pensadores". Depois, é muito difícil um jornalista abandonar o corporativismo e se dedicar integralmente à construção de uma nova mídia, livre e democrática. Por isso gosto de falar da revista Novae e a coragem de diversas pessoas que abraçaram essa causa.

Como a revista Novae está inserida neste contexto?
MF -
A revista Novae coroa um projeto profissional que teve início na Universidade, que era o desenvolvimento de meios de comunicação independentes que colocassem na pauta de discussão o debate do monopólio da comunicação. Em 1985, fiz parte de um grupo "rebelde" que lançou a primeira rádio livre na Baixada Santista onde sua programação era voltada para os movimentos sociais e sindicais, além de cultura alternativa. A rádio alternativa da baixada durou dois anos e seu fim coincidiu com a minha formação como jornalista.
Sempre quando reflito sobre o surgimento da revista tenho diversas percepções. Uma de destaque é que a Novae já ocupava o lugar na cabeça de diversas pessoas. Inconscientemente procuramos e queremos ver nossa produção intelectual em uma revista com as características cult da Novae. Com essa revista, procuramos tirar o melhor aproveitamento editorial dessa produção autoral de várias gerações. Uma obra é como um filho. Eu sei como funciona. Caso sua criação seja bem cuidada você admira ainda mais o meio. Ocorreu mais ou menos isso. A Novae não poderia despertar essa atração se seus próprios articulistas não acreditassem e admirassem a proposta. As coisas não estão dissociadas. Todos gostam de como a revista é concebida, do resultado final, das edições semanais e extraordinárias. A partir disso as vozes vão se unindo, aproveitando a força de aglutinação da web e os próprios ensinamentos de seu dia-a-dia. Seu próprio DNA. O que vemos é uma comunhão de pautas e estilos que surgem espontaneamente.
O que vemos, então, é um grupo de pessoas querendo se expressar, independente de terem sentado ou não em um banco de uma faculdade de jornalismo. A página de parceiros da revista diz tudo.

Quais as estratégias desenvolvidas por vocês para o melhor aproveitamento das potencialidades que o meio digital oferece como, por exemplo, a interatividade, a personalização, a multimidialidade, a memória (arquivo) e a hipertextualidade (uso dos links nos textos)?
MF -
A estratégia da conversa, "corpo a corpo", acima de tudo. Somos um grupo com pouquíssimos recursos financeiros, uma equipe enxuta e que vive de doações porque o mercado gosta mesmo de "blá, blá, blá" que muito diz e pouco realiza. Colocar links e interagir é uma necessidade diária. O que vale é a constância e o amor que um meio na web pode despertar no coração do leitor. Por isso, não temos a intenção de lançar o formato impresso. Nem hoje e nem nunca. Não acreditamos, filosoficamente, que o formato papel possa ter mais influência do que o formato digital. Papel é difícil de resgatar quando você mais precisa, além disso, você não consegue viver com ele junto com seu trabalho. Imagine uma revista mensal; você abre a revista todos os dias? Em todos os momentos? O digital traz embutido o sentimento de infinito que o papel não traz; em possibilidades e surpresas.
Além disso, o nosso objetivo é o fortalecimento da web como mídia de transformação e influência. Agora no tocante à viabilidade financeira é claro que isso pode seduzir mais um anunciante. Que vai ser iludido pela agência que o anúncio dele está no veículo certo, mas no fundo, jaz na mesa do dentista e da cabeleireira. E não é essa a razão da existência da revista Novae, por exemplo. A primeira delas é estar vivendo tudo isso e estar dando sua colaboração na concepção dessa verdadeira Internet como novíssima mídia e possibilidades ainda não descobertas.

Como deve ser visto o jornalismo digital para os estudantes de jornalismo que estão ingressando no mercado de trabalho?
MF -
Primeiro, não existe jornalismo digital. Existe, isto sim, a força revolucionária do meio. E o recém formado tem o mundo em suas mãos. Pode montar seu blog e interagir com diversas comunidades no planeta. Ir construindo a sua reputação, a partir do momento em que sai da faculdade, ou melhor, do momento em aprende a escrever. Visito blogs de jovens de 15 anos de idade, que contam suas dúvidas em relação ao curso que vão freqüentar. Visito também blogs e sites de professores universitários veteranos que mostram tudo o que já assimilaram da vida. Visito revistas feitas por pessoas comuns, com hábitos comuns. Reais. E é esse o grande salto da web. Todos são importantes e todos estão se expressando. E isso incomoda um pouco quem adota o jornalismo "só pra ficar famoso". Todos nós somos ¿famosos¿ nessa sociedade do conhecimento. A "babaquice corporativista" não tem mais espaço. E não adianta chorar. Este mundo está aberto a todas as possibilidades. Todas as revoluções. O estado da arte como ferramenta de construção de um mundo melhor. Ativo e participante.

Qual é a rotina de vocês? Como é feita a apuração dos dados, quais as fontes requisitadas na elaboração das notícias, como é a atualização dos conteúdo, quantos redatores e colaboradores tem na equipe do site?
MF -
É a rotina do amor perfeito. Às vezes ligamos o gerador, pois a energia foi cortada por falta de pagamento. Às vezes passamos o dia inteiro com alguns sanduíches de mortadela (quase sempre). Às vezes não dormimos ou discutimos pauta de madrugada de diversos locais do mundo. O importante é que a revista não deixa de ir para o ar. É fechada no sul, norte e no centro oeste do Brasil e até do exterior dependendo da edição. Temos uma única redação que funciona freneticamente utilizando os recursos digitais, como ICQ, e-mail e vídeo. São mais de 40 colunistas de diversos locais distantes conversando loucamente em busca de uma mídia verdadeira. Que fuja de modelos vendidos pela mídia de massa que gosta de formar anomalias. Cidadãos que pensam que são informados, mas que ficam à mercê da "propaganda sabonete" do horário eleitoral. Que pinta um futuro azul, mas que de fato é o vazio do nada que querem manter. Que garanta seu caviar e suas viagens na primeira classe. Nossa rotina é do amor perfeito, com disposição de luta infinita. E meios para isso.

(Mismana Militão)


Postado por Cris, às 2:50 PM
Comentários:

Quinta-feira, Agosto 07, 2003


Três coisas importantes:

1- Se até amanhã o Manoel não enviar as respostas da entrevista, vamos publicar uma outra entrevista pronta com ele.
2- Em breve: conclusão do Notícia na Internet.
3- E, para um texto interessante escrito pelo jornalista Luciano Martins Costa sobre a realação blog-jornalismo, clique aqui.


Postado por Cris, às 10:33 PM
Comentários:

Quarta-feira, Agosto 06, 2003


Interatividade em tempo real parece ser um dos maiores fascínios dos que se envolvem de alguma forma (na produção ou na recepção) com informação on line. Até hoje todos os jornalistas entrevistados pelo Notícia na Internet ressaltaram a queda das barreiras de tempo e espaço como causa primeira da mudança nos processos de apuração e divulgação da notícia via internet. Geralmente um maior enfoque é dado para a apuração. Mas a divulgação também sofreu profundos impactos. É fundamentado nessa velocidade de interação que se consolida um dos serviços mais utilizados pelos sites noticiosos: a Newsletter. Trata-se de uma mensagem enviada por e-mail ao usuário que requer (quase sempre gratuitamente) o serviço. Nela estão contidas as principais manchetes diárias da publicação, geralmente com links que levam o leitor ao site, para leitura completa do conteúdo.
As origens históricas podem se basear até mesmo na origem do jornalismo, com as gazetas manuscritas derivadas das cartas noticiosas, ainda no século XVI, mas a primeira estratégia na internet surgiu em 1994, nos EUA, criada pelo Newshound do The San Jose Mercury News. Fornecia-se por correio eletrônico as principais notícias e artigos do jornal, com textos na íntegra. A idéia foi logo adaptada para a redução dos textos, de modo que as mensagens despertassem o interesse do internauta para que ele visitasse a página.
Com o tempo também foi possível a seleção, pelo usuário, das suas áreas específicas de interesse. Quando assina o serviço, o internauta escolhe, por exemplo, se deseja receber em sua caixa de correio eletrônico links para notícias de Esportes, Economia, ou Artes. Nesse esquema entram todas as editorias básicas da versão impressa, e eventualmente, algumas seções exclusivas da edição online da publicação.
Dentre as newsletter analisadas pelo NI, destacamos o serviço da BBC Brasil, que emite dois e-mails por dia, com fotos e links bem estruturados, além de não possibilitar a especificação de interesses. Dessa forma as informações de todas as editorias chegam ao leitor. É claro que ele visitará no site a informação que for do seu interesse, mas pelo menos fica à par dos outros acontecimentos, sem se "ilhar".
Outros bons serviços são as newsletters do Globo Online e da publicação digital Agência Carta Maior. O que deixa a desejar é o e-mail remetido pelo site do Jornal Nacional. Sem links para cada notícia, o e-mail é um simples texto-resumão das principais notícias que irão ao ar. Detalhe: o texto é exatamente o mesmo dito por Fátima Bernardes na chamada do intervalo da novela das 19h. Assim, a newsletter do JN parece ser mais uma propaganda para o programa, do que um convite para se explorar o site- o que é lamentável, porque a página do Jornal Nacional é bastante rica em termos de multimídia. (apesar de ser apenas um conteúdo transposto)


Postado por Fred, às 1:30 PM
Comentários:

Segunda-feira, Agosto 04, 2003

JORNALISTAS DE O GLOBO SE RENDEM À ONDA DOS BLOGS

"BLOG APROXIMARÁ COLUNISTAS AINDA MAIS DOS LEITORES", copyright O GLOBO, 13/06/2003
No novo serviço, liberdade para textos sem limite de espaço

Um dos novos serviços criados exclusivamente para o redesenho do Globo On Line vai dar o que falar. Para aproximar cada vez mais o leitor de quem faz o jornal, o site lança hoje o Blog dos Colunistas, que coloca alguns dos principais jornalistas da redeção do Globo em contato direto com os internautas.

Nesse novo serviço, os colunistas terão liberdade para publicar textos sem limite de espaço. Como um diário, eles poderão compartilhar idéias, imagens, áudios e vídeos. E o leitor pode intervir enviando comentários, criticando ou sugerindo novas abordagens.

Para Tereza Cruvinel, titular da coluna Panorama Político, os blogs representam o fim de um processo que ela testemunha há quase 20 anos: "comecei no tempo em que a interação com os leitores era quase inexistente. No máximo cartas, faxes ou telefonemas. Como o e-mail, vivemos uma revolução no relacionamento colunista-leitor. Mas o blog será um canal ainda mais eficiente", comemora.


Postado por Rodrigo, às 3:15 PM
Comentários:

Sábado, Agosto 02, 2003

Na próxima semana: entrevista com o jornalista Manoel Fernandes Neto, editor da revista digital Novae.


Postado por Cris, às 2:47 PM
Comentários:

Hoje vou fazer a análise da revista digital Novae, como "prometi" na semana passada. Deixo de lado, portanto, a análise de algum site de jornal mineiro. É que acho muito importante que o Notícia na Internet comente sobre a existência desse tipo de revista e a Novae é uma das melhores no Brasil (e a minha favorita!). Semana que vem, em algum dia qualquer (confirmo aqui a anarquia do projeto dos blogs, que já critiquei no sábado passado...), também será publicada a entrevista com o editor da Novae, o jornalista Manoel Fernantes Neto. Não reparem se meu texto ficar muito puxa-saco; eu realmente adoro essa revista...!



A Novae nasceu no dia 5 de outubro de 1999, com a proposta de criar um jornalismo independente, que discutisse Política, Cultura, Economia e vários temas polêmicos e atuais de uma maneira inteligente, crítica e completamente livre. É o que diz no Editorial da revista: "Em seu ano 5 de atuação na Web, o compromisso de Novae sempre ficou cristalino aos seus leitores e colaboradores: a construção de uma publicação de qualidade editorial com credibilidade e transparência de intenções. Não nos preocupamos em vender ovos de páscoa ou livros, e a distância da redação do departamento comercial é tão grande quanto a nossa fúria em entender e mostrar um tempo de transição da humanidade, onde as relações, ideais e utopias são erguidos em rede."

Para isso, ela conta com profissionais engajados e competentes que, além de fazerem análises aprofundadas sobre os temas, também buscam apurar fatos em reportagens completas, entrevistas marcantes e com uma agilidade possibilitada pelo canal da Internet. Os colunistas são, dentre outros: Carolina Borges, Fabiano Queiroga, Gislene Bosnich, José Lucas Alves Filho, Rodrigo Gurgel e Tanira Lebedeff - jornalistas, publicitários, economistas, antropólogos, cientistas políticos, filósofos, físicos, sociólogos. Além destes, outros nomes conceituados colaboram na revista: Alberto Dines, Heródoto Barbeiro, Ciro Marcondes Filhos, Wagner Homem, etc. A equipe editorial da revista, como se vê, é da mais alta qualidade. E esse é um dos motivos por que ela tem grande credibilidade no país. É isso o que eles comentam na seção Projeto, que explica as pretensões da Novae: "Os articulistas, colaboradores e parceiros são na verdade os grandes responsáveis pelo êxito alcançado pelo www.novae.inf.br. Massa crítica inovadora, fomentada pelo melhor do copyleft autoral que constrói a Internet Brasileira."

A revista é atualizada todos os dias com novas crônicas, matérias, entrevistas, debates e novidades. Mas possui um newsletter semanal, com circulação às quintas-feiras, com cerca de 4 mil assinaturas. Uma edição extra também pode ser distribuída sempre que houver algum comunicado ou conteúdo jornalístico relevante para o momento.

A primeira página é atrativa, cheia de fotos e com um design moderno. "A Novae.inf.br procura resgatar a paixão fidelizadora do leitor bem informado, despertada por uma edição inovadora da primeira página."



Nesta semana, por exemplo, a capa traz um destaque enorme para o erro cometido por impressos como a revista Época, que acusou integrantes do MST de terem assassinado o fotógrafo Luiz Antônio da Costa. Mais abaixo, traz textos de Frei Betto, Miguel do Rosário, Luciano Martins Costa (este, tirado do Observatório da Imprensa, parceiro da revista), Chico Vilela e vários outros. Na coluna da esquerda, as tirinhas de André Dahmer, ácidas e inteligentes.



A relação com o leitor também é bastante democrática. No centro da primeira página e ao fim de cada matéria, existe o link para o fórum da revista - o Manifeste-se. Lá as pessoas podem fazer críticas sobre os artigos, acrescentar idéias, debater. Muitas vezes os autores dos textos respondem e continuam as discussões. (Eu, pessoalmente, já participei de várias).



Outras seções merecem destaque. A Mídia da Paz, Mulheres.com, Ativismo, Mundo Pop e Neural Digital, são espaços para públicos específicos, de discussão sobre vários temas diferentes. O Novas Vozes é um projeto voltado para universitários que se interessem por publicar um artigo sobre qualquer assunto na Novae. "Se você é universitário e quer exercitar a livre expressão e o olhar crítico dentro de um projeto alternativo de credibilidade, encaminhe seu artigo ou reportagem dentro da linha editorial da Novae, para novasvozes@novae.inf.br, para análise do conselho editorial". Já a seção Nomes traz entrevistas com gente do naipe de Boaventura de Souza Santos, Naomi Klein, Mino Carta, Domenico de Masi e Zuenir Ventura, além de perfis de gente como José Saramago, Mílton Santos, Salinger e Chomsky, dentre vários outros. Dou um destaque especial ao cartunista Carlos Latuff, que é entrevistado e tem links para vários sites em que participa.



Por fim, a seção Parceiros traz links de dezenas de sites, revistas, empresas, e-zines, blogs e comunidades que colaboram com a Novae ou dividem o mesmo ideal de jornalismo. Sites como do Observatório da Imprensa, da revista Caros Amigos, o blog Livre Expressão (realizado pela produtora executiva da Novae, Cris Fernandes) e até este blog Notícia na Internet e o meu TamoscomRaiva. É uma rede de informação na internet que dificilmente se encontra em outra revista digital.

Espero que, depois de toda essa propaganda, vocês se interessem pelo trabalho maravilhoso realizado por esses jornalistas de Blumenau e leiam as matérias críticas e analíticas que eles publicam. Semana que vem, não deixem de conferir a entrevista com Manoel Fernandes Neto!


Postado por Cris, às 2:44 PM
Comentários:

Quinta-feira, Julho 31, 2003

NOVOS PARADIGMAS DA RECEPÇÃO

Pedro Celso Campos
Professor-mestre de Jornalismo Comunitário na Unesp-Bauru. Email: pedrocelsocampos@terra.com.br


A Teoria Estética da Recepção, em Jauss, mostra-nos a importância do receptor do discurso em qualquer processo. Todos sabemos que foi a cobrança dos leitores americanos a respeito de melhores esclarecimentos sobre as guerras na Europa que deram origem ao Novo Jornalismo nos Estados Unidos nas primeiras décadas do século XX. Tratava-se de um jornalismo mais interpretativo, capaz de proporcionar ao receptor todas as nuances sobre as origens e as conseqüências do fato, em vez de ficar apenas no meramente informativo.

Ao longo do século o receptor do discurso jornalístico foi se tornando tanto mais seletivo e exigente, quanto maiores as opções de comunicação à sua disposição. O leitor de jornais especializados é mais exigente que o leitor dos demais jornais. O consumidor de artigos opinativos e de editoriais cobra mais qualidade quando se vê exposto aos demais gêneros do jornalismo ou aos demais produtos da mídia. Um conhecimento maior demanda um conhecimento maior, que, por sua vez, busca um conhecimento maior e assim por diante, de modo que este mesmo é o motor do progresso humano. A Teoria da Psicanálise vê contrapontos nessa "formulação binária" do progresso. Para Freud, é o apelo da Morte (Tanathos), de um lado, e o apelo da Vida (Eros), do outro lado, que impulsionam o homem para frente enquanto ser pensante.

No que se refere ao consumidor de notícias ¿ que é o tema deste tópico ¿, sabemos que o perfil do receptor do discurso jornalístico vem mudando drasticamente, de modo especial na última década. Cabe indagar, então, quem é o receptor-padrão do webjornalismo já que a Estética da Recepção nos aconselha a levar em conta o receptor como sujeito da informação ¿ isto é, como determinante do próprio contexto produtor do discurso ¿ se queremos ter êxito no processo de comunicação.

Se é verdade que a busca do conhecimento é um movimento contínuo no ser humano, também está correta a observação de Johnson (2.001) segundo a qual os jovens da geração do videogame tiveram maior facilidade em lidar com a internet, a ponto de aprenderem a lidar com o computador e com a web simplesmente mexendo nos controles e jogando fora os manuais, enquanto os velhos jornalistas das máquinas de escrever só a muito custo conseguiram aderir à nova mídia, ainda que com bastante insegurança e timidez.

É esse público constituído de jovens, os primeiros a se familiarizarem com a parafernália eletrônica do século XX ¿ muitas vezes ensinando aos pais e aos professores como operar os sistemas ¿ que forma o grande público receptor de informações no jornalismo online. Em todos os congressos realizados no país desde o surgimento da internet, em 1995, os estudos mostram que os jovens preferem a Internet para se manterem informados.

A pesquisa Datafolha divulgada no 3º Congresso de Jornais, no Rio, mostrou que 80% dos consumidores de notícias via internet têm menos de 40 anos de idade e 33% não passam dos 24 anos. Enquanto isto, 43% dos leitores de jornais de papel têm mais de 41 anos. Em média, são mais velhos que a população brasileira.
Nas cidades pesquisadas (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília e Recife) 34% dos entrevistados disseram que acessam a Internet, o que dá um total de 5,4 milhões de pessoas. Deles, 30% entram na rede diariamente e 27% pelo menos uma vez por semana. Sua escolaridade é mais alta que a dos leitores de jornais de papel: 63% dos usuários da internet, contra 31% dos que preferem o papel, têm curso superior. Sua renda, também: 43% ganham mais de 20 salários mínimos por mês, contra 20% no caso dos jornais. Segundo o Datafolha, "o jornal impresso é preferido pelos mais velhos e menos escolarizados".

Por que o público jovem prefere a internet para se informar? A pesquisa Datafolha também responde a essa questão: em média 65% dos internautas lêem notícias na rede. Talvez porque 33% dos que se converteram ao jornalismo virtual e mesmo 30% dos que não largam o papel de cada dia acham que na Internet o noticiário é mais confiável. Ao mesmo tempo, 77% dos internautas e 68% dos leitores de jornais afirmam, na pesquisa, que encontram mais rapidamente na internet as notícias que procuram.

Também a variedade de assuntos é maior na rede, segundo 77% dos entrevistados. E 58% dos leitores de jornais concordam com eles. E quem pensa que é nos jornais de papel que o receptor consegue se aprofundar mais nos assuntos está totalmente enganado: 62% dos internautas acham que o hipertexto da internet é mais completo que as colunas do jornal. Aliás, 54% dos leitores de jornais concordam que a internet tem mais conteúdo, dando mais informação em menos tempo. Na verdade os leitores dos jornais de papel reclamam ¿ conforme 57% dos entrevistados ¿ que a mídia impressa dá espaço demais à economia e à política.

O fato de a maioria dos webjornalistas ser jovem ¿ como vimos na pesquisa sobre o jornalismo digital de Brasília ¿ e a comprovação da pesquisa Datafolha, indicando que são igualmente jovens os consumidores de notícias virtuais, estão a mostrar um universo de Produção (ou captação), Emissão (ou manipulação) e Recepção (ou leitura) do discurso jornalístico quase que paralelo ao "mundo real" dos leitores cinqüentões e sessentões que "assistem" ao show de tecnologia que vai tomando conta dos processos de comunicação, no exato instante em que se aguarda o ingresso da tecnologia digital também nos aparelhos de TV e até no cinema.

Segundo o Ibope, mais de 14 milhões de brasileiros navegam, hoje, pela internet. Mas este número vai crescer muito, à medida que o computador vai sendo popularizado, com preços mais baixos e amplas facilidades de pagamento. Com o tempo a tecnologia prevê que a Internet será totalmente gratuita, à medida que vai conquistando os anunciantes que emigram da TV aberta. Outro fato determinante é a miniaturização dos equipamentos, permitindo ao internauta livrar-se do pesado volume formado pelo monitor de vídeo e pela CPU sobre a mesa do escritório doméstico ou comercial, podendo acessar a rede e as notícias a partir do carro, do ônibus, do avião, afinal, de onde quiser.

Mas o mais importante não é que o consumidor de notícias digitais pode acessar o webjornalismo. Enquanto na TV seu único instrumento de manipulação interativa era o controle remoto para "interferir" na programação, algo equivalente aos telefonemas e cartas-dos-leitores no contato com os jornais (e também com o rádio e a própria TV), agora o receptor da informação pode ser, ele próprio, um gerador de conteúdos, enviando informações por e-mail, criando sites especializados, ou até mesmo imprimindo em casa, a cores, as notícias que julgar do seu interesse ou do interesse de pessoas da família ou das suas relações comerciais, de amizade etc. É uma capacidade de interação muito mais expressiva, muito mais significativa, algo que chega a preocupar as entidades representativas dos jornalistas, como vimos, algo que pode comprometer a ética, pois se antes se dizia que "o papel aceita tudo", é o mesmo que se pode afirmar hoje, da internet, onde trafega também muito lixo, exigindo maturidade do internauta para que não consuma "gato por lebre". Uma orientação certa é procurar sempre os portais mais confiáveis, geralmente ligados a publicações e autores sérios, evitando material sem referência ou mesmo anônimo.

Ainda no que se refere ao posicionamento do receptor diante da internet, parece certo afirmar que o jornalismo online possibilita ao internauta exercer de forma plena a sua cidadania diante das possibilidades que tem de interferir na mensagem recebida, redirecionando-a por e-mail ou colocando-a em debate nos chats, ou enviando comentários a respeito ao próprio emissor do discurso recebido, bastando clicar no e-mail do emitente. Essa liberdade de se expressar confere novas possibilidades no exercício da cidadania plena.


Postado por Rodolfo, às 5:47 PM
Comentários:

Quarta-feira, Julho 30, 2003

Encontrei um artigo com dicas sobre como escrever notícias online. As várias sugestões feitas por Jonathan Dube demonstram como o jornalismo na internet exige um tratamento diferenciado e uma atenção especial. Antes de publicar na rede lembre-se dos conselhos de Dube: conheça seu público, não tenha medo de utilizar links externos, escreva textos interessantes e compactos, mas não acabe com o lead - corra riscos, sem se esquecer do básico.

Vários exemplos de trabalhos realizados para jornais online são apresentados, facilitando o entendimento dos conselhos do jornalista.

Clique aqui e visite o artigo publicado no Poynter Institute - em inglês


Postado por Pedro, às 9:34 PM
Comentários:

Terça-feira, Julho 29, 2003

FUTEBOL IMPULSIONA O CRESCIMENTO DO JORNALISMO ESPORTIVO NA INTERNET

Sites são mais uma opção para os torcedores ficarem informados

O Brasil é conhecido como o país do futebol. Maior vencedor de Copas do Mundo, o esporte mexe com as emoções de apaixonados torcedores seja nas vitórias ou derrotas. Está tão presente em nossa cultura que vários artistas já cantaram versos de amor ao esporte. Em Minas Gerais não é diferente, o futebol esta presente em discussões na escola, no trabalho, nos bares. São muitos os ¿pseudotécnicos¿ que analisam os resultados da rodada.
E foi-se o tempo em que as únicas maneiras do torcedor descobrir os resultados finais dos jogos eram as mesas-redondas de programas televisivos e depois das transmissões dos jogos pelo rádio. Acompanhando a evolução da Internet, o jornalismo esportivo cresceu e está cada vez mais profissional. Os portais cada vez mais dão espaço para o esporte em suas páginas iniciais e há ainda vários sites especializados nas mais diferentes modalidades esportivas.
Não só os sites de empresas jornalísticas, como também os sites oficiais dos clubes e jogadores estão se renovando constantemente. De olho neste mercado o portal Uai lançou em 2000, o site Superesportes. O que antes era apenas uma seção do portal tornou-se um site com cobertura para os principais esportes como futebol, vôlei, basquete, automobilismo e tênis. Mas o grande diferencial é a cobertura dada para o futebol mineiro.
Para o repórter e colunista do Superesportes Leandro Mattos a principal virtude da Internet é a agilidade na disponibilização das notícias e na possibilidade de oferecer recursos de multimídia para o leitor. Mattos diz que em termos de velocidade de divulgação só o Rádio como pode ser tido como principal concorrente e afirma que ele muitas vezes, é até mais ágil. Mas acredita que o principal valor da Internet é a possibilidade de fornecer um "pacote completo" para o leitor. ¿No Superesportes, por exemplo, os torcedores de Atlético, Cruzeiro e América podem ler sobre a partida do seu time e conferir os gols, na seção NetGols. Recursos de áudio e vídeo são uma ferramenta importante podem ser consideradas diferencial da Internet¿ observa Mattos. Se no início os sites esportivos se contentavam em dar os resultados de última hora a tendência hoje é diferente. A maioria dos sites tem oferecido a possibilidade de não só relatar os fatos esportivos, mas também analisá-los, com colunistas cada vez mais especializados. Para Leandro Mattos a formalização de parcerias também deve ser destacada. ¿A Internet tem sido vista como um dos principais canais de comunicação com o público esportivo. Vários atletas e clubes possuem sites oficiais. No Superesportes, as mais novas parcerias são com Alex (Cruzeiro) e Lúcio Flávio (Atlético)¿.
Mas se por um lado a qualidade das coberturas esportivas online tem se destacado pela melhoria dos textos, o aspecto visual, a diagramação também tem papel fundamental para conquistar novos leitores. Mattos acredita que na Internet visual e bons textos têm que andar sempre juntos. ¿Esse é o segredo. De nada adianta uma notícia brilhante, bem redigida, se ela estiver dispersa, numa página "poluída" e mal diagramada. De nada vale uma bela "embalagem", uma página bacana, com o conteúdo fraco. Aliar bom texto e design competente deve ser a meta na Net¿.
O Superesportes está sendo tão bem sucedido que segundo Mattos, o site em algumas oportunidades chega até a superar o portal Uai em número de acessos. No período de disputa do Campeonato Mineiro de futebol, os acessos aumentam já que o site é o mais completo sobre a disputa, que é tratada de forma irrelevante por sites nacionais que dão maior destaque para os regionais de São Paulo e Rio de Janeiro.
Segundo Mattos o perfil dos leitores durante a semana e os de domingo apresenta algumas diferenças. Os de domingo busca mais os resultados de última hora já os de semana querem uma cobertura mais ampla, com a repercussão do jogos.
Com relação a questão do jornalismo online substituir aos poucos os jornais impressos, Mattos acredita que isto nunca irá acontecer. ¿Acho que as duas coisas se completam. Tenho uma visão "romântica" sobre essa questão. Não só no campo esportivo. Por mais que façamos um jornalismo competente, nada substitui o contato com o papel, a leitura no banheiro, no ônibus, na praça¿.

Web site: www.superesportes.com.br
Autor: Thiago Silva Gontijo Fonseca




Postado por Guilherme, às 5:46 PM
Comentários:

Segunda-feira, Julho 28, 2003

ENTREVISTA: MARCELO RUSSIO
As inovações trazidas pela Internet chegam ao Jornalismo Esportivo e modifica a maneira de fazê-lo. Marcelo Russio, cronista esportivo do site Comunique-se, analisa nesta entrevista as principais mudanças, além de adiantar as novas técnicas de transmissão de notícias que serão usadas nas próximas Olimpíadas. Confira!

Notícia na Internet: Como as mudanças trazidas pela internet afetaram o jornalismo
esportivo?

Marcelo Russio: A Internet, na minha opinião, foi uma bênção para o jornalismo esportivo. Através dela passamos a ter acesso mais rápido à notícias e resultados, passamos a acompanhar as transmissões ao vivo de eventos esportivos, passamos a ter a possibilidade de fazer entrevistas inteiras diretamente com um atleta, por exemplo, enviando todas as perguntas para o seu e-mail, tendo a certeza de que ele, pelo menos, leria as perguntas. Também passou a ser possível o envio de arquivos de áudio, vídeo e fotos muito mais rapidamente.

Enfim, ela agilizou e barateou o trabalhos dos repórteres esportivos. Uma outra mudança foi a falta de adaptação de uma ou mais gerações de jornalistas aos
novos meios. Isso acabou forçando a "emancipação" dos novos nomes, que viram na Internet o meio de se destacarem perante os medalhões da profissão que, por um motivo ou outro, não conseguiram se adaptar à ela.

Por fim, as próprias fontes de notícias se modernizaram, passando a utilizar os seus sites como fontes de informação. Os casos de Ronaldo e Rivaldo, por
exemplo, que a todo momento mandam recados a desafetos, ou utilizam seus sites como meio de negociação de contratos e/ou transferências mostram a força que a Internet ganhou.

N.I.: Quais as novas ferramentas da tecnologia de informação estão sendo utilizadas pelos repórtes esportivos? O que você prevê para a cobertura das Olimpíadas
de 2004?

M.R.: Não creio que haverá uma mudança muito radical em Atenas para o que se viu em Sydney 2000. Lá, sim, houve uma distância absurda para a cobertura
realizada em Atlanta 1996. em Sydney foi possível se ter acesso aos boletins oficiais da organização, pela primeira vez se enviou arquivos de áudio digitais diretamente do local dos Jogos, se fechou jornais totalmente via internet, enviou-se fotos e textos em banda larga, com qualidade excelente.

Enfim, em Atenas eu creio que haja uma consolidação deste tipo de utilização da Internet. Uma melhoria, mas não uma revolução. O que deve acontecer, ainda de
forma embrionária, é a utilização dos celulares como fonte de imagens e fotos, e na transmissão de dados. Isso dará à cobertura um caráter muito mais ágil,
ainda que sem a qualidade perfeita. Mas isso é apenas uma aposta. Certo, mesmo, é o nível de profissionalismo do site dos Jogos, que a cada edição dá mais
informações aos seus usuários.

N.I.: Quais as vantagens trazidas pela internet aos leitores e jornalistas esportivos?
M.R.: Principalmente a agilidade no acompanhamento das notícias. Hoje quase ninguém mais se dá conta, mas a grande maioria dos brasileiros se baseava nos jornais do dia seguinte para acompanharem os desdobramentos das notícias do dia anterior. Hoje, com a Internet, podemos acompanhar o "durante" de cada notícia.
Isso, sim, foi um grande diferencial para quem acompanha o noticiário esportivo.

A má-notícia foi a proliferação de fontes que não são confiáveis. Com a democracia total da rede, hoje qualquer um escreve o que bem entender nos seus sites. Quem não toma cuidado, acaba se baseando em informações de procedência nada confiável. Mesmo sendo um perigo a mais para o leitor, esse tipo de situação acabou
ajudando os verdadeiros repórteres, que tiveram que exercitar a principal característica da profissão: a apuração criteriosa.

N.I.: A internet permite que os jornalistas esportivos tomem contato com grande volume de notícias sobre atletas, esportes e competições em todo o mundo. Como é
realizado o processo de seleção dessas informações?

M.R.: É como eu disse na pergunta anterior: a apuração criteriosa passou a ter o seu valor renovado. Os repórteres tiveram que deixar de confiar em qualquer
fonte, e voltar a cultivar as suas fontes preferenciais. O processo de seleção, portanto, passou a ser feito da forma tradicional, que envolve pesquisa em sites de renome,
dando-se preferência a matérias assinadas e a fatos comprováveis (ou comprovados) publicados nos sites. O processo, em si, não mudou muito. Apenas houve uma pequena adaptação nos meios para se aplicar esse processo em um novo meio de comunicação.

N.I.: O leitor de um veículo online tem a possibilidade de direcionar sua leitura apenas para determinado assunto que lhe é de maior interesse. O torcedor-leitor, que acompanha o jornalismo esportivo online é mais exigente quanto à variedade de informações do que os leitores do veículo impresso?
M.R.: De forma alguma. Ele é tão seletivo quanto os leitores dos jornais impressos. O que muda é a oferta de informações, por conta da não-limitação de espaço da qual os veículos online dispõem. Por não terem o limite da página ou do tempo, os veículos podem se aprofundar mais nos assuntos, repercutir melhor as informações. Essa, a meu ver, é a vantagem crucial dos sites sobre os demais meios de comunicação. A única diferença, a meu ver, é essa.


Postado por Rodrigo, às 1:46 PM
Comentários:

Domingo, Julho 27, 2003

Revistinhas de respeito tomam conta da Web
As e-zines, irmãs mais novas dos velhos fanzines, conquistam a Web e já são vistas como as mais eficientes mídias digitais alternativas do momento.

Por João MagalhãesE-mail: jsmaga@terra.com.br




O nome Hugo Gemsback provavelmente não deve significar nada para você. Mas que tal Amazing Stories? Já ouviu falar, não? Pois Gemsback foi o editor da Amazing Stories, revistinha dedicada a ficção científica, lançada em 1926. Mais tarde, seus contos e novelas seriam celebrizados nas telas de cinemas de todo o mundo.
A mazing Stories foi também fonte de inspiração para o surgimento de publicações alternativas conhecidas como zines ou fanzines (do inglês fan club culture), que debutaram nos anos 30, e logo se popularizaram, graças ao mimeógrafo. A maquininha de tirar cópias em papel estêncil permitiu que milhares de pessoas se aventurassem na área editorial, seguindo os passos da The Comet (mais tarde rebatizada de Cosmology), considerado a primeira fanzine do mundo.
Com o agito político que sacudiu a década de 60, as zines explodiram de vez. Foi criado o Undergound Press Syndicate (Sindicato da Imprensa Alternativa), que contava com associados de peso como o Los Angeles Free Press, o East Village Other e o Barkely Barb.
A grande imprensa norte-americana sentiu-se incomodada com o sucesso das revistinhas - pois estava provado que que não era preciso técnica, talento, furo de reportagem ou dinheiro para colocar boas idéias num papel - e reagiu com planos de marketing agressivos.
Nos últimos vinte anos, então, sem grandes recursos financeiros, as zines passaram por uma fase de instabilidade: desapareciam tão rapidamente quanto surgiam. Mas veio a Web. E elas estão de volta, rebatizadas de e-zines. De acordo com o Forrest - respeitado instituto de pesquisas - são as mais procuradas mídias digitais do momento, ao lado dos blogers (diários pessoais)
No começo, as e-zines eram produtos da criatividade de solitários e estranhos personagens que curtiam rock, futebol, poesias ao estilo de Baudelaire, e feminismo. Sua bíblia é o Factsheet5, um guia editado em São Francisco, na Califórnia. Um dos maiores admiradores de e-zines é o americano John Labowitz. Desde 1993 ele vem colecionando sites do gênero. Seu atual acervo tem mais de 4 mil e inclui duas pérolas: o ToyTrov e Dead Jackie Susan, dedicado à autora do Vale das Bonecas, um clássico do cult.
O primeiro é uma e-zine barra pesada, com artigos satíricos, histórias perversas, colunas mordazes de aconselhamento e críticas à sociedade contemporânea.Toy Trove traz as últimas fofocas que correm na boca do povo sobre os astros e estrelas do cinema e do showbusiness em geral.
Atualmente, as e-zines estão saindo dos subterrâneos da Web, principalmente sob a forma de news letters, enviadas por e-mail, trazendo assuntos menos obscuros como Ciência, Saúde, Negócios, Informática. É o caso da HerComputer, voltada para o público feminino e que oferece tudo sobre computação e webmarketing, com treinamentos e soluções online. E da sofisticada Central de Saúde, que apresenta farto material sobre medicina, remédios e exercícios físicos.

Texto retirado do site www.estadao.com.br na seção maga.zine


Postado por Tati, às 10:16 AM
Comentários:

Sábado, Julho 26, 2003

::::: CENSURADO :::::::
Clique aí e veja o quê: balde.doc


"Jornalismo: inserção e possibilidades na Web

O jornalismo, tal como o conhecemos hoje, nasceu no século XVII, com o lançamento dos primeiros jornais na Europa, quando se otimizou a aplicação das técnicas de impressão. De lá para cá, a história do jornalismo guarda forte relação com a difusão de novas tecnologias de transmissão, comunicação e informação. De certa forma, o conceito de jornalismo encontra-se relacionado ao suporte técnico e ao meio que permite a difusão das notícias. Daí derivam conceitos como jornalismo impresso, telejornalismo e radiojornalismo.

As primeiras experiências de jornalismo na rede datam do final da década 80, quando provedores como o American On Line começaram a disponibilizar serviços de notícia personalizados. No início de 1994, a Internet abrigava aproximadamente 20 sites noticiosos, todos produzidos nos EUA. Três anos depois, esse número saltaria para 3,6 mil, segundo monitoramento do NewsLink ( http://www.ajr.newslink.org/. ).

Segundo Eric K. Meyer, consultor norte-americano em mídia, estima-se que hoje o número de sites atinja a marca dos 5 mil em todo o mundo - dos quais 43% são produzidos fora dos Estados Unidos -, com significativa participação dos periódicos brasileiros. No Brasil, o pioneirismo foi do Jornal do Brasil ( http://www.jb.com.br ), o primeiro do País a oferecer a cobertura completa no ciberespaço em 1995. Hoje, praticamente todos os grandes jornais brasileiros estão na Web, a exemplo do movimento verificado em outros países.

Além dos jornais, outros veículos de comunicação, como revistas e emissoras de rádio, estão abrigados na rede, considerada como incubadeira midiática, 'ambiente propício à proliferação de novas formas midiáticas (RV, por exemplo) bem como à adaptação das antigas formas de mass media. A Rede, como o próprio nome indica, é um ambiente entrelaçado (rizomático) permeado de instrumentos de comunicação (as diversas mídias)'.

Os jornais foram os primeiros veículos de comunicação a integrar o ciberespaço, favorecidos pelo avanço das ferramentas tecnológicas e comandados pela decisão estratégica de não perder receitas publicitárias. De fato, cada vez mais, a Internet se apresenta como canal atrativo para atingir públicos segmentados e fonte promissora de rentabilidade tendo em vista o potencial de receitas múltiplas, como publicidade on line e comércio eletrônico, atraindo a atenção das grandes corporações de mídia.

Um leque de oportunidades se abre à atividade jornalística na Internet, no que concerne ao processo de produção e difusão da notícia, em função das tecnologias digitais e das redes interativas. No que se refere à pesquisa, o jornalista tem acesso a incalculável quantidade de informações oriundas de fontes plurais, o que pode lhe ajudar na confecção e apuração de pautas. A oferta é fruto, em parte, da nova maneira de se comunicar de organizações, empresas, instituições e autoridades, que passam a ver na Internet um meio de atingir seus públicos sem intermediários. Isso evita a unicidade das fontes de informação e permite, inclusive, o cruzamento de dados. Além disso, o jornalista dispõe de documentos e dados aos quais era difícil ter acesso até então. Registra-se, ainda, o fato de facilitar o contato de fontes distantes geograficamente ou difíceis de serem localizadas.

Se os sites, os bancos de dados e as listas de discussão são excelentes ferramentas para coletar dados e selecionar novas fontes, o correio eletrônico, por sua vez, revela-se instrumento eficaz para conhecer os desejos e atender aos interesses do leitor, que pode, por exemplo, sugerir assuntos, enfoques e entrevistados. Essa é apenas uma das possibilidades abertas pela interatividade, que torna seus participantes ativos e os autoriza a serem produtores de informação.

No processo de redação de uma notícia, o jornalista é favorecido pelo rompimento do limite de espaço. Segundo Melinda McAdams, responsável por implantar a versão digital do Washington Post, os profissionais são atraídos de possibilidade de oferecer todos os tipos de informação que não caberiam na página de um jornal impresso.

A possibilidade de utilizar recursos como textos, fotos, imagens, mapas e áudio, integrando-os na mesma mensagem, bem como de conectar, por meio do hipertexto, a matéria a informações de arquivo e/ou complementares disponíveis na home do próprio veículo ou em outro site, sem dúvida, incrementam a produção. Segundo Giussani, o 'hipertexto é o motor dessa diversificação da informação', capaz de satisfazer os múltiplos níveis de interesse do leitor, do superficial ao profundo, de contextualizar fatos, de associar informações, fontes e mídias.

Quanto à distribuição de notícias, a Internet mostra-se um veículo de difusão contínua. A informação no meio digital pode e deve ser revista após a sua distribuição. Estabelece-se nova relação com o tempo: o jornalismo digital 'cassa a cronologia e permite reutilizar ao infinito as informações, atualizá-las, corrigi-las, completá-las'.

Os custos dessa difusão também são atrativos. O lançamento um produto noticioso na Internet requer menos investimento do que o necessário para distribuí-lo nas mídias tradicionais. Nos Estados Unidos, por exemplo, os investimentos para se lançar uma revista mensal, de alcance nacional, são estimados em US$ 15 milhões. Uma publicação similar na Internet tem custo aproximado de US$ 100 mil."

(Escrito por Angèle Murad e publicado no site da Universidade Federal Fluminense)


Postado por Cris, às 8:58 PM
Comentários:

Quarta-feira, Julho 23, 2003

E-ZINES
Uma alternativa no jornalismo cultural

Não é de hoje que o nível do jornalismo cultural, em especial aquele que é produzido pelos grandes veículos, está em xeque. Uma das principais reclamações por parte de leitores é quanto à mesmice de temas e enfoques nas análises, dando a sensação de que ler um caderno cultural é a mesma coisa que ler todos.
Um novo fôlego, porém, parece estar vindo da internet com os e-zines (zines eletrônicos). Abordando prioritariamente a cultura pop, as revistas eletrônicas têm procurado fugir dos padrões pré-estabelecidos da grande imprensa e vêm se destacando a cada dia.
Os e-zines são herdeiros diretos dos fanzines, publicações rudimentares feitas muitas vezes com tesoura e cola e voltadas a um público aficionado de determinado estilo musical, como o punk, na década de 70. Com o tempo, o perfil foi sendo ampliado e outros temas, fora da música, passaram a ser abordados. Com o advento da internet, a mudança do meio foi apenas uma questão de tempo. Muitos zines, além da edição em papel, passaram a ter suas versões eletrônicas. E não demorou nada para surgirem e-zines exclusivos da net.
A principal diferença entre os e-zines e os cadernos de cultura é a liberdade temática. Os grandes veículos são obrigados a cobrir de forma extensiva a agenda cultural, trazendo lançamentos de CD, estréias de cinema e teatro, bastidores da televisão, entrevistas e perfis com os nomes do momento. Talvez seja por esta fórmula que as "ilustradas" e "cadernos 2" da vida se pareçam tanto. Não que as revistas eletrônicas deixem o mainstream de lado, mas elas procuram ir além, falando de artistas independentes, que sem uma grande estrutura de divulgação acabam ignorados por jornais e revistas. "O conceito básico do ScreamYell era falar de coisas que outros veículos não falavam. Por isso eu comecei a fazer e-zines", conta o jornalista Marcelo Costa, um de seus idealizadores.
Uma contribuição importante dos e-zines é que o exercício da crítica não está mais limitado apenas à grande imprensa. O leitor pode buscar outras opiniões a respeito de um lançamento antes de decidir que CD vai comprar ou a que filme ou peça de teatro assistirá.
Outra característica dessas publicações é, na maioria dos casos, dar vez e voz a profissionais que estão batalhando por um lugar ao sol nas redações. É o caso do Rabisco . "Quando decidimos criá-lo, queríamos manter um canal para que jornalistas culturais ainda sem chance no mercado de trabalho pudessem extravasar suas opiniões e talentos", diz seu editor, Marcel Nadale. Quem confirma essa tendência de lançamento de novos nomes no jornalismo é Fabio Carbone, do Ruídos . "A maioria dos colaboradores é de aspirantes a jornalistas que têm no Ruídos uma oportunidade de aparecer e entrar no mercado. É uma porta de entrada para aqueles que querem fazer um trabalho de maneira competente e original. Assim, todos ganham", diz.
Os e-zines seriam herdeiros legítimos dos veículos da imprensa alternativa dos anos 70? "È bem diferente o cenário. Hoje em dia, temos uma abertura que não existia nos 70. O que causa, até, uma superexposição de material que acaba não sendo digerido. Ou seja, há tanta informação circulando que as pessoas não têm tempo para ver/ler/ouvir/atentar para tudo. E o mundo hoje é mais livre, não há bandeiras", responde Marcelo Costa. Para Fabio Carbone, "a imprensa alternativa caracterizava-se por abordar assuntos referentes à ditadura militar em publicações menores, independentes, mas com postura de ação. Por fazer oposição ao regime, o modelo foi considerado underground. O Ruídos, por mais que não tenha caráter político, pode ser considerado um veículo alternativo por priorizar assuntos específicos, dando aprofundamento maior a temas que não são muito explorados na grande imprensa."
Marcel Nadale acha correto traçar o paralelo entre os dois tipos de publicações, mas, segundo ele, a equivalência não chega a ser total. "Definitivamente, o valor semântico de ¿alternativo¿ é respeitado: estamos à margem do mainstream da mídia, com todas as benesses e as dificuldades que isso traz", diz.

Esse texto foi retirado do site do Observatório da Imprensa. Foi escrito pelo jornalista e colaborador de vários e-zines Rodney Brocanelli.

Nos próximos posts confira mais comentários sobre os e-zines!


Postado por Fred, às 5:47 PM
Comentários:

Domingo, Julho 20, 2003

Publicações Eletrônicas

Depois de fazer uma análise sobre como os jornais impressos estão utilizando o seu espaço na Web devemos discutir como as publicações que surgiram na Internet pensam e estruturam o conteúdo para a nova mídia. Assim como o projeto de qualquer outra publicação,é preciso que haja uma estruturação de como a informação será veiculada (projeto gráfico-editorial), qual a periodicidade, a equipe que realizará o trabalho e o que vai dar suporte financeiro à publicação, ou seja, a publicidade e/ou o patrocínio.

As publicações criadas para a nova mídia devem ter um conteúdo diferenciado e um outro tratamento da informação. É preciso estabelecer os princípios que determinarão um novo produto, que falará com um outro público-alvo e estará em outro ambiente tecnológico - ainda em constante evolução. Segundo o colunista diário da publicação NO., Arthur Dapieve, o grande desafio das publicações que surgem na Internet é a construção da credibilidade junto aos seus leitores.

"O público ainda procura na Internet os sites dos principais veículos de comunicação tradicionais - jornais, revistas e canais de TV - em busca de informação. Eles confiam na credibilidade do veículo em sua mídia e acreditam que esta também estará presente em sua publicação Web. Conquistar o usuário e a sua confiança é o grande desafio das publicações eletrônicas. Acredito que o usuário está se tornando cada vez mais exigente com relação ao conteúdo na Internet e saberá identificar em que publicação pode confiar¿.

Newton Fleury, coordenador de novas iniciativas do portal globo.com, acredita que a principal preocupação das publicações que surgem na Internet não deveria ser somente com o conteúdo, mas sim em disponibilizar algo que seja do interesse e da necessidade do usuário.

"As publicações brasileiras, mesmo as genuinamente de Internet como NO. e Último Segundo, ainda operam como as empresas de mídia tradicional, pois não entenderam que o conteúdo não é o mais importante. O exemplo de empresa de mídia para o próximo milênio chama-se Yahoo! que inventou e continua inventando a forma da Internet. O segredo é a integração conteúdo/serviços, chamados de sticky applications, pois fazem o usuário retornar ao site sempre. Neste tipo de publicação observa-se: calendário, e-mail, chat e outras ferramentas de interatividade como mapas com informações geo-referenciadas, games, etc."

De acordo com Newton Fleury, uma publicação eletrônica não precisa produzir conteúdo, mas agregar, organizar, integrar com serviços de alto grau de interatividade e personalização e fidelizar os internautas. "A palavra-chave é integração. Um site nada mais é do que um banco de dados bem estruturado.¿

Texto retirado do site www.jornalismonainternet.hpg.ig.com.br


Postado por Tati, às 7:52 PM
Comentários:

Sábado, Julho 19, 2003

Agora vou procurar fazer uma análise do site do Jornal do Brasil, através de uma comparação com o site da Folha (já analisado no dia 16/06) e com o próprio jornal impresso. Escolhi o JB por se tratar de um dos maiores jornais cariocas. A próxima "vítima", em breve, deverá ser mineira...



Diferentemente da Folha de S.Paulo, que só pode ser acessada por assinantes do jornal impresso ou do portal UOL, o site do Jornal do Brasil é aberto para qualquer internauta. Talvez isso contribua ainda mais para a enorme crise em que o jornal se encontra, principalmente levando-se em conta que ele foi o primeiro jornal brasileiro a disponibilizar as notícias na internet, muito antes de qualquer outro ter essa idéia. Mas aí eu vou entrar naquela delicada discussão sobre a influência da Internet na queda do número de leitores dos impressos, que já rendeu muitos posts pra trás... Na minha opinião, a rede contribuiu, sim, para essa queda. Mas não é suficiente para explicar, por exemplo, a crise que o JB está enfrentando há mais de uma década.

Assim como a Folha, o jornal carioca também disponibiliza todas - ou praticamente todas - as matérias do impresso no site. Os cadernos são divididos de uma maneira simples e eficiente, acessíveis para qualquer internauta inexperiente e muito fáceis de serem visualizadas. Enquanto a Folha optou por criar espaços para cada caderno, abrindo muitas janelas desnecessárias (ou através do Índice Geral, onde só temos acesso aos títulos das matérias), o JB deu a cada editoria as matérias com resumos e fotos, que facilitam muito para o leitor.

Uma das maiores vantagens de um noticiário na Internet, como já dissemos em outros posts, é a possibilidade que o leitor tem de interagir constantemente com o noticiarista, tornando o veículo muito mais democrático e aberto ao fluxo de informações. O Jornal do Brasil tem a seção "Tempo Real", dividida pela hora do fato. Um problema nessa seção é o fato de não dividir as notícias por editorias, dando trabalho desnecessário ao leitor. Eles tentam remediar o problema colocando símbolos para cada caderno. Outro espaço para interação é no "Pergunta de hoje": o jornal faz uma pergunta sobre algum fato do dia e, além de criar um gráfico como faz a Folha, também abre um fórum onde os leitores podem discorrer sobre o assunto e registrar sua opinião.

O Serviço ao Assinante também é eficiente e oferece, além das ajudas de praxe (entrega, reclamações, etc), várias promoções no "Clube JB", como o sorteio de um livro por semana. Mas a entrega é só para moradores do Rio de Janeiro...



O site também faz um bom trabalho na prestação de serviços. O leitor pode pesquisar em qualquer número anterior, ver notícias na agência JBOnNews, se cadastrar no ClubeJB, pode comprar na seção Shopping (com pesquisa de preços) ou marcar uma viagem.

Mas a maior vantagem do site do JB sobre o da Folha é a seção de Especiais. Iraque, Lula, Matrix, FSM, Zico, Oscar, Tráfico..., todas as edições especiais que o Jornal já publicou estão acessíveis para o internauta - com direito a infográficos, fotos, reportagens detalhadas e um design bem bolado para cada tema. A Folha, apesar de ser cheia de gráficos e quadros no jornal impresso, quase não oferece essa ferramenta na versão on-line.



O site do Jornal do Brasil, talvez por ser o primeiro dentre os grandes jornais brasileiros a ser disponibilizado na web, é um dos mais bem feitos, superando muitos defeitos da Folha, OGlobo e Estadão. Resta saber se é por isso ou apesar disso que o jornal está falindo. Mas essa é uma grande questão no debate das notícias na Internet e ainda vai dar uma boa discussão neste blog...


Postado por Cris, às 12:34 AM
Comentários:

Sexta-feira, Julho 18, 2003

ENTREVISTA» ANA LÚCIA ARAÚJO
Jornalista, trabalha há quatro anos com jornalismo online e interatividade, ,já trabalhou na Folha Online e hoje atua no UOL além de ser coordenadora da Pedal (Asociación de Periodistas Digitales de América Latina). Nesta entrevista, conversamos sobre banalização da notícia, apuração online, conhecimento técnico exigido dos jornalistas de web, entre outros assuntos.

Notcia na Internet» Como muda o processo de apuração da notícia nos veículos online?
Ana lúcia Araújo»
A apuração é a mesma. Encontrar a fonte, fazer a repercussão e o outro lado de uma história é o mesmo processo em todos os veículos. A diferença do jornalismo em tempo real é que vc não espera o horário de fechamento do jornal para escrever e ver seu texto publicado. Com as entrevistas pertinentes em mãos, redige e publica. Há profissionais que publicam reportagens com apenas uma versão da história e um lembrete no final do texto com a informação que ainda está procurando o outro lado. Quando encontra o outro lado, redige outro texto mais completo e faz as inclusões necessárias. Isso não é questão de estilo, mas sim de ética da empresa. Sabemos que há casos e casos. Alguns permitem, por questões éticas e jurídicas, esse tipo de atitude. Outros, não! Nunca! Um bom exemplo é o que ocorreu com a matéria da Contigo, envolvendo o Silvio Santos. Publicaram o texto sem procurar família, médicos e qualquer outra pessoa que pudesse dizer se aquilas loucuras dele eram verdade...


N.I.» Com o auxílio da tecnologia, o leitor pode se informar em tempo real e ficar a par dos últimos acontecimentos em alta velocidade se atualizando a todo momento. Como o jornalismo online atua no sentido de suprir essa grande demanda de notícias? Corre-se o risco de banalizar a informação e torná-la cada vez mais descartável?
A.L.A.»
Corre-se esse risco, sim. Mas o que mais me impressiona é como pequenas histórias, que no jornal estão reduzidas a pequenos blocos de texto nos rodapés, ganham audiência nos sites. Como quase todos os sites têm aquelas listas enormes de notícias, não há uma edição do que é mais ou menos importante (diferentemente da diagramação do jornal). Então, o leitor vai clicando ao sabor do título. Pode encontrar um texto de 10 linhas ou de 100!

Acho que quem banaliza a notícia é jornalista e não leitor. E a notícia por ela mesmo nem sempre é compreensível para o leitor. O jornalismo não é só reprodução de fatos, tem de ter a sacada, a repercussão com especialistas da área. Esse sabor é difícil de fazer no acompanhamento em tempo real, mas não é impossível.

Quando se fala em jornalismo online, sinto que se está comparando jornalismo online com jornalismo em tempo real. Apesar de no Brasil serem quase sinônimos, isso não é verdade. As agências de notícias, o rádio e a TV também fazem jornalismo em tempo real. A internet achou essa brecha para não concorrer tão diretamente com os jornais diários e as revistas. Mas jornalismo online é um conceito mais amplo, que pode ou não ser em tempo real. Jornalismo online usa recursos da internet, coisa que nenhum outro veículo pode fazer.


N.I.» Os leitores que se informam pelos veículos online são mais exigentes que os de mídia tradicional?
A.L.A.»
Não! Leitor acha pêlo em ovo e tem sempre razão!

N.I.» Qual o nível de conhecimento técnico sobre os recursos de informática é exigido dos novos profissionais de web? Eles têm a obrigação de dominarem novas tecnologias?
A.L.A.»
Ter, eles não têm, mas quanto mais souber, melhor. Tenho quase certeza absoluta que muito jornalista de TV sabe operar aquelas mesas de som, eventualmente as câmeras, arrumar o microfone, identicar a melhor luz, o melhor ângulo. E isso não parece bacana de se aprender? Então, qual problema em saber um html, em incluir um link no meio do texto... Eu adoro essa independência, adoro inventar coisas com recursos da internet. Agora, há uma diferença básica entre saber e entender. Saber fazer um link não tem nada a ver com entender a utilidade dele, saber colocar no lugar certo, de forma intuitiva para o internauta, obedecendo regras de usabilidade. Essa segunda parte, a do entender pra que serve, isso todos deveriam saber.


Postado por Rodrigo, às 2:45 PM
Comentários:

Quarta-feira, Julho 16, 2003

JORNAIS ELETRÔNICOS - Mais Crise?
Edições online ameaçam as impressas

As edições online dos jornais estão começando a afetar negativamente a venda de exemplares impressos. É a constatação a que chega a última pesquisa da Belden Associates, um instituto de pesquisa sediado em Dallas, nos EUA.

No segundo trimestre de 2002, a Belden concluiu, através de uma pesquisa online, que houve o mesmo número de visitantes de sítios de jornais encerrando ou iniciando assinaturas impressas. A última pesquisa, no entanto, exibiu dados desanimadores: apenas 8% de usuários online compraram mais exemplares, enquanto 12% compraram menos. Vinte por cento afirmaram ler a edição impressa com menor freqüência, e 6% disseram ler mais a versão impressa, de acordo com reportagem de Carl Sullivan [Editor & Publisher, 30/6/03].

"Não estamos tão assustados, mas achamos que a indústria deve ficar de olho nisso", disse Greg Harmon, diretor interativo da Belden.

Há um lado alentador. Cerca de 25% de assinantes da versão online disseram que pretendem ou gostariam de fazer uma assinatura no futuro. Harmon afirmou que os publishers deveriam se dedicar mais ao marketing das edições impressas em seus sítios.

A pesquisa se baseou em jornais locais, como Las Vegas Review-Journal, Denver Rocky Mountain News, The Denver Post, Dayton Daily News (Ohio) e Longview News-Journal (Texas).

Texto retirado do site Observatorio da Imprensa


Postado por Fred, às 1:30 PM
Comentários:

Segunda-feira, Julho 14, 2003

O JORNALISMO NA ERA DIGITAL
Texto de Gerson Martins

Uma nova classe de jornalismo se abre neste final de milênio. É com ela que o futuro profissional deve estar sintonizado e, conseqüentemente, preparado. Segundo o Prof. André Manta da Universidade Federal da Bahia, ¿o desenvolvimento ultra-rápido das tecnologias de comunicação, a expansão das redes de informação e a criação de interfaces amigáveis, que utilizam recursos de multimídia e hipertexto, estão acelerando o processo de digitalização das mídias tradicionais. Hoje, os mais importantes jornais e revistas do mercado editorial mundial estão na Internet¿.

De qualquer forma o jornal eletrônico se constitui num imenso banco de dados, capaz de armazenar um número ilimitado de informações. Na edição digital, as matérias podem vir complementadas com textos adicionais, gráficos, fotografias que não podem ser inseridas nas edições em papel. O jornal eletrônico permite ainda a apresentação de som e imagens em movimento. Outra grande vantagem do jornal eletrônico, conforme salienta o professor baiano, é a manutenção de arquivo de edições passadas. Pode-se consultar qualquer informação em qualquer tempo.

Jornais buscam equilíbrio entre meios de comunicação

Num primeiro momento, a erupção brutal da Internet encheu de terror os jornais do mundo inteiro. O jornal escrito não estaria agora sendo descartado e jogado fora pela rede mundial? Hoje, os jornais retomam seu sangue-frio e procuram antes um modus vivendi entre os dois meios de comunicação de massa: o de ontem e o de amanhã.

O desenvolvimento da Internet é fulminante: existem 3.500 jornais eletrônicos. No princípio, esses jornais eram exclusivos dos Estados Unidos. Mas está havendo uma evolução: há um ano, de todos os jornais eletrônicos, apenas 29% funcionavam fora dos Estados Unidos; hoje, essa proporção é de 43%. Outro número impressionante: em 1997, há 46 milhões de usuários da Internet. Em fins de 1998, haverá 80 milhões e, no ano 2000, 157 milhões. Quais são as áreas em que a rede faz os maiores progressos?

Em primeiro lugar, a das informações locais: isso explica por que os jornais regionais estão criando muitos sites. Mas as notícias nacionais ou internacionais não estão mais ausentes. Num caso, pelo menos, observa-se que um grande jornal optou por colocar um informativo seu na rede, antes mesmo de imprimi-lo: foi o jornal Dallas Morning News, que lançou na Internet a notícia do atentado de Oklahoma antes de divulgá-la no noticiário impresso. Essa iniciativa foi recebida com desagrado pelos jornais escritos dos Estados Unidos, preocupados com a idéia de que a informação geral pudesse passar para o lado da Internet.

Enfim, o lucro da Internet: as receitas publicitárias. Os Estados Unidos lideram neste ponto: em 1996, as receitas publicitárias atingiram US$ 300 milhões. A Europa vem bem depois. A própria Alemanha recebe apenas US$ 3 milhões.

Os jornais tradicionais deram a impressão de que já superou seu "grande temor" diante da rede. Todos eles acompanham o processo de informação on-line, mas pararam de aumentar seus investimentos no setor: em 1996, segundo a diretora de Editors and Publisher, Marsha Stoltman, "os investimentos dos jornais diminuíram, o número de pessoas que trabalham na edição eletrônica permaneceu estável; de modo geral, os gastos para o desenvolvimento on-line diminuíram", afirmou.

Maturidade - Sinal de maturidade: os editores dos jornais on-line começam a preocupar-se com o conteúdo e a apresentação dos produtos na Internet. Um dos mais ilustres designers de jornais, Mário Garcia, que trabalha nos Estados Unidos, deu em Amsterdã lições de profissionalismo e discrição ao mesmo tempo.

Ele ridicularizou os sites repletos de imagens, parecidos com árvores de Natal de todas as cores. "O pano de fundo deve ser branco; nada de fundos em forma de tapeçaria", disse ele. A tela deve ser clara, dividida em três partes no máximo e, se for permitido usar cores, elas jamais deverão insinuar-se no próprio texto, que deve continuar rigorosamente em "preto e branco".

Quanto ao conteúdo, segundo o mesmo Mario Garcia, longe de tender a uma informação rudimentar, "básica", a Internet "deverá, ao contrário, fazer esforços de aprofundamento". "Na Internet, a escrita volta a readquirir sua força; a leitura volta a ser o essencial", disse. "Vamos escrever textos cada vez mais longos: precisamos tornar a escrever como jornalistas¿.

São estudos e prognósticos que irão diretamente ao coração daquelas pessoas - sejam leitores ou jornalistas - que acalentam a esperança de que os novos apoios da mídia não prejudicarão mais o saber, a profundidade ou a elegância dos textos que neles serão colocados.

Diário dos EUA deve perder anúncio para Internet

A onda de anúncio na Internet é uma verdadeira avalanche. Há um crescimento desproporcional à evolução da própria rede. As empresas de uma forma geral descobriram que as páginas da Internet colocam suas empresas por muito tempo a disposição do consumidor e ainda, com a possibilidade de atualização diária.

Os anúncios de carros, por exemplo, que contavam com cerca de 27% dos US$ 15 bilhões gastos em classificados no ano passado, estão crescendo na Internet. Sites como o Auto-By-Tel prometem roubar anúncios dos jornais ao oferecer informação de aproximadamente 2 mil negociantes de todo o país, com preços de carros novos e usados. O site até mesmo oferece seguro para os veículos.

Segundo o chefe de operações desta empresa, Mark Lorimer, "os jornais são muito bons para certas coisas, mas o que eles não conseguem fazer é oferecer dados mais complexos rapidamente, como preço, ano e modelo dos carros¿.

Em outro tipo de anúncio, disse Lorimer, os jornais não podem mesmo competir. "Não há comparação", afirmou. "Como pode uma seção de classificados de um jornal com 20 ou 30 anúncios competir com 10 mil?¿ Para David Stout, supervisor de manufatura de 37 anos, a agilidade da Internet é inigualável. Preocupados, executivos de jornais estão criando sites na Internet. Mais de 40% dos 1.500 diários norte-americanos têm um site na rede e a previsão é de que aumentem 60% até o fim do ano, disse James Conaghan, diretor de análise de mercado e negócios da Associação de Jornais da América.

No Brasil, um dos principais nomes do jornalismo e responsável pela edição do primeiro jornal digital do país, o site denominado OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA (http://www.uol.com.br/observatorio/), Alberto Dines, a respeito dessa forma de fazer jornal, concedeu a seguinte entrevista:

Gerson Martins: O que é jornalismo digital?

Alberto Dines: Jornalismo digital é, antes de tudo, jornalismo. O modo de transmissão não afeta seus compromissos básicos. As diferentes tecnologias, desde a invenção do telégrafo, na primeira metade do século passado, não mudaram a essência da atividade.

GM: Qual o futuro desse jornalismo?

A.D: Vejo-o como ferramenta para públicos selecionados e diversificados. Não o vejo competindo com os veículos de comunicação de massa. O nosso Observatório da Imprensa on-line é um exemplo: inestimável ferramenta para o profissional e estudioso com um público que aumenta a cada edição através da boca-a-boca. Mas a nossa edição impressa, mensal e resumida, está sendo disputada nas redações. Temos pedidos para 3.500 exemplares e só imprimimos 2.500 já que é uma doação, sob a forma de serviço, da XEROX.

GM: Os jornais impressos e eletrônicos (TV e rádio) serão prejudicados com esse tipo de jornalismo?

A.D: O jornalista inteligente e criativo, de rádio, TV, jornal ou revista, pode tirar grande proveito do serviço on-line, sejam base de dados como das versões on-line de veículos tradicionais. Nosso observatório porque tem acesso às versões on-line de diversos grandes jornais internacionais têm conseguido ¿furar¿ a grande imprensa (claro, sempre em questões de mídia). Conclusão: só tem medo de tecnologias quem não tem talento.




Postado por Guilherme, às 11:26 PM
Comentários:

Domingo, Julho 13, 2003

HIPERTEXTO e INTERNET
Por Ana Elisa Ribeiro
Professora das Oficinas de Texto A e B do curso de Comunicação Social da UFMG

No ensino médio nós aprendemos física e sabemos que lâmpadas podem trabalhar em série ou em paralelo. Sabemos que, por exemplo, se alguém retirar a lâmpada do meio da série, ela pode bloquear o funcionamento das lâmpadas que estão depois dela. Já quando trabalham em paralelo, as lâmpadas estão associadas numa espécie de rede e umas não comprometem as outras.

Agora pense naquela metáfora dos desenhos animados em que lâmpadas representam idéias. Como será que a mente humana funciona? Em série ou em paralelo? De que tipo de sistema precisamos para funcionar? Som, cheiro, cor, luz, contraste, linguagem verbal, percepção, propriocepção, etc. são ativados em série ou em rede?

Embora vez ou outra tenhamos a impressão de que certas pessoas funcionam em série (aqueles que não vêem enquanto comem, não andam enquanto falam, não beijam enquanto abraçam, etc.), a mente humana normal funciona em rede, fazendo milhares de associações ao mesmo tempo, de maneira muito ágil.

E foi pensando assim que o matemático Vannevar Bush decidiu montar um banco de dados, na década de 1940, diferente dos bancos que existiam. No dele, os sistemas processariam informações em rede, e não em série. Bush não achava que nossa cabeça funcionasse em série e foi assim que surgiu o conceito de hipertexto.

Alguns anos mais tarde, o conceito ganhou um nome: hipertexto. O pai do termo foi Theodore Nelson, que também estudava sistemas informáticos. Por isso é que a moda de usar a palavra hipertexto pegou primeiro no cenário da computação e depois foi contaminando outros cenários, até chegar às ciências cognitivas, à filosofia e à população que lida com a máquina.

Para quem quer saber mais sobre hipertexto, é imprescindível ler o filósofo francês Pierre Lévy (As tecnologias da inteligência, O que é o virtual?, Cibercultura, entre outros), o historiador Roger Chartier (A aventura do livro, Práticas da leitura, A ordem dos livros, entre outros), além de conhecer trabalhos feitos pela Faculdade de Comunicação da UFBA e da UFSC.

Para Lévy, o hipertexto é um texto que tem nós lincados uns nos outros e você vai navegando nele em profundidade. Chartier não faz esse tipo de distinção, mas também apresenta uma história do hipertexto muito anterior aos bancos de dados informáticos dos anos 40.

O hipertexto, segundo historiadores e filósofos, não é novidade. Sumários, notas de rodapé, paginação e índices remissivos são formas primitivas de hipertexto, ou seja, levam o leitor a navegar pelo texto em busca de algo de que precise ou que deseje. Assim, as diferenças entre esses hipertextos e os atuais seriam a velocidade e a natureza dos recursos.

Na internet, os jornais tiveram que fazer certas adaptações em seus formatos para ficarem adequados à leitura na tela, ao comportamento do leitor. A interface eletrônica tem características sutilmente diferentes da interface impressa. E isso tem razão de ser. Na tela, o leitor fica incomodado com a luz, por isso os textos devem ser mais curtos ou lincados em profundidade, devem estar escritos em fonte fácil de ler, em fundo que ofereça contraste confortável e não devem competir com bâneres cinéticos e piscantes. A não ser que a idéia seja mesmo desconcentrar o leitor do texto.

Se o hipertexto é um dos assuntos que interessam você, dê uma conferida dos livros de Lévy e Chartier (leiam-se Lêvi e Chartiê) e procure mais referências nas bibliotecas mais próximas. Pra fazer jornalismo na Internet é preciso aprender uma nova maneira de criar interfaces de leitura.


Postado por Tati, às 12:00 PM
Comentários:

Sábado, Julho 12, 2003


Sérgio Vaz é editor chefe do portal do Estadão. Nesta entrevista, publicada pelo site da Faculdade de Comunicação da UFBA, ele explica detalhes sobre o site do Estadão, faz comparações do jornal impresso com o digital e com outros jornais que também são disponibilizados na Internet e discorre sobre a interatividade entre os jornalistas e os leitores. Para ele, essa seria a maior vantagem da notícia na Internet (e para vocês? Não deixem de comentar). Mas o mais interessante é podermos compreender um pouco mais sobre como funciona um portal e como trabalham os jornalistas da WEB. A entrevista foi realizada no ano passado, mas ainda é bem atual.



"Panopticon - O estadao.com.br difere de outros sites jornalísticos brasileiros no que se refere ao uso do espaço. Como vocês da redação do 'Últimas Notícias' utilizam os recursos da WEB para prender o leitor, considerando-se a dicotomia: atenção limitada do leitor X espaço ilimitado do meio?
Sérgio Vaz -
Como vocês mesmo notaram, já que está dito na pergunta, o estadao.com.br difere dos demais no uso do espaço, especialmente do espaço na primeira página, a home main. Ao contrário do que acontece em todos os demais portais de notícia, nossa primeira página não tem formato prefixado, com templates fixas, em que apenas mudam os títulos. Nossa primeira é inteiramente aberta, sem camisa-de-força. Assim, podemos tratar cada notícia com o peso que ela merece; podemos usar corpos maiores para notícias de maior impacto; podemos abrir mais as fotos excepcionais e assim por diante. De resto, enfrentamos, como todos os sites, o problema de peso das páginas: uma página pesada demora mais para abrir, e isso afasta os leitores. Desta maneira, o espaço do meio não é tão ilimitado assim.

Panopticon - Quanto à transposição da versão impressa para o site, existe algum tipo de avaliação ou adequação para edição online? Quando isso é feito e a partir de que horas é disponibilizado esse material?
Sérgio Vaz -
A transposição tanto de O Estado de S. Paulo quanto do Jornal da Tarde para o portal estadao.com.br é feita logo após o fechamento dos jornais, entre as 22 horas e cerca de 1 hora da manhã. O material dos dois jornais está inteiramente disponível a partir daí: 1 hora da manhã. Lembro que apenas os jornais do Grupo Estado ficam inteiramente disponíveis na Internet, gratuitamente. Os demais são disponibilizam todo o seu conteúdo na rede. Esta foi uma decisão editorial do Grupo Estado.

Panopticon - Existe tolerância para o tamanho das notícias na WEB?
Sérgio Vaz -
Para as notícias, o espaço na Internet é, como vocês mesmos diziam, ilimitado. Por isso não há limitação de tamanho, no estadao.com.br. Há quem ache que notícias compridas não são lidas. Há quem ache tudo? Como diria o Millôr, livre achar é só achar. Eu, pessoalmente, acho que a importância da notícia define o tamanho que ela deve ter; se o leitor quiser ler só o lide, tudo bem, a opção é dele. Mas se a notícia merece ter 100 linhas, terá 100 linhas. Naturalmente, se temos uma informação importantíssima e urgente, entramos com o flash curto. Mas em seguida entramos com a informação mais consolidada. Aliás, esta é outra característica que nos diferencia de outros portais e sites de notícia. Ao contrário de muitos deles, nãopicamos notícia para parecer que temos um volume grande de informação. Nosso volume de notícias já é grande mesmo; não precisamos usar qualquer artifício para demonstrar isso.

Panopticon - No jornal impresso, as páginas delimitam a produção e matérias, o que não ocorre na versão online, que tem espaço ilimitado.Vocês aproveitam (para o site) as matéria que não foram veiculadas no impresso por falta de espaço?
Sérgio Vaz -
Sim, aproveitamos. A produção da Agência Estado e das redações dos dois jornais sem dúvida é muito maior do que os jornais em papel comportam; oportal utiliza diariamente matérias que não foram veiculadas na versão impressa.

Panopticon - Você acha que o modelo da Pirâmide Invertida é adequado à estrutura do texto jornalístico na WEB?
Sérgio Vaz -
Acho que sim. Até porque, assim como acontece no meio impresso, alguns leitores podem por falta de tempo, por opção, por preguiça, seja lá por que motivo for querer ler apenas os primeiros parágrafos de uma notícia ou de outra. Se os fatos mais fundamentais, mais básicos da notícia estiverem concentrados nos primeiros parágrafos, melhor.

Panopticon - Como fica a questão do valor notícia quando o que se busca é a informação em primeira mão e a alimentação contínua do sistema de último minuto com dados novos?
Sérgio Vaz -
Não creio que o que se deve buscar seja apenas a informação em primeira mão. A informação em primeira mão, rápida, imediata, é importante, é claro, mas não é tudo. Há todo um mundo de informações que se segue a uma notícia importante: os desenvolvimentos, os detalhes, as repercussões, as análises. Tudo isso é necessário, me parece, num portal de informações e é o que buscamos forecer aos leitores.

Panopticon - A ausência de um texto linear pode confundir o leitor? Há um padrão para o uso de links ou hipertextos no portal Estadão?
Sérgio Vaz -
Na verdade, acho até que o estadao.com.br usa menos links do que seria ideal. Não usamos mais por falta de tempo e de mais pessoas na redaçãopara editar o material. Mas nos esforçamos sempre para dar links para matérias relacionadas, no final de cada notícia.

Panopticon - O hipertexto garante ao leitor o poder de controlar o que ver. Você acha que isto pode mudar a rotina de produção e escolha das notícias publicadas na Internet?
Sérgio Vaz -
Francamente, não sei. Acho que um portal de notícias deve dar aosleitores o mais amplo leque de assuntos que for possível, para que cada leitor possa aproveitar a parte desse leque que interessa a ele.

Panopticon - No caso do Estado de S.Paulo, a edição do jornal impresso edo online se voltam complementares à utilização de indicadores como 'leia mais na versão impressa' ou 'veja mais na online'?
Sérgio Vaz -
Ainda não vínhamos fazendo isso de maneira regular e constante. Estamos, neste momento mesmo, discutindo formas e critérios de sermos maiscomplementares, o portal e o jornal impresso, com o portal dando mais detalhes (em boxes, quadros, retrancas complementares, íntegras) do que está publicado no jornal impresso.

Panopticon - Eu consegui entrevistar você somente devido à questão do recurso da interatividade, bastante aplicado no portal Estadão. Como esse recurso está influenciando o formato da notícia na Internet e a relação jornalista/leitor?
Sérgio Vaz -
Olhe, não sei quanto ao formato da notícia. Mas posso dizer, com todacerteza, que trabalhar com notícias na Internet dá um enorme prazer, graças à dimensão e ao imediatismo da resposta dos leitores. É uma coisa absolutamente fascinante a resposta dos leitores em volume e em rapidez. Outro dia botamos na home page uma enquete sobre a Seleção brasileira de futebol. Em cinco minutos, já tínhamos umas 20 respostas; em cinco horas, foram cerca de 2 mil. No mesmo dia entramos com outra enquete, sobre política: perguntamos ao leitor quem ele achava que tinha saído perdendo com o episódio da saída do pefelê do governo, no dia emque o pefelê anunciou a saída. Eu achei que fosse ter muito menos retorno do que a enquete de futebol. Pois o retorno foi ainda maior e sábio. A imensa maioria identificou claramente que a Roseana e o pefelê perderam. Na enquete sobre a Seleção, tivemos retorno de 2.176 leitores. Na do pefelê, foram 3.534. Um erro de português que a gente comete (e a gente comete muitos, infelizmente, na pressa; ainda bem que na Internet, ao contrário de no jornal impresso, dá pra consertar rapidinho...), e literalmente chovem e-mails de leitores. Os leitores protestam contra tudo o que eles julgam errado no material. É uma coisa maravilhosa. Costumo brincar com os amigos: isto aqui é um canhão. É um poder incrível."
(por Vanuza Ramos e Raquel Iglesias)



OBS.: Leiam entrevista feita pelo Rodrigo com Luciano Martins, publicada num dos primeiros posts deste blog! A revista digital Novae deu espaço para nosso projeto em sua seção de entrevistas. Para conferir, clique aqui.


Postado por Cris, às 11:28 AM
Comentários:

Sexta-feira, Julho 11, 2003

O VERDADEIRO PAPEL DO REDETOE DE WEB
Mario Lima Cavalcanti


A principal discussão na semana passada na lista Jornalistas da Web, que aborda questões do universo do jornalismo online, foi sobre qual é o real papel do redator de Web. Em agotso de 2002 já havia falado sobre o assunto, mas como o tema, que faz parte do cotidiano de muita gente da área, continua sendo uma polêmica, vale refletirmos novamente.

Mesmo após um ano, ainda vemos opiniões similares. Grande parte de quem deu pitaco na lista sobre o tema concorda com o fato de que o redator de Web deve estar familiarizado com os programas e tecnologias mais utilizados no dia-a-dia, como, por exemplo, o HTML ou as ferramentas de edição de imagens. É óbvio que o jornalista que trabalha no meio online não tem que de dominar por obrigatoriedade tais recursos, mas - até mesmo falando por experiência própria - estar ciente do que cada ferramenta faz e saber usá-las nos deixa com mais controle da situação.

Há quem defenda o "tradicional" papel do redator de somente, apurar, escrever e seguir pautas, sem ter a obrigação de dominar tecnologias. Mas cá entre nós, o Microsoft Word é uma ferramenta de edição de textos, e não imagino um jornalista em atividade nos dias de hoje que não saiba utilizar tal recurso. Outros jornalistas, como o brasiliense Alexandre Sena, possuem argumentos similares e bem interessantes: "Saber a codificação HTML, hoje, creio ser fundamental para quem trabalha com Internet. Não apenas a codificação manual, mas também o domínio de ferramentas de autoração em HTML (como o Dreamweaver). As empresas valorizam também quem trabalha com ferramentas gráficas (Flash, Photoshop, e outros) e linguagens de programação para sites dinâmicos (ASP, PHP, Coldfusion) e outros. Claro que você não precisa ser um super-homem e saber tudo quanto é linguagem ou ferramenta, mas quanto mais domínio você tiver, mais valorizado fica no mercado.", diz.

Se você está por dentro de como as ferramentas funcionam e/ou sabe utilizá-las, isso pode ser - e não estou querendo dizer que vai ser - uma carta na manga no que diz respeito a mercado de trabalho. E, ao se conhecer as tecnologias, você também pode interagir com os outros setores de uma empresa, como os de design e desenvolvimento. Alexandre Carvalho, editor de conteúdo do TI Master, portal sobre Tecnologia da Informação, ao contrário do que muitos pensam, ter conhecimento técnico de ferramentas não significa acúmulo de funções para o jornalista: "não existe uma regra que obrigue um redator/webwriter a ter o 'bom conhecimento técnico de ferramentas e linguagens da Web', mas posso te dizer com toda a segurança que isso ajuda um bocado, dependendo do trabalho que você for fazer. Não vejo como acúmulo de funções. Ainda que sua função seja apenas a de escrever, todo conhecimento é válido, mesmo que você nem vá utilizá-lo num futuro próximo. Tendo esse conhecimento, você pode, por exemplo, discutir idéias com o webmaster que trabalha contigo, mas falando a mesma língua, entende? Isso faz uma diferença enorme no final. Uma coisa é certa: na disputa por uma proposta de trabalho, ganha quem tem essa bagagem extra.", diz Carvalho.

Concordando com os colegas, em resumo, também vejo que, como jornalistas, é nosso papel "correr atrás" da utilização desses recursos, pois, no meio digital principalmente, eles sempre vão caminhar ao nosso lado.

Texto retirado do site www.comuniquese.com.br, 08/07/2003


Postado por Rodrigo, às 11:06 AM
Comentários:

Quinta-feira, Julho 10, 2003

NOVO PROFISSIONAL

Um dos pontos mais latentes da consolidação do Jornalismo Online é a mudança que esta modalidade tende a auferir na rotina de trabalho do jornalista. A transformação que pode ser vista com nitidez nas formas de produção, não é vislumbrada no conhecimento agregado daqueles que produzem o jornalismo. Algumas premissas indicam que os jornalistas não estão acompanhando o ritmo de mutação de sua profissão no meio digital. Num momento de tantas incertezas, surge a indagação indispensável: de quais elementos então deve se cercar o jornalista para estar preparado aos novos desafios impingidos pelo Jornalismo Online? Esta é uma preocupação que ganha força, na medida em que a demanda pela mão-de-obra qualificada aumenta.

Uma linha bastante compartilhada entre os profissionais de comunicação sugere que bastam apenas três coisas para o profissional: "Conhecimento, conhecimento e conhecimento". Muito além de parecer subjetiva, retórica, uma convicção como esta pressupõe que basta apenas uma adaptação, ainda que retilínea, para que a produção jornalística se adeqüe aos novos tempos. "Hoje em dia o jornalista, seja atuante ou recém-formado, deve agregar à sua formação todas as informações possíveis do novo meio", analisa Luiz Cirne, diretor de tecnologia e negócios, que hoje atua no planejamento e criação de web sites.

Por esse prisma, o jornalista deve conhecer como ninguém o meio, assim como as ferramentas de que dispõe no Jornalismo Online. Deve conhecer a rede mundial de computadores e saber como ela pode auxiliar sua produtividade no dia-a-dia. Isso, no entanto, pode não ser suficiente. "A capacidade de aprender mais rápido que seus competidores pode ser a única vantagem competitiva sustentável" Arie De Geus, autor de "The Living Company". Trocando em miúdos as palavras de De Geus: conhecer a tecnologia é indispensável; é até uma pré-condição. Saber usá-la com uma visão além do óbvio é a estratégia que realmente modifica o produto dos jornalistas. A internet está aí, à disposição de tantos quantos jornalistas se interessarem em conhecê-la. O diferencial, porém, está na capacidade de fazer uso produtivo e inteligente da mesma.

Texto retirado do site Texto Digital


Postado por Rodolfo, às 5:23 PM
Comentários:

Quarta-feira, Julho 09, 2003

TECNOLOGIA EMPOLGA, MAS PACIÊNCIA É A RECEITA
Os sites noticiosos não podem incorporar as novas possibilidades técnicas da web tendo em vista as limitações técnicas dos leitores


Propaganda de uma revista italiana vendendo o celular que tem máquina fotográfica acoplada

O material jornalístico disponível na Internet, faz parte de uma história em construção. Por isso, não há um padrão definido para o exercício consensual da nova mídia. Os fantásticos horizontes da confluência midiática geram uma permanente indefinição do produto final do trabalho do webjornalista. Acompanhando essa multiplicidade de linguagens que a Internet oferece (fotos, vídeos, texto, gráficos animados, etc) ocorre o fenômeno da constante desatualisação tecnológica, quer só vem agravar a problemática do fazer notícia para web.
Novas técnicas são inventadas a todo momento, e as discussões acaloradas e controversas se sucedem em tempo real. Até o momento, aqui no NOTÍCIA NA INTERNET, já debatemos as polêmicas relativas ao "papel eletrônico", aparentemente produto de ficção científica, e à produção de fotografias a partir de aparelhos celulares, levando a instantaneidade da captação e divulgação do fato às mãos de qualquer pessoa (inclusive às daquelas que não têm diploma jornalístico - daí o calor da discussão). Ambas nos parecem distantes da praticidade e é justamente esse o bom senso que deve ser compartilhado pelos profissionais envolvidos.
O bom layout de um site jornalístico deve respeitar as limitações da maior parte dos internautas. A resolução da página deve ser adequada à da maioria dos monitores para evitar problemas com barras de rolagem. Especialistas da Universidade de Yale revelam que a grande maioria dos usuários da rede mundial não tem paciência para descer a barra de rolagem, quanto mais para enquadrar a página na direita ou na esquerda.
Outro grande problema é o excesso de gráficos, fotos e animações logo de cara. Como a maior parte dos internautas conecta-se por acesso discado, o excesso de informações gráficas leva á lentidão do browser, que custa a dar conta de carregar a página. Pesquisadores indicam que a tolerância para que uma página se abra na internet, é a mesma para iniciar um documento no Office: 10 segundos. Passou disso, o ávido internauta indica o PARAR. É importante ter em mente que a característica básica definidora da linguagem da internet, é a dinâmica. Lentidão não combina com o processo.
O mundo técnico maravilhoso que encontra na Internet o campo fértil para o mix de várias linguagens como ferramentas noticiosas, deve ser explorado, sim. Mas com a cautela necessária à popularização das tecnologias - ou então perde-se o sentido da informação na web.


Postado por Fred, às 9:16 PM
Comentários:

Nova enquete

No menu à esquerda, você já pode votar na nossa nova enquete, respondendo:
Qual é o principal canal de mídia pelo qual você se mantém informado?

- Televisão
- Jornal impresso
- Rádio
- Internet
- Conversa de Bar

Confira abaixo o resultado final da enquete anterior:



ver comentários sobre essa enquete... deixe seu comentário sobre essa enquete...


Postado por Pedro, às 7:09 PM
Comentários:

Terça-feira, Julho 08, 2003

Vale a pena dar uma olhada nos vencedores do NetMedia European Online Journalism Awards 2003. A premiação existe desde 1999 e retrata a qualidade do jornalismo online europeu.


Postado por Pedro, às 3:49 PM
Comentários:

Sábado, Julho 05, 2003

Para confrontar as idéias do texto anterior, coloco agora um artigo publicado no site do Curso de Comunicação da UFBA. Segundo o artigo, a versão online de um jornal poderia estar ajudando a versão impressa a conseguir novos assinantes/leitores. A idéia é, portanto, completamente contrária à dos dados fornecidos pelo texto do post anterior. Vale a pena ler.

Versão online pode gerar assinantes para edição impressa


- por Mariana Rios e Daniel Freitas

"Versões online de jornais americanos estão mostrando que podem funcionar como importantes catalisadores na conquista de assinantes para a edição impressa. O site do jornal The New York Times chegou a vender 85 mil assinaturas para o impresso. O Boston.com angariou para a sua versão impressa, o The Boston Globe, um total de 15 mil assinantes. O poder de fogo da internet também se manifesta como uma extensão do meio tradicional. O mesmo The New York Times, tem uma circulação média mensal de pouco mais de um milhão de exemplares vendidos em bancas, enquanto três milhões e meio de pessoas acessam por mês suas páginas na Web.

Ao trazer essa realidade para o Brasil - a Bahia, em particular - o quadro sofre algumas modificações. O A Tarde, jornal de maior circulação no estado, mantém uma versão online desde 1996 e ainda não atraiu assinantes para o impresso. 'Mantemos um patamar de 30 mil assinantes em toda a Bahia e esse número não se alterou em decorrência do A Tarde Online, pois a internet é um fenômeno recente, ainda não consolidado no Brasil, e de público segmentado', avalia Amílton Barros, analista de marketing do jornal.

O jornalista Rosental Calmon Alves, professor knight chair na Universidade do Texas/EUA, aponta no texto Reinventando o Jornal na Internet, que a versão digital de um jornal continuará sendo um meio de comunicação a mais, com uma função perfeitamente complementar às dos meios tradicionais. Pesquisas internacionais - com estatísticas confirmadas no Brasil - indicam que os impactos negativos da internet são mais fortes em relação à televisão. Internautas que passam muito tempo na frente da tela de um computador não querem ficar de novo na frente de outra tela, a da TV. Mesmo assim, a internet está longe de 'canibalizar' outros meios. 'Não conheço um só caso documentado que mostre que notícias divulgadas na internet levam a uma queda de circulação do impresso', destaca Rosental Alves, um dos responsáveis pela edição do primeiro jornal online brasileiro - o Jornal do Brasil.

Tatiana Lima, coordenadora da Central de Dados e Informações (CDI) do jornal A Tarde, diz que a variação da venda de exemplares em bancas não tem razões específicas. 'Os jornais vendem mais em um dia, menos em outro por diversos motivos. A relação entre versões online e impressa ainda não se concretizou pelo menos aqui no A Tarde. O dia de maior número de vendas é o domingo, e isso não tem nada a ver com internet. O caso é que as pessoas têm mais tempo de ler no domingo', afirma ela.

O analista de marketing Amílton Barros vai além e salienta que a maneira de ler uma notícia na internet é diferente, pois o internauta dá uma 'zapeada', lê os assuntos na base da pesquisa e consulta. 'Além de ser mais barato e acessível, o jornal impresso conta com a seção dos classificados, de grande apelo popular. Ainda que a versão também disponibilize os classificados, não é a mesma coisa, pois no papel o leitor pode circular, recortar e carregar consigo para onde quiser', conclui."


Postado por Cris, às 12:02 PM
Comentários:


A matéria seguinte, publicada no site Mundo Digital, fornece dados e estatísticas que comprovam o impacto que a Internet causa na mídia impressa. Segundo a matéria, já é confirmado que os jornais impressos perderam leitores com o advento da Internet.

Novas mídias prejudicam a velha mídia


- Steve Outing

"Quando comecei a escrever esta coluna, há cerca de dois anos e meio, havia muita ansiedade entre os grupos editoriais sobre a possibilidade de que criar serviços on line prejudicasse seus produtos em mídia impressa. Será que criar um site na Web roubaria leitores de um jornal ou revista -especialmente porque o conteúdo é oferecido gratuitamente na Web e é preciso pagar por ele em mídia impressa?

(...) A Intelliquest também conduz pesquisas regulares de acompanhamento de uso da Internet para o mercado dos Estados Unidos, e observa os hábitos de consumo de mídia dos usuários da Internet. De acordo com o diretor executivo da Intelliquest para serviços relacionados à Internet, Tom Fornoff, no acompanhamento da audiência geral de usuários de mídia on line, a TV é que perde mais para a Internet; 26% dos usuários da Internet assistem menos televisão do que faziam um mês antes. A leitura em geral (livros, revistas e jornais) se sai melhor, com 10% dos usuários da Internet declarando que passaram menos tempo lendo do que no mês anterior. (Assim, o impacto mais forte que a PointCast exerce sobre os jornais, comparados à televisão, parece ser uma anomalia, ainda que isso possa ser explicado pela audiência composta pesadamente de executivos que favorece o serviço PointCast.)

(...) Os jornais saem-se melhor do que a TV, o que confirma as conclusões da Intelliquest. Os estudos Cyber Dialogue Find/SVP demonstram que 30% dos entusiastas da Internet passam menos tempo lendo jornais devido à Internet, enquanto entre outros grupos de consumidores, entre 11% e 20% registram passar menos tempo lendo jornais. Entre os usuários casuais da Internet e os novatos, apenas 7% passam menos tempo lendo jornais.

No geral, os números de Miller demonstram que 16% dos usuários da Internet registram uma queda na leitura de jornais e revistas, e 35% deles assistem menos televisão.(...)

Os números do Cyber Dialogue-Find/SVP demonstram que um pequeno número de usuários da Internet na realidade ampliou seu consumo de mídia tradicional. Dos usuários da Internet, 4% registraram assistir mais TV e 6% registraram ler mais jornais. Ainda assim, a tendência de queda da 'velha mídia' é evidente, já que entre 1996 e 1997 os estudos do grupo mostraram um aumento no número de usuários da Internet que lêem menos jornais e uma queda no número de usuários da Internet que lêem mais jornais.

Os usuários profissionais são os primeiros a mudar
Como o estudo encomendado pela PointCast evidencia, são os usuários profissionais que estão fazendo a transição mais rápida rumo à nova mídia e abandonando as antigas. Miller diz: 'Ouvimos muitas vezes, nos grupos de discussão, que os usuários empresariais estão lendo menos como resultado de assinarem serviços noticiosos on line. Não nos foi dito ainda que eles estejam cancelando assinaturas de publicações em mídia impressa, mas muitas vezes nos dizem que simplesmente não têm tempo, ou paciência, para ler tanto em mídia impressa como no passado. Para os consumidores comuns, pensamos que a situação não é tão séria'.

(...) Miller ressalta que os consumidores estão se adaptando rapidamente ao uso da Internet para fins comerciais, e quando desejam comprar alguma coisa têm usado a Internet, em lugar de mídia impressa, para identificar possíveis fornecedores e obter informações sobre produtos. Assim, 'a publicidade em mídia impressa pode estar sofrendo uma perda de impacto entre os consumidores que usam serviços on line, mesmo que as publicações em mídia impressa não estejam sofrendo uma perda direta de assinantes', diz. 'É difícil quantificar essa tendência, mas estamos certos de que ela está em vigor, devido aos comentários que ouvimos em grupos de discussão'.

Perda de leitores confirmada
Miller diz que sua companhia já realizou trabalhos de pesquisa por encomenda que sugerem que 'o site noticioso na Web de uma companhia jornalística tradicional pode claramente causar queda no uso do produto principal do grupo. Acredito que nossas pesquisas mais gerais confirmem essa probabilidade simplesmente porque as notícias on line respondem agora por cerca de 20% do total de notícias absorvidas pelas pessoas que usam mídia on line. Isso significa que elas precisam vir de algum lugar'.

(...) Os grupos editoriais costumavam se animar com a idéia de que um site noticioso na Web poderia de fato ampliar as vendas de publicações em mídia impressa, ao expor o jornal a novas audiências. Se esse era o caso no começo da revolução da editoração via Internet, não parece que seja verdade hoje em dia. (Em minhas reportagens anteriores sobre a indústria da notícia na Internet, encontrei consideráveis referências não-estatísticas ao fato de que os sites de jornais na Web podem ajudar -ainda que de forma bastante modesta- o produto central em mídia impressa.)

O que os grupos editoriais devem fazer a esse respeito? A resposta deveria ser óbvia. O uso de serviços on line -que agora atraem 57 milhões de pessoas com mais de 16 anos de idade nos Estados Unidos- está tendo impacto sobre mídias tradicionais como jornais, revistas e televisão. Não é mais uma conjetura; agora há dados de pesquisa que confirmam a tendência. E à medida que crescer ainda mais o uso da Internet, a mídia tradicional continuará pouco a pouco a perder espaço para a mídia on line.

Isso deveria ser um sinal de alerta para todos aqueles que ainda duvidam do impacto que a Internet pode ter sobre a publicação de notícias tradicionais. Jornais, revistas e estações de TV devem ampliar seus esforços para conquistar receitas com seus empreendimentos na Internet. A alternativa é ver o uso da Internet continuar a erodir seu núcleo básico de negócios, e não ter receitas advindas de outros negócios para compensar o dinheiro perdido.
"


Postado por Cris, às 11:52 AM
Comentários:

Sexta-feira, Julho 04, 2003

PAPEL ELETRÔNICO
Mario Lima Cavalcanti

Papel eletrônico?! Isso mesmo. O The Times, de Londres, considerado um dos jornais mais tradicionais do mundo, está anunciando o lançamento de uma versão em papel eletrônico (ou e-paper) para o final desse mês. A edição, segundo o site dotJournalism - especializado em cobrir o cenário jornalístico com foco em veículos britânicos -, terá a estrutura, aparência e conteúdo do jornal convencional, mas com recursos digitais como hiperlinks e sistema de busca. Outro britânico, o The Daily Telegraph, anunciou também ainda para este ano uma edição em papel eletrônico. Ambos esperam conseguir mais assinantes para a edição online a partir deste novo veículo.

Por trás da tecnologia

Em novembro do ano passado foi apresentado um formato de jornal em papel eletrônico desenvolvido especialmente para tablet-PC. O The Times afirma para este ano o lançamento do primeiro jornal em e-paper com vida própria (que não precisa de um tablet-PC, por exemplo, para ser lido). Mas a empresa de tecnologia mais avançada no assunto, a norte-americana E-Ink, em conjunto com a Philips, anunciou que papéis eletrônicos com aplicações comerciais usando os seus recursos só estarão no mercado em 2004.

A tecnologia de papel eletrônico da E-Ink consiste em uma espécie de folha flexível composta de uma placa de aço inoxidável com uma camada de circuitos que ficam responsáveis pelo gerenciamento da chamada tinta eletrônica. Segundo o press-release oficial no site da E-Ink, a tinta é formada por cápsulas com o diâmetro de um cabelo humano. Cada cápsula contém micropartículas brancas e pretas, que flutuam em um líquido. Voltagens negativas emitidas pelos circuitos fazem com que as micropartículas pretas fiquem expostas, formando determinados desenhos visíveis para o usuário. A folha possui a espessura de três fios de cabelo e 7,5 cm de largura. Com essas medidas, o e-paper promete ser bem atraente e fácil de ser lido até em um metrô lotado. As empresas estudam agora como ajustar o layout dos jornais impressos às dimensões dos e-papers.

Tanto a empresa E-Ink quanto toda essa tecnologia nasceram no Instituto de Tecnologia de Massachussets, o MIT. E o pessoal da E-Ink espera que, com o e-paper, logo possamos viver um mundo de jornais eletrônicos recarregáveis em pontos públicos ou até mesmo dentro da própria residência como acontece em filmes de ficção como o recente Minority Report. Já o Bill Gates, acredita que esse formato sim poderá acabar com os impressos. Eu continuo achando que não.

Quanto ao The Times e ao Daily Telegraph, resta esperar para ver se lançarão mesmo suas respectivas edições em e-paper esse ano. Agora, se os dois jornais britânicos vão conseguir anunciantes para as edições Web a partir do novo modelo em papel eletrônico, aí é outra história...

Texto retirado do site www.comuniquese.com.br, 20/05/2003





Postado por Rodrigo, às 12:19 PM
Comentários:

Quinta-feira, Julho 03, 2003

TEXTO DA WEB

Desde o início da internet, um assunto é bastante debatido junto aos estudiosos da área: o texto na Web. Algumas orientações, já testadas, aos poucos se consolidam. É o que veremos a seguir:



O texto na web deve ser mais curto que o impresso

Devemos levar em conta que, devido à resolução da tela, a leitura via internet é mais lenta que a leitura de um jornal ou revista impressa. Assim, o texto na web deve ser mais curto, como afirma Jakob Nielsen, PhD e uma das maiores autoridades em desenho de interfaces e sites de internet do mundo.

Lembrando que o texto mais curto não implica numa notícia mais curta. Se o fato necessitar de mais conteúdo, o jornalista pode usar o hipertexto e permitir que o internauta escolha a notícia completa ou não.


Use links para tornar o texto completo

Se o webjornalista sentir a necessidade de enriquecer mais o seu texto, tornando-o mais completo, ele pode fazer uso de links. Esta é a grande diferença do texto na Web.


Escreva frases e parágrafos curtos

Um fenômeno que vem se consolidando ao longo dos séculos é a diminuição das frases. Na web, elas devem ser curtas, como também os parágrafos, que devem ter no máximo 5 ou 6 linhas. Assim, a leitura fica mais fácil e agradável.


Edite os textos quando importá-los

É um erro importar textos de uma publicação impressa, sem antes apurar as informações e, principalmente, editá-los.


Valorize intertítulos e subtítulos

Uma dica importante é valorizar os intertítulos e subtítulos, para dar dinamismo ao texto.


Como e quando usar a gramática?

É importante saber como e quando usar adjetivos, anos, aspas, endereços, horários, números, leads, parágrafos, verbos, entre outros.


Escreva em pirâmide invertida

A técnica da pirâmide invertida, informações mais importantes no início do texto, continua valendo para a internet.



Dê ao leitor o que ele pede

É imprescindível conhecer o perfil do seu leitor, assim você irá disponibilizar o que ele procura.


Textos com qualidade ou quantidade?

O texto na Web pode escrito valorizando a quantidade aliado à velocidade (as notícias de minuto) ou à qualidade, de forma mais elaborada, com links, áudio, vídeo etc.


Planeje, pesquise, organize, escreva e edite o seu texto

Regra geral: o processo de redação é classificado em 5 etapas: planejamento, pesquisa, organização, escrita e reescrita [ou seja, edição]. O fato de a notícia ser feita para a web não implica em pular etapas.


Editar de qualquer lugar do mundo

A edição do conteúdo online não se esgota. Você pode acrescentar ou mudar algo a qualquer hora, de qualquer lugar do mundo.


Texto longo = histórias separadas

Se uma matéria for apresentada em mais de uma tela, escreva cada bloco como histórias separadas. Isso porque a gente não sabe qual a ordem que o leitor vai escolher depois da informação principal.


Texto retirado do site Guia do Webjornalista


Postado por Rodolfo, às 9:03 PM
Comentários:

Quarta-feira, Julho 02, 2003

TENDÊNCIAS DO WEBJORNALISMO
Mais um bom texto do www.guiadowebjornalista.com.br

Nunca um meio de comunicação evoluiu numa velocidade tão rápida como a internet. Por isso, apresentamos algumas tendências do webjornalismo para um futuro - que acreditamos ser - não muito distante.

O acesso mais intenso à internet mudará a forma de se fazer jornalismo online

Para a editora do jornal "A Tarde Online", Tatiana Lima, o webjornalismo caminha para a exploração mais intensa da interatividade e multimídia. Ela acredita também que à medida que a informática ficar mais popular e as pessoas terem mais acesso à internet, surgirão outras demandas de pauta, cobertura e colaborações.

Acesso mais rápido = Atualização mais rápida

O jornalismo online tem crescido muito, assim como o número de pessoas que estão se conectando à Rede. A velocidade de acesso está cada vez maior e o tempo de atualização dos webjornais, por exemplo, fica cada vez menor, proporcionando uma diferença mínima entre a ocorrência do fato e a recepção da notícia.

Informação instantânea e imagens em tempo real

As transmissões da Copa do Mundo de Futebol de 1998, na França, serviram de exemplo do que provavelmente será o jornalismo online no futuro. Os resultados eram dados instantaneamente no site oficial, interligando vários servidores espalhados pelo país. Além disso, o site da CBF continha câmeras posicionadas no hotel de concentração do time brasileiro, transmitindo imagens em tempo real.

A Banda Larga traz consigo o verdadeiro jornalismo online

Segundo Bruno Rodrigues, colunista do site "Jornalistas da Web" e autor do livro Webriting - Pensando o Texto para a Mídia Digital, o verdadeiro jornalismo online só existirá quando todos nós tivermos possibilidade de usar a banda larga com os benefícios que ela nos possibilita. Tais como: o uso do vídeo, do áudio e da animação sem grandes preocupações com o "carregando...".

As notícias serão personalizadas à preferência do leitor

Outra grande tendência do jornalismo online nos próximos anos é a personalização da informação cada vez mais evidente. Na era da pós-informação, tudo é feito por encomenda, extremamente personalizado. Por isso, o Newsletter - boletim que o usuário recebe com notícias selecionadas após cadastro de e-mail - é considerado um instrumento poderoso da Web.

O limite dos usuários pode adiar as mudanças de um webjornal

Até que os novos recursos tecnológicos se firmem no mercado, como é o caso da banda larga, é preciso ter uma certa precaução. Saber se os usuários possuem browsers que suportam essas novas tecnologias é um bom começo! Isso porque, o fato de as tecnologias existirem não quer dizer que os usuários poderão possui-las imediatamente. Assim, é melhor esperar um pouco e abusar da criatividade!

Os blogs se multiplicam numa velocidade incrível!

Os WebLogs - conhecidos popularmente como blogs - são diários virtuais, onde você poderá disponibilizar pensamentos, idéias e tudo o que imaginar na internet. São fáceis de serem produzidos, geralmente são direcionados a um tema específico e possuem espaço para fórum de discussão sobre o mesmo. O seu crescimento está ligado, entre outros motivos, a existência de sites que se propõem a auxiliar o internauta na produção de seus blogs, como por exemplo o www.weblogger.com.br.

As televisões online ganharão destaque na Web

No webjornalismo, o que com certeza se tornará mais comum são as informações multimídia complementares, afirma o diretor de conteúdo do site "Jornalistas da Web", Mário Lima Cavalcanti. "Creio que o número de televisões feitas para o meio online, inclusive com grades de programação e segmentos, crescerá bastante", complementa.


Postado por Guilherme, às 4:33 PM
Comentários:

Segunda-feira, Junho 30, 2003

LEITOR WEB.
Retirado do site www.guiadowebjornalista.com.br

Um aumento no número de internautas no Brasil

O número de internautas brasileiros que freqüentaram sites de notícias a partir de suas casas aumentou 130% em um ano (junho 2001/2002), segundo o Ibope eRatings. O levantamento aponta que a audiência passou de 1.226.221 usuários para 2.854.495 usuários.

Leitores em ascensão. Qualidade já é uma característica forte

Apesar do número de internautas que acessam sites de notícias no Brasil ainda ser baixo em relação a países da América do Norte e da Europa, a qualidade faz a diferença. Isso porque o internauta brasileiro, em termos econômicos, sociais e de poder de consumo, tem um grau muito mais elevado que a média da população do Brasil.

O grau de escolaridade dos internautas brasileiros

Segundo Marcelo Coutinho, diretor de Análise do Ibope eRatings, os internautas brasileiros que acessam a rede em casa têm elevado grau de escolaridade (21% possuem nível superior e 10,6% pós-graduação, somando 31,6%). Na população brasileira em geral, este número não passa de 14%, segundo o IBGE

O leitor web quer um texto mais curto comparado ao impresso

Pesquisas realizadas por Jakob Nielsen, diretor do Nielsen Normal Group, que desenvolve estudos para facilitar o uso da internet, demonstram que ler na Web é 25% mais difícil por causa da resolução da tela. Assim, o leitor espera encontrar textos aproximadamente 50% mais curtos que os de veículos impressos.

Atraia o leitor com bons títulos e sumários

O conteúdo é fator determinante para o ciberleitor na busca de informações na rede. O primeiro passo para atrai-lo são os títulos e sumários. Chamados de scanners, a maioria deles lê os textos superficialmente da mesma forma que faz o leitor do jornal impresso.

O que o internauta procura na internet?

Grande parte dos leitores busca as páginas de esporte, as notícias de última hora (plantão), informações de como ganhar dinheiro, entretenimento e de como tornar a vida melhor. A satisfação pessoal! Ele quer agilidade, interatividade e precisa poder confiar nas informações publicadas na internet.

O leitor quer o que não está em outro veículo naquele momento

O leitor web espera que a internet mantenha todas as informações disponíveis para que ele possa acessá-la na hora em que quiser. Quer ver notícias que não vão passar na TV, pois não é hora do telejornal; nem estarão no jornal impresso, pois ele só sairá no dia seguinte.

O leitor em tela é mais ativo que o leitor em papel
Ler em tela é, antes mesmo de interpretar, enviar um comando a um computador para que projete esta ou aquela realização parcial do texto sobre uma pequena superfície luminosa. Por isso, o leitor em tela é mais ativo.

Afinal, quem é o leitor de internet?

É difícil responder a essa pergunta. Uma luz talvez seja o estudo feito pela jornalista Luciana Moherdaui, editora do Guia do Estilo Web. Ela aplicou alguns questionários de pesquisa*, a estudantes de comunicação de São Paulo, para traçar um perfil do leitor web. Em linhas gerais, o estudo diz que a maioria dos entrevistados:

a) Afirma que a notícia tem que evidenciar o título das matérias.

b) Gasta de 15 a 30 minutos para se atualizar em sites de notícias.

c) Ao receber informação pela internet, procura informações mais detalhadas em veículos tradicionais.

d) Prefere ler notícias organizadas em blocos de texto, com recursos de hipertexto.

e) Prefere o texto objetivo e sem adjetivos desnecessários.

f) Diz ler jornais na internet.

g) Tem acesso à internet, sendo 47% de casa e 34% da universidade.

h) Passou a assistir a menos TV desde que acessou a Web.

i) Usa a internet para acessar a conta de e-mail e para pesquisar.

* Pesquisa realizada em 1999.


Postado por Guilherme, às 4:19 PM
Comentários:

Domingo, Junho 29, 2003

A "GRANDE IMPRENSA" BRASILEIRA NA INTERNET
Monique Cabral Abrantes
As primeiras versões eletrônicas dos principais jornais brasileiros começaram a surgir com a difusão da Internet no Brasil, a partir de 1995. Hoje, as versões on-line dos principais jornais e revistas do país oferecem dados e informações complementares que ficaram de fora da edição em papel, além de matérias exclusivas para a rede. Contudo, ainda não pensam a Internet como nova mídia, em que um outro tipo de conteúdo deve ser veiculado com uma linguagem diferenciada.

Segundo Caio Túlio Costa, diretor de conteúdo do maior portal brasileiro na Internet, o UOL, os jornais brasileiros ainda estão muito presos ao seu conteúdo impresso em suas publicações eletrônicas e não exploram os recursos audiovisuais que a nova mídia permite.

"Convivemos ainda com a transposição preguiçosa de conteúdos impressos para a mídia online - vide a versão online da maioria dos jornais e revistas que exploram pouco os recursos desta nova mídia - principalmente a interação.¿

De acordo com Arthur Dapieve, colunista semanal do jornal O Globo e diário da publicação eletrônica NO., "os jornais brasileiros na Internet ainda são muito novos e estão em constante reedição, engatinhando no que seja o fazer jornalismo para a Web. A tendência é que se crie um ambiente informativo voltado para o usuário e que o conteúdo seja disponibilizado de todas as maneiras possíveis: áudio, vídeo, gráficos,..."

A estruturação do conteúdo dos jornais nacionais na Internet tem uma tendência marcante de agrupamento de diversos veículos de uma mesma empresa dentro de um portal geral de conteúdo. Estes portais são estruturados de forma que exista um intercâmbio de informações entre as publicações. O usuário que vai em busca da versão online de um jornal impresso, por exemplo, sente-se perdido em um ambiente tão complexo.

Um exemplo claro disso é o portal www.estadao.com.br, que engloba: O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde, Rádio Eldorado, Agência Estado e Listas Oesp. O Zero Hora, de Porto Alegre, também está integrado a um portal: o clicRBS - que engloba 17 emissoras de televisão, dez de rádio e cinco jornais. A Folha de São Paulo criou o Folhaonline, no qual disponibiliza conteúdo intimamente ligado ao UOL. O Globo online é o site que menos aparenta congregar informações de outros veículos - mesmo porque ele já é um subproduto do portal Globo.com. O JB online também não apresenta esta tendência, agregando apenas a rádio JB FM e a rádio Cidade, que não são tipicamente noticiosas.

Texto retirado do site www.jornalismonainternet.hpg.ig.com.br


Postado por Tati, às 9:48 AM
Comentários:

Sábado, Junho 28, 2003

O blog é um espaço muito recente dentro da Internet. Até pouco tempo atrás, só era usado para as pessoas escreverem seus diários, registrarem seu dia-a-dia, colocarem as letras de música favoritas... Mas de uns tempos pra cá o número de blogs com conteúdo jornalístico cresceu muito. Jornalistas passaram a escrever sobre os fatos não-publicados em seus jornais e outras pessoas começaram a buscar informações e passá-las pra frente, sob seu ponto de vista. Cresceu, assim, uma mídia independente e alternativa, com muito mais liberdade que as grandes empresas de jornais.

É mais ou menos isso que faço no meu blog. Seleciono matérias, reportagens e análises de jornais do país inteiro e publico, emitindo opinião. Nossos leitores (já chegamos a uma média de 540 visitas diárias, mas hoje são só 60) aparecem diariamente e podem apreender as informações do dia de uma maneira muito mais prática. Depois de lerem tudo, podem concordar ou discordar de nossa opinião, levantar discussões, dar sugestões. Isso sem falar na possibilidade de importarem nosso textos para seus blogs e trocarem links pela rede, ampliando a cadeia de informadores.

Essa troca de idéias faz com que os leitores fiquem muito mais próximos dos jornalistas. E, além disso, promove uma maior reflexão sobre as notícias que lemos todos os dias. Essa seria, afinal, a principal função do Jornalismo e é isso que muitas pessoas buscam - e não encontram nos veículos impressos. Os blogs tornaram-se canais legítimos de mídia e ganharam credibilidade.

No artigo seguinte, publicado no caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo, Nelson Ascher faz uma análise sobre a imprensa, desde a época de Gutenberg até os novíssimos blogs. E discute como eles vêm expandindo e que função vão exercer na sociedade atual.

De Gutenberg à blogosfera


NELSON ASCHER


A impressão com caracteres móveis (tipografia), desenvolvida em meados do século 15 por Johannes Gutenberg (1397-1468), decorreu menos de qualquer invenção original do que da convergência de inúmeros avanços técnicos que, em áreas tão variadas como a produção de vinho e azeite (onde se usava a prensa), o comércio (que permitiu a difusão na Europa do papel inventado pelos chineses) ou a metalurgia, vinham se acumulando havia séculos.

Se, de início, limitando-se aos textos com os quais a autoridade religiosa se justificava, essa maneira de produzir livros favoreceu as forças da tradição, em meio século, graças aos exemplares exponencialmente multiplicados por impressores e tradutores, uns tão heréticos quanto os outros, a Bíblia, tornando-se acessível a novos leitores, incentivou alguns destes a usar a letra dos textos sagrados para questionar o monopólio oficial de interpretá-los.

As relações entre produção em massa de livros, reforma protestante, alfabetização universal, separação entre igreja e Estado, democracia representativa e autonomia do indivíduo são infinitamente complexas, mas nem por isso menos óbvias. Já faz pelo menos meio milênio que a liberdade política se nutre do acesso desimpedido à informação e de sua contrapartida natural, o direito de supri-la. O adjetivo "desimpedido" equivale à garantia de que qualquer um possa fornecer e/ou receber a informação que bem entender, avaliando-a, em última instância, segundo suas próprias luzes. Quinhentos anos de tentativas e erros demonstraram que todo monitoramento de sua circulação resulta sempre na corrosão da liberdade.

Uma das principais razões da derrocada dos regimes comunistas europeus em 1989 foi a contradição, afinal irresolúvel, entre, por um lado, a necessidade crescente do trânsito de informações em sociedades cada vez mais complexas e, por outro, um modelo político incapaz de sobreviver sem controlá-lo. Não há ideologia autoritária de esquerda ou direita que simpatize com os meios de comunicação de massa, exceto, é claro, quando se encontram nas mãos de seus seguidores.

O surgimento da blogosfera no mundo anglófono e sua transformação qualitativa, em menos de dois anos, numa instância ou espaço dotado de características específicas e de dinâmica própria resultaram igualmente de uma longa série de progressos tecnológicos graduais convergindo num momento histórico preciso que, por diversas razões, quase parecia requerer sua criação.

A blogosfera, por exemplo, se não o rompe de todo, seguramente relativiza o nexo que a tecnologia pesada da televisão reforçara entre difusão de informação e poder econômico ou estatal, resolvendo, através de uma "terceira via", o impasse entre quem pregava soluções estatizantes para o controle empresarial dos meios de comunicação e os que combatiam seu controle estatal propondo alternativas empresariais. A terceira via em questão nada mais é que uma devolução de poder à sociedade civil.

Se bem que seja cedo demais para saber quão profunda há de ser a influência da blogosfera anglo-americana, seu efeito sobre a mídia impressa e eletrônica, ou mesmo se se trata de algo que veio para ficar, pode-se dizer que ela se assemelha, por enquanto, a um exército ou a um corpo de bombeiros formado de voluntários, pois, reunindo-se em momentos de crise, tende a dispersar-se tão logo esta se resolva. Aos meses de "blogagem" frenética que acompanharam primeiro o conflito diplomático que precedeu a guerra no Iraque e, então, a própria guerra, seguiu-se um período substancialmente mais ralo. Como a massa crítica de blogs políticos surgidos no contexto da guerra quente entre os EUA e o islamismo radical são mais ou menos monotemáticos, eles não têm com o que (nem por que) encher seu espaço virtual quando o conflito esfria temporariamente, algo que nem a imprensa nem a TV podem deixar acontecer.

Outro fator importante é que, na maioria das vezes, a blogosfera não produz informação: somente a discute, coteja, filtra. Uma de suas funções tem sido justamente a triagem de notícias. Embora a internet coloque à disposição do leitor centenas ou milhares de jornais, revistas, webzines, quem é que dispõe de tempo para ler uma parte significativa do total? E mesmo se tempo não fosse um problema, caso consideremos a altíssima taxa de redundância, valeria a pena? Os blogs, de acordo com seus interesses, preferências e pendores ideológicos, oferecem comentários e estabelecem os links que julgam necessários, enquanto o leitor, por seu turno, após visitar vários, voltará, por razões de utilidade e/ou afinidade e/ou credibilidade, a alguns poucos, tornando-se seu frequentador. Assim, se a blogosfera concorre diretamente com as páginas editorialísticas e de opinião da grande imprensa, ela não substitui e pode, aliás, estimular o que esta faz melhor (quando o faz): reportagens, sobretudo as investigativas.

Muitos comentaristas, constatando que os modelos políticos e econômicos adotados pelos países que falam inglês se parecem mais entre si do que com os do resto do planeta, inclusive os da Europa continental, começaram a adotar o termo "anglosfera". O atual emaranhamento acelerado das malhas da internet, além de representar um novo capítulo da globalização, envolve um desdobramento que não deixará os antiglobalistas felizes, pois, estreitando os vínculos informais entre americanos, britânicos, australianos etc. e incorporando mais internautas ao universo da anglofonia, ele aumenta a influência da língua inglesa e de tudo o que esta veicula.





Sugestão de blogs com conteúdo jornalístico:
Blog EmCrise
Alfarrábio
Butuca Ligada


Postado por Cris, às 5:14 PM
Comentários:

Sexta-feira, Junho 27, 2003

UMA CADEIA INFINITA DE ÂNCORAS
Mario Lima Cavalcanti

A todo instante presenciamos a criação de novos dispositivos de registro de imagens - sejam eles videofones, telefones de celulares, câmeras digitais etc - cada vez menores, mais práticos e mais avançados. Aos poucos, tais dispositivos vão se tornando parte do nosso cotidiano. Hoje em dia não é mais tão difícil encontrar uma pessoa com um telefone celular equipado com câmera digital.

Pensando nisso, um magazine impresso da Suécia chamado Nöjesguiden, que faz coberturas da cidade de Estocolmo, publicou na edição desse mês um insert de oito páginas produzido inteiramente por alguns leitores. A revista equipou os escolhidos com telefones celulares Nokia 3650, que possuem câmeras embutidas (nos Estados Unidos é comum o uso do termo camera phones para se referir a esse tipo de celular), e deu a eles algumas pautas.

Tal aposta da publicação me fez pensar no que a popularização desses dispositivos pode significar. Daqui há alguns anos, quando for comum o uso de camera phones e o preço de câmeras e filmadoras digitais cair por causa do lançamento de outras mais sofisticadas, o que teremos é uma verdadeira cadeia infinita de âncoras. Os veículos provavelmente estarão antenados a procura de um furo dado por um indivíduo comum com um aparelho desses. Ao mesmo tempo, será quase que obrigatório que os repórteres tenham sempre a mão um dispositivo de registro de imagens.

"Atualmente, diversos veículos, principalmente o rádio, possuem programas basicamente formados por notícias enviadas dos ouvintes. Esse exemplo é facilmente notado nos programas onde os ouvintes ligam do celular para informar a situação do trânsito no local onde ele se encontra. A inovação realizada pela revista foi a diversificação, pois esse tipo de ajuda do leitor/ouvinte é apenas permitidas em programas sobre o trânsito", acredita André de Abreu, arquiteto de informação da área de e-learning da Universidade Anhembi Morumbi.

Ana Lúcia Araújo, jornalista especializada em comunicação online, faz uma certa comparação da atitude da revista com os weblogs: "O que a revista sueca conseguiu não me parece muito distante do que vemos diariamente estampado nos blogs de jovens pelo mundo. Âncoras de suas realidades, bairros, ruas, escolas, faculdades etc. É inegável que muitos desses diários virtuais acabam nos mantendo mais bem informados sobre alguns grupos ou específicas regiões do mundo do que a imprensa de comunicação de massa. A iniciativa sueca, no entanto, me parece mais corajosa do que original. Não conheço as leis de imprensa daquele país, mas uma atitude como essa me parece muito saborosa para o leitor e bem pouco confortável para os jornalistas", diz.

André acredita ainda que apostas como a da revista sueca podem gerar pautas bem interessantes, mas a autenticidae da informação deve ser verificada: "Mesmo que essa tendência pegue - e espero que sim porque isso vai gerar pautas bastante criativas e interessantes - o papel do jornalista será fundamental. Afinal, esse tipo de informação precisa ser checado ou acrescido de contextualização e informações extras colhidas por profissional no assunto. Uma publicação como essa precisa de algum profissional que confira a autenticidade da informação", diz André.

A impressão que tive quando li sobre o feito do magazine sueco é que, em um futuro não muito distante, o uso de conteúdo gerado por leitores com dispositivos como o Nokia 3650 será bem comum entre os veículos. Isso parece ser inevitável. Logo, cabe a essas publicações ter uma política séria em relação a verificação da autencidade do material. E é certo que haverá uma transformação - não na maneira de se fazer jornalismo, mas no cotidiano social e no que diz respeito ao uso de informações obtidas por leitores - quando quase todos os membros de uma sociedade tiver a possibilidade de registrar um fato a partir de áudio e vídeo.

Texto retirado do site www.comuniquese.com.br, 03/06/2003


Postado por Rodrigo, às 11:38 AM
Comentários:

Quinta-feira, Junho 26, 2003

OPINIÃO
Tradicionalismo & Modernidade

À medida que dedicamos certo tempo para a pesquisa, passamos a observar alguns processos antes sem importância alguma, que acabavam por se tornar imperceptíveis. Conseqüentemente desenvolvemos uma visão crítica daquilo que nos é passado ou imposto. Digo isso por minha própria experiência. Via os fenômenos relativos ao "jornalismo virtual" apenas superficialmente, sem poder analisá-los ou criticá-los.

Introduzo dessa maneira para expor meu ponto de vista relativo à polêmica que se faz em torno do Jornalismo Impresso X Jornalismo Virtual. Dentre as diversas discussões acerca do tema, a maioria aborda uma perspectiva pessimista, conduzindo a uma conclusão de que a existência de um independe do outro ou que a tendência é de que a modernidade venha a acabar com os costumes tradicionais.

No entanto, acredito que por trás de tudo isso, ao contrário do que se parece, existe uma relação fortemente harmônica entre as duas formas de se fazer jornalismo, sendo assim capaz de superar os pequenos conflitos existentes entre ambos. O jornalismo virtual surgiu a partir do jornalismo impresso, sendo esse último a matriz geradora. O primeiro, mesmo que apresentando novas características, dentre elas a exploração da interatividade, ainda se faz aos moldes do tradicional, pois há uma cultura criada e consolidada em relação ao termo geral "Jornalismo". Mais do que tudo isso, se observarmos atentamente o dia a dia das grandes redações, podemos perceber que aquelas que exploram tanto o jornalismo impresso quanto o virtual, têm buscado criar um laço forte de ligação entre as duas formas. Isso é benéfico à medida que intensifica a interdependência entre ambos. Um exemplo claro disso seria a Veja, que tem divulgado em suas edições impressas uma página inteira para a propaganda e divulgação de suas edições on-line. Isso exemplifica um sistema de parceria que se tem explorado por essas empresas midiáticas, em que uma forma de se fazer jornalismo tem dado apoio e sustentação à outra. É muito mais fácil pensar numa relação simbiótica entre o tradicional e o novo.

Tudo isso me leva a concluir que a tendência não é a extinção do jornalismo tradicional, e sim uma divisão e balanceamento entre as duas maneiras de se fazer jornalismo. Percebe-se que um acaba dependendo do outro, o que fortalece e assegura a maior vitalidade de ambos.

A modernidade caminha e se desenvolve rapidamente, apresentando inovações e facilidades, mas em sua base está o antigo, o tradicional.


Postado por Rodolfo, às 2:14 PM
Comentários:

Quarta-feira, Junho 25, 2003

O FIM DO JORNAL IMPRESSO?

O crescimento geométrico do número de publicações digitais na Web, acompanhado do desenvolvimento ultra-rápido da Internet e sua conseqüente popularização em larga escala, tem despertado uma polêmica interessante entre jornalistas e especialistas em novas tecnologias: o jornal em papel vai acabar? As opiniões são divergentes. Alguns acreditam que os jornais convencionais não sobreviverão ao próximo século. Tudo será digitalizado e até a televisão, como nós a conhecemos, deixará de existir. Outros afirmam que a Internet não representa uma ameaça às publicações impressas e que nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, vai superar a comodidade e o conforto que um jornal ou revista em papel proporciona aos leitores.
Segundo Roger F. Filder, ex-diretor do projeto da Knight-Ridder sobre jornal em telas planas, os jornais eletrônicos irão substituir as edições impressas por volta do ano 2005. Já o ex-diretor executivo do News and Observer (http://www.nando.net/), Frank M. Daniels III, afirma que os jornais em papel irão desaparecer nos próximos 10 ou
15 anos.
De fato, muitas são as vantagens das publicações eletrônicas na Web. Os jornais digitais são mais interativos que os seus correspondentes impressos. Os custos de produção e distribuição, geralmente muito elevados nas publicações tradicionais, são reduzidos sensivelmente na Internet. Os artigos e reportagens podem ser complementados com informações adicionais que não teriam espaço nas edições em papel. As notícias podem ser atualizadas várias vezes durante o dia e acessadas instantaneamente por leitores em qualquer lugar do mundo. Além de todas estas vantagens, há também a possibilidade de se implantar serviços especiais, como consulta a bancos de dados com arquivos das edições passadas, classificados online, programas de busca, fóruns de discussão abertos ao público, canais de bate-papo em tempo real e muitos outros.
Embora as publicações online apresentem uma grande quantidade de atrativos e vantagens que as mídias tradicionais não dispõem, muitos jornalistas e especialistas em comunicação acreditam que o jornal em papel terá o seu lugar na era digital. Segundo Steve Outing, os jornais digitais não irão substituir as edições impressas. Mais do que uma ameaça, eles representam um importante instrumento complementar para as empresas jornalísticas. Outing, no entanto, acredita que a circulação dos produtos impressos tende a diminuir no futuro.
O editor chefe do jornal O Globo, Ali Khammel, tem uma opinião similar à de Steve Outing. Segundo ele, os jornais impressos ainda têm uma vida longa pela frente e o que o faz apostar nisto é a sua crença de que eles vão sobreviver porque promoverão mudanças radicais em seu conteúdo. De acordo com Khammel, os acontecimentos estão hoje cada vez mais na esfera do jornalismo televisivo e online. Aos jornais cabe a explicação, a interpretação e a análise dos fatos e dos seus efeitos. "Tradicionalmente, pela extensão de sua cobertura, os jornais sempre informaram mais do que a televisão. Trata-se de radicalizar esta postura", reforça. Khammel afirma ainda que grupos editoriais em todo o mundo estão aplicando grandes quantias de dinheiro na modernização do parque gráfico de seus jornais e isto representa uma clara evidência de que os empresários do setor continuarão a investir em seus produtos impressos.
Para Leo Bogart, sociólogo e consultor da Newspaper Association of America, os jornais convencionais irão sobreviver e prosperar (!) no mundo digital. Ele aponta algumas razões para isto: a primeira é o fato de que, por maior que seja a evolução das telas dos computadores no futuro (leves, portáteis, de cristal líquido), elas jamais terão a capacidade do jornal de serem dobradas ou enroladas e levadas para toda a parte. A segunda diz respeito à interface do jornal impresso, que possibilita ao leitor visualizar todas as matérias de forma rápida e eficiente, simplesmente passando as páginas. "A visão pode captar uma grande quantidade de informação num rápido olhar, sejam elas relevantes ou não".
De fato, nada se compara à praticidade e o conforto proporcionados pelas publicações impressas. Para ler um jornal ou revista através do computador, é preciso fazer um certo esforço, já que geralmente os leitores estão sentados desconfortavelmente e os atuais monitores ainda não são idealmente adequados ao sistema óptico humano. Além disso, a depender do design de navegação do site, do tráfego de dados nas infovias e da velocidade de conexão, ler uma publicação digital na Internet pode tomar bastante tempo do usuário.
Ao que tudo indica, os jornais impressos não vão desaparecer, pelo menos a médio prazo, principalmente porque eles ainda são os grandes responsáveis pela maioria esmagadora dos lucros (que não são poucos!) das companhias jornalísticas. Além disso, os jornais tradicionais podem conviver sem nenhum problema com as suas versões digitais, através de uma relação de parceria onde um pode auxiliar o outro.
Na Pesquisa realizada por Donica Mensing foi constatado que os jornais online praticamente não prejudicam suas edições impressas. Dos jornalistas entrevistados, um terço afirmou que o serviço online aumentou o interesse dos leitores por seu produto em papel. Já 46% acredita que não houve impacto sobre a versão impressa, enquanto 14% considera ser cedo demais para responder a esta pergunta. Apenas 2% disse que o serviço online causou uma queda de interesse pelo jornal em papel.
Estes números demonstram que os jornais e revistas digitais de fato não representam uma ameaça às publicações tradicionais. Pelo contrário, eles podem ser usados pelas empresas jornalísticas como excelentes ferramentas de marketing para promover seus produtos impressos e, ao mesmo tempo, tornarem-se, a médio prazo, um investimento bastante lucrativo.
Não existem, até agora, modelos definidos nem fórmulas prontas que garantam o sucesso de um empreendimento na mídia online. Há ainda muita coisa a ser explorada na Internet do ponto de vista jornalístico, mas o setor já deu passos importantes nos últimos cinco anos e algumas experiências parecem estar se consolidando como possibilidades viáveis. A criatividade e a originalidade, no entanto, continuam sendo peças chaves no desenvolvimento de novas estratégias para se ganhar dinheiro na rede. As empresas que souberem utilizar estes dois elementos, aliados à oferta de serviços úteis e de qualidade serão aquelas que estarão comemorando a decisão de terem investido na Internet.

Este texto foi retirado do site www.facom.ufba.br/pesq/cyber/manta/Guia/, em virtude do encerramento da nossa enquete, sobre esse tema. Os resultados você confere em breve. Logo estará no ar a próxima pesquisa.


Postado por Fred, às 10:25 AM
Comentários:

Quarta-feira, Junho 18, 2003


BOA INFORMAÇÂO ESCONDIDA
Uma análise do The New York Times on the Web


NYT.com ...


... e NYT impresso: muita informação com pouca hierarquização

Muita informação. Essa seria a definição em duas palavras do site do The New York Times. Uma terceira palavra talvez seria... desorganizada. O conteúdo produzido pela equipe específica da Internet é vasto e de muito boa qualidade - mas fica escondido. Assim como sua versão impressa, o NYT.com mais parece uma enciclopédia (pelo menos no que se refere á primeira página de ambos). Parece um desejo desesperado de se encavalar TODAS as notícias produzidas pela equipe, sem hierarquização. Está certo que na Internet o leitor cria a sua hierarquização, através da escolha dos caminhos que melhor lhe aprouver, mas daí a concluir que todas as manchetes devem estar na primeira página... é um exagero imperdoável - e extremamente cansativo para os olhos.

REPORTAGENS PAGINADAS
As grandes reportagens transpostas da versão impressa para a versão da Internet são terrivelmente divididas em páginas numeradas! 1/2/3... O leitor deve selecionar e continuar lendo. Então surge a pergunta: por que não criar retrancas chamativas, subdividindo o texto em links? Facilitaria a vida de todos...

ONDE HÁ PRESSA...
As notícias de última hora são providas pelas agências Reuters e Associated Press, e não possuem nenhum atrativo multimídia, além de ficarem extremamente prejudicadas na distribuição do layout. Não há uma sessão de Últimas Notícias (como é feito no nosso webjornalismo tupiniquim). As informações quentes (em teoria as mais importantes e por isso mesmo as que pediriam maior destaque) ficam de escanteio, à espera de algum olhar paciente que as descubra.

MORTOS NA WEB
Uma das editorias extras da versão on line do jornal nova-iorquino intitula-se OBTUÁRIOS - e (ao contrário do que faz a imprensa brasileira) um destaque enorme é dado àqueles que passaram desta para melhor. Suas vidas são escavadas e verdadeiros dossiês em forma de reportagem honrosa são tecidos em memória das celebridades. É a nostalgia na era do chip!

CREDIT CARD?
A mesma era do chip que proporciona uma viagem ao passado, também através do teclado e do mouse: no NYT.com é possível encontrar informações centenárias que aniversariam na data em que o leitor acessa o site. Por exemplo: em 15 de junho de 1897 um navio foi incendiado em Nova York. Quando a curiosidade fisga o leitor e ele busca saber mais sobre o assunto, ele descobre que todas as páginas do NYT estão à sua disposição ali no site - ele só precisa pagar 54 dólares para receber uma delas em casa!

CORREÇÕES ABUSAM DO ESPAÇO ILIMITADO
As erratas da edição impressa são publicadas no site do jornal. Mas o jornalismo cibernético não obedece aos limites de espaço aos quais o impresso está obviamente submetido. Por isso, muito mais correções são encontradas online, do que na edição em papel do dia seguinte aos erros. Algumas correções podem parecer banais, mas ajudam a consolidar a credibilidade da versão impressa, e apoiar-se nela para construir a credibilidade do webjornal. Às vezes, pérolas como esta são encontradas: "Um artigo na Página 6 de Artes & Lazer de hoje sobre o Grupo de Teatro das Crianças de Minneapolis errou ao dar o nome do diretor artístico. Ele se chama Jon Cranney, não John." - Substancial, não?

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO
Apesar de todos esses "contras" o NYT.com possui um "pró" que compensa a visita: São produtos jornalísticos que eles chamam de Interactive Features. Essas "atrações interativas" são espécies de documentários não-lineares que disponibilizam uma quantidade surpreendente de informação - arranjada com soluções criativas e esteticamente bem resolvidas. O difícil é achar essas atrações (ninguém ainda teve a idéia de criar chamadas na página principal que levem á página de Multimídia. Esses sites sazonais oferecem fotos, vídeos, texto e áudio dissecando assuntos de interesse geral. Tudo isso em caminhos escolhidos pelo leitor, abusando do hipertexto (daí o nome interativo). Há uma atração interativa sobre uma expedição no Pólo Norte. O NYT enviou um repórter para acompanhar as operações científicas. O jornalista reporta de lá o material multimídia para a construção dos IF (Interactive Features). Além disso, há especiais de política, nos quais são analisados os partidos Republicano e Democrata. Documentários científicos tratam da suspeita de vida em Marte, dos avanços relativos ao DNA. Os documentários não-lineares talvez sejam o expoente do jornalismo na era digital.


Os documentários não lineares tratam de ciência...


...de política...


...e de reportagens especiais.


Postado por Fred, às 4:24 PM
Comentários:

Terça-feira, Junho 17, 2003

ENTREVISTA: LUCIANO MARTINS COSTA
Autor do texto "É hora de reiventar a profissão", o jornalista Luciano Martins Costa mostra sua visão otimista em relação às novas oportunidades trazidas pela Internet aos profissionais de comunicação e aproveita para questionar o papel da mídia eletrônica, sugerir formas de democratizar a informação e ainda criticar a postura mercadológica que a imprensa vem assumindo. Por e-mail, o jornalista respondeu à entrevista do blog. Confira a seguir.

Notícia na Internet: Quais as novas oportunidades surgidas para o jornalismo com o advento da internet?
Luciano Martins Costa: A Internet derrubou as barreiras de tempo e espaço para o jornalismo, trazendo a possibilidade de manter os sistemas informativos operantes durante todo o tempo, alcançando todas as pessoas disponíveis em qualquer lugar onde seja possível conectar um computador a uma rede de comunicação. Isso significa uma mudança radical no jornalismo, como atividade profissional e como negócio. Uma das oportunidades é alcançar frações do público alvo localizadas fora do alcance da distribuição do jornal-papel. Outra oportunidade é a criação de conteúdos em tempo real, muito úteis para quem precisa tomar decisões bem fundamentadas e com rapidez.

N.I: A crise nos setores já tradicionais da imprensa tem permitido a reavaliação do trabalho jornalístico. Quais iniciativas práticas, que você tem conhecimento, buscam a solução desse impasse?
L.M.C.:
As iniciativas práticas são as clássicas reduções de custos, com demissões e menos investimento em reportagem. Com isso, reduz-se a qualidade do jornalismo. Também se buscam sócios e parceiros, o que deverá conduzir a um novo perfil das empresas de comunicação. A grande oportunidade para a imprensa aconteceu entre 1998 e 2000, mas a maioria investiu errado, entrando em setores nos quais não tem experiência, como telefonia, TV a cabo e outros negócios arriscados. A reavaliação do trabalho jornalístico, quando feita no meio de uma crise, quase sempre leva a decisões erradas, porque no momento da crise os gestores enxergam mais o risco do que a oportunidade e se tornam ainda mais conservadores.

N.I.: O jornalismo on-line corre o risco de ser controlado por grandes grupos de comunicação, a exemplo do que ocorre com outros veículos impressos?
L.M.C.:
Sim. Mas também corre o risco de se fragmentar em mídias quase personalizadas. Com a popularização da conexão em banda larga sem fio (wi-fi, de wireless fidelity), qualquer pessoa poderá publicar na rede páginas com muitos dados, fotografias e vídeo digital, concorrendo com os grandes grupos no noticiário de comunidade e setorial, por exemplo. Em Nova York, já é comum o compartilhamento de redes sem fio. Qualquer pessoa pode acessar a Internet de um laptop próximo a uma conexão de banda larga e distribuir notícias por todo o mundo. Ou receber notícias de todo o mundo. Essa é uma prática muito difícil de regulamentar e o controle exige tecnologias muito caras. Assim, estamos entre o grande sistema e a anarquia.

N.I.: Quais as vantagens da mídia on-line para os jornalistas em relação as da imprensa? E para os leitores?
L.M.C.:
A rigor, há poucas vantagens. O jornalista na mídia online trabalha muito mais. Não havendo o dead-line, o prazo mortal para encerramento da edição, o profissional normalmente é convocado a acompanhar uma série de eventos até o fim, e corre o risco de trabalhar muito mais horas. Mas há algumas vantagens, como a agilidade na preparação das edições, a possibilidade de trabalhar arquiteturas mais atraentes para a notícia, recursos de áudio e vídeo que o jornal impresso não tem. Do outro lado do balcão, onde fica o leitor, essas são as vantagens mais evidentes: ter a notícia em tempo real, podendo arquivá-la para ver mais tarde, e não apenas ler, mas também ouvir e ver o fato noticiado. O leitor não fica preso à temporalidade da mídia impressa nem à escolha de horário da emissora de TV ou rádio.

N.I.: De que forma a imprensa pode auxiliar no combate à exclusão digital, democratizando a informação de forma mais ampla?
L.M.C.:
Um dos grandes erros das empresas de comunicação no período de grandes investimentos na Internet foi não ter buscado parcerias para estimular a cidadania digital. Isso teria ampliado o espectro de leitores, aumentando o mercado para a informação. Também teria educado os gestores da imprensa a trabalhar com parcerias do tipo ganha-ganha, em que todos, inclusive a sociedade, são beneficiados. A prática mais comum de parceria que a imprensa conhece continua sendo a permuta por espaço publicitário. O advento da Internet exige a reinvenção dessas práticas. Por exemplo, uma empresa de comunicação poderia se associar a uma empresa de telefonia e oferecer conexão em banda larga para uma comunidade, associando-se a uma empresa que tenha interesse nesse público, como a indústria de alimentos básicos, lojas populares, bancos de varejo etc. Ao mesmo tempo que estaria combatendo a exclusão digital, essa iniciativa poderia estimular a noção de comunidade e fornecer uma fonte de monitoramento de saúde pública e outros problemas sociais.

N.I.: Qual deve ser o perfil do profissional de comunicação disposto a trabalhar na mídia on-line? Em que ele se difere dos jornalistas que trabalham em veículos impressos?
L.M.C.:
O jornalista de comunicação para a mídia online deve ter todas as qualidades do jornalista dedicado à mídia tradicional, como boa redação, capacidade de síntese, habilidade para fazer escolhas certas em tempo curto, excelente formação ética, e mais a habilidade para lidar com a linguagem específica da Internet, aprendendo a pensar multimídia, ou seja, ao fazer uma reportagem ou edição, pensar no texto, na imagem e até no som que pode acompanhar o relato. Ele se difere justamente nisso, nessa agilidade e nesse pensamento mais amplo em termos de possibilidades da comunicação.

N.I.: A diminuição da qualidade dos jornais tradicionais e da ética jornalística têm alguma relação com o sistema neoliberal? Até que ponto os jornais digitais estariam livres dessa influência?
L.M.C.:
Esta é a questão mais importante que se tem feito ultimamente, em todos os debates de que participo. Vamos refletir juntos: a imprensa é tipicamente uma invenção burguesa. É uma instituição que surgiu com os burgos, com o adensamento das cidades. Ela era tipicamente um instrumento de educação burguesa. Ensinava as pessoas que, ao contrário da vida no campo, na cidade não era correto fazer cocô na rua. Os velhos jornais de Londres, Paris e São Paulo às vezes traziam matérias com destaque, falando dos carroceiros que não se preveniam para que suas mulas não sujassem a cidade. Ainda hoje, jornais de todo o mundo ainda fazem matérias sobre pessoas que levam os cachorros pra passear e deixam o cocô na calçada. Parece gozação, mas é esse o fundamento da imprensa: dizer aos leitores o que é o interesse público e estabelecer linhas de boa convivência entre as muitas forças presentes no contexto social. Não estou dizendo que o tema central da imprensa é cocô. Estou dizendo que o tema central da imprensa é a harmonia de interesses. Nesse sentido, somos todos burgueses. Quem vive isolado, fora das cidades, lê jornais ou vê TV como curiosidade. Quem vive na cidade tem na imprensa uma necessidade vital, essencial para sua sobrevivência e seu bem-estar. A diminuição da qualidade da imprensa não tem nada a ver com neo-liberalismo. Aliás, não acredito na existência desse tal neo-liberalismo, assim como considero uma bobagem dizer que vivemos numa sociedade pós-moderna. Vivemos um tempo de transição do capitalismo, no qual a dimuição do Estado abriu espaço para um tipo de agente oportunista, assim como a perda do sistema imunológico abre espaço para os vírus oportunistas. Nesse período de transição, algumas forças econômicas ficaram monstruosamente poderosas, mas não é isso que diminui a qualidade da imprensa. O que reduz a qualidade da imprensa é a própria imprensa, que abdicou de seu papel de educar a sociedade e preferiu se transformar em órgão de entretenimento. Tudo virou espetáculo, porque a imprensa deixou de mirar a sociedade e passou a focalizar apenas o mercado. Com isso, ela deixa de ser essencial ao processo civilizatório e também passa a ser vista como apenas mais um acessório no aparato da vida burguesa. A ética jornalística é afetada diretamente por essa escolha da imprensa. As decisões editoriais são cada vez mais influenciadas pelo fluxo de caixa das empresas de comunicação, que perderam a noção de sua responsabilidade como entidades de educação para a democracia e a boa cidadania. Os jornais digitais não estão livres dessa influência. São até mais vulneráveis, uma vez que são editados sempre às pressas, sem que se tenha uma noção mais completa do significado dos eventos. Mas, como o jornal digital é mais democrático, no sentido de que escapa do controle dos grandes conglomerados e no sentido de que permite a interatividade do leitor, ele pode ser um ponto de partida para uma reação, em busca de mais ética e qualidade. Para isso, é preciso que muitos jornalistas se disponham a virar o jogo, e principalmente que muitos leitores entulhem as redações com mensagens de protesto a cada mancada da imprensa.


Postado por Rodrigo, às 12:33 PM
Comentários:

Segunda-feira, Junho 16, 2003

Já vimos como é importante que se discuta o papel da Internet no Jornalismo e até que ponto o jornalismo digital poderá substituir o jornalismo impresso. Vamos agora analisar o jornal e o site da Folha de S.Paulo, para exemplificar a questão.



A principal diferença está no alcance das duas versões de Folha. O jornal impresso pode ser encontrado em todas as bancas de revista do país (com uma tiragem que eles não revelam). A versão online, ao contrário, é restrita aos assinantes do jornal ou do provedor UOL.

Um dos principais argumentos contrários à leitura da versão online é de que os textos não são colocados integralmente na rede. No caso específico da Folha de São Paulo, isso não ocorre. Todos os textos publicados no impresso são reproduzidos na tela do computador. Mas no papel as matérias são acompanhadas de tabelas, gráficos, quadros e fotografias que, na maioria das vezes, são ignoradas pela versão online (a não ser na seção "Imagens do dia"). Uma das características desse jornal é a preferência por matérias sempre explicativas, cheias de dados analíticos e informações detalhadas sobre os assuntos. Como opta por não colocar esses dados na internet, o jornal acaba perdendo uma de suas melhores qualidades.



Apesar disso, a versão online oferece muitas vantagens. A maior delas é a interação constante com os leitores, além de divulgação de notícias em tempo real. No "Em cima da hora", várias informações são jogadas na rede a cada minuto. Depois, são selecionadas as notícias mais importantes, colocadas na seção "Destaque" e as outras são classificadas pelo dia, hora e editoria em que se encontram. Esse tipo de ferramenta é muito útil para outros jornais, por exemplo, que se utilizam de publicações na internet para criarem suas pautas (como as rádios).

Há outra seção que só existe na Internet. É a "InteraçãoOnline". Todos os dias o jornal faz uma pergunta a seus leitores, em forma de enquete. Esse tipo de perquisa de opinião não tem valores científicos, mas é muito interessante para os leitores. A enquete de hoje, por exemplo, pergunta: "Sem estrelas como Ronaldo e Rivaldo, Parreira conseguiu contra a Nigéria sua primeira vitória em seu retorno à seleção, por 3 a 0. Você acha que o Brasil deve apostar em novos jogadores?". 327 pessoas (87%) votaram que "sim" e 50 (13%) disseram "não". Mas o jornal aproveita muito pouco essa ferramenta. No site do Jornal do Brasil, que disponibiliza o mesmo tipo de enquetes na seção "Pergunta de Hoje", os leitores podem emitir opiniões, num verdadeiro fórum, que só acontece na versão online do jornal. Essa abertura aos leitores é uma maneira de se democratizar as informações, dando a eles a oportunidade de concordarem ou discordarem da linha editorial do jornal e de serem, eles mesmos, os articulistas. Se a maior função do jornalismo é justamente a de levantar debates na sociedade e democratizar idéias, esse recurso da Internet é uma grande vantagem para a profissão. Mas alguns jornais não souberam aproveitar esse recurso - e a Folha é um deles.

Outra grande vantagem do jornal na Internet é a melhora na prestação de serviços ao leitor. A versão online da Folha, por exemplo, oferece cursos on-line de inglês e alemão. Disponibiliza todos os emails de todos os repórteres, editores e colunistas. Na seção "Tempo Online", mostra a temperatura real em várias capitais do país, com mapas de fotos tiradas por satélites e de ventos e precipitações, além de fazer conversões das temperaturas de °F para °C e mostrar as temperaturas nos principais países do mundo todo. O "Folha Shop" divulga anúncios publicitários com as ofertas do dia. O usuário tem acesso também aos sites da Reuters, BBC Brasil, Agência Folha, Revista da Folha, Agora SP e Alô Negócios. Todas as manchetes de TV e de jornais impressos do dia são colocados em outra seção. E todas as edições anteriores são arquivadas e podem ser consultadas por qualquer usuário cadastrado no sistema.

Todas essas vantagens fazem com que as pessoas se interessem cada vez mais pela versão online e procurem se informar de maneira mais cômoda, rápida e fácil, pelo computador. O jornal impresso ainda possui muitos leitores e dificilmente será substituído pela versão online. Para garantir isso - e manter os lucros da empresa - há aquela restrição de que apenas os assinantes podem ter acesso ao site da Folha. O leitor tradicional ainda prefere a leitura tradicional, no papel. Mas ao trabalhador moderno, que corre contra o tempo, restará a opção de correr com o mouse. Por enquanto, a versão online é um complemento da versão impressa. Mas é difícil perceber até quando será assim.



Jornal da versão online


Postado por Cris, às 5:09 PM
Comentários:

CONFIRA AMANHÃ: ENTREVISTA COM LUCIANO MARTINS COSTA, AUTOR DO TEXTO "É HORA DE REIVENTAR A PROFISSÃO".


Postado por Rodrigo, às 9:47 AM
Comentários:

Sexta-feira, Junho 13, 2003

JORNALISMO E INTERNET
É hora de reinventar a profissão

Os últimos indicadores disponíveis sobre o nível de engajamento dos brasileiros na tecnologia da informação sugerem que, ao contrário do que muitos imaginam, a internet ainda não acabou como oportunidade de negócio para as empresas de mídia e para os jornalistas. Apenas mudou sua natureza.
De fato, não chegou a ocorrer uma interrupção no crescimento do número de usuários e em nenhum momento o fenômeno da nova mídia deixou de se comportar como uma onda avassaladora sobre todos os modos tradicionais de relacionamento e comunicação. O que estourou, em verdade, foi a reputação de alguns analistas e o caixa de um monte de investidores desavisados, além de muita lavagem de dinheiro.
No final do ano passado, tinham acesso à rede 14,3 milhões de brasileiros, dos quais 7,9 milhões eram internautas ativos. No final deste ano, esses números deverão saltar para 17,5 milhões e 10,9 milhões, respectivamente.
Para se ter uma idéia do crescimento do Brasil na internet, basta lembrar que em 1999, auge da bolha, havia 4,8 milhões de brasileiros com direito a acesso, dos quais "apenas" 2,5 milhões estavam rotineiramente conectados. Esse "apenas" só pode ser dito hoje. Naquele passado remoto de apenas quatro anos, o número nos parecia tão mágico e grandioso como estar num estádio com 100 mil torcedores.

Novo meio
Mas a rapidez das conexões cresceu na velocidade inversa da iniciativa dos responsáveis pelas empresas de comunicação. Um exemplo: o serviço de entrega do jornal-papel pela internet, anunciado em maio pelo Estado de S.Paulo, foi criado em 1998. O plano de negócio estava pronto no primeiro semestre daquele ano, o primeiro grupo de trabalho para seu desenvolvimento demorou três meses para ser criado e, depois disso, não teve mais do que três reuniões produtivas até maio de 1999. Cinco anos depois de ter sido inventado o processo de entrega do conteúdo para impressão remota, um anúncio em francês dava conta de que, a partir de agora, qualquer pessoa pode folhear o Estadão em Paris no mesmo dia em que ele circula na Avenida Paulista, em São Paulo.
Um fenômeno semelhante está ocorrendo com a telefonia celular, associada à tecnologia da informação: de 2000 até o final deste ano, o número de usuários deverá mais do que duplicar no Brasil, saltando de 22 milhões para 46 milhões. Junto com os celulares, a tecnologia de mensagens curtas (SMS, do inglês short message service) é uma das aplicações mais demandadas, o que indica que a telefonia e a internet têm mais pontos de convergência a desenvolver.
Há dois anos, esse foi um dos temas que discutimos durante o encontro estadual de comunicação empresarial realizado em Águas de São Pedro. SMS era ainda uma das muitas novidades tecnológicas anunciadas na ocasião, e no deslumbramento geral pouca gente percebia o valor do novo meio para as empresas de comunicação e para os jornalistas. Mesmo agora que essa tecnologia está madura, não se vê as empresas de mídia nem os jornalistas correndo na vanguarda dessa oportunidade para oferecer conteúdo
para comunicação entre celulares.

Ondas de crise
Onde estou querendo chegar, e aporto rapidamente para poupar seus bites, é que a tecnologia sempre se inclina para onde as forças econômicas e sociais mais ágeis a atraem. Em 1900, durante a feira de Paris, quando a virada do século anunciava a modernidade industrial, o escritor e jornalista francês Alphonse Daudet distribuiu um texto no qual afirmava: "L'automobile c'est la guerre". Ele adivinhava que o veículo automotor, apropriado pelas forças da época, no cenário de reestruturação dos impérios europeus, seria um incentivo a novas guerras, pela diferença que faria em termos de tecnologia sobre o mundo das carroças puxadas a cavalo. Em meio às nacionalidades emergentes e impérios decadentes, nenhum chefe militar resistiria à tentação de lançar carros de combate motorizados contra os regimentos de cavalaria, subitamente tornados obsoletos. Daudet não errou: apenas 14 anos depois, explodiria o maior conflito já promovido até então entre nações européias.
Não têm faltado reflexões sobre a tecnologia da informação e o risco de crescimento das diferenças sociais, pela persistência da exclusão digital versus a vantagem que leva o cidadão conectado na disputa pelas melhores posições na sociedade globalizada. Mas essa não é questão que tratamos aqui. Aliás, quem mais combate a exclusão digital são as empresas de tecnologia e órgãos públicos. A imprensa pouco faz pela diminuição da diferença entre um estudante com acesso à rede ¿ e toda a sua oferta de informações ¿ e um jovem sem noção do que seja a internet. E ainda não é disso que estamos cuidando.
A reflexão que pretendo estimular é a que possa produzir uma análise cuidadosa do desenvolvimento da tecnologia da informação como oportunidade para jornalistas. São muitos os sinais indicando que a crise nas empresas de comunicação corresponde ao surgimento de oportunidades para outras formas de organização e atuação dos profissionais de comunicação. Em cada uma das vertentes que se configuram atualmente, na convergência dos meios criados ou transformados pela TI, surge a necessidade de profissionais qualificados para selecionar fatos, descrevê-los e entregá-los na forma mais adequada para milhões de cidadãos.
Mais do que procurar um emprego que não existe, talvez o melhor a fazer, para grande número de jornalistas, seria olhar esse novo mundo e se perguntar: o que é que eu realmente sei fazer? Em que ponto dessa rede posso pendurar minhas habilidades?
Com certeza, muitos irão encontrar um papel mais satisfatório do que o de bucha de canhão, na rotina estressante de ver seu emprego ameaçado a cada balanço da empresa onde trabalha, pelas ondas de crise que sacodem a mídia tradicional. Talvez o que a crise esteja nos dizendo é que precisamos reinventar nossa profissão.

O texto é do jornalista Luciano Martins Costa e foi publicado no Observatório da Imprensa


Postado por Fred, às 3:10 PM
Comentários:

Quinta-feira, Junho 12, 2003

O CÓDIGO ABERTO DO JORNALISMO ONLINE

A entrada do software de código aberto Linux no mercado de sistemas operacionais causou uma revolução ao criar um concorrente à liderança isolada do Windows. Num analogismo, pode-se dizer que a internet causou o mesmo impacto na área de comunicação, mais precisamente na de jornalismo.

Afinal, a web permitiu que os veículos de comunicação reunissem de forma única texto (jornal), imagem (televisão) e áudio (rádio). Hoje, o usuário/leitor acessa um portal de notícias (como o Globonews.com), lê um texto com uma imagem ao lado e ainda pode clicar no link para escutar uma entrevista. É a tecnologia permitindo a realização do tão sonhado jornalismo multimídia.

Além disso, temos dezenas de sites independentes, blogs e listas de discussão virtuais que permitem que as idéias de estudantes e jornalistas independentes cheguem de forma alternativa a um público sedento de boa informação.

Ainda recorrendo à informática, é comum os profissionais de tecnologia da informação criarem listas de discussão para discutirem os principais problemas e as tendências no mercado de software, hardware, servidores etc. A realidade não é diferente no jornalismo virtual. Com a troca de idéias e o debate nas diversas listas de discussão, o profissional interessado na área se atualiza sobre as últimas tendências e descobre sua linha de atuação no mercado.

Venho acompanhando desde abril de 2002 a lista do site Jornalistas da Web. Criada em fevereiro de 2001, já conta com cerca de 800 assinantes, que chegam a trocar 300 mensagens por mês. A seguir, alguns dos assuntos discutidos neste período:

Conteúdo pago vs. gratuito

Em julho deste ano, a versão eletrônica do jornal O Globo apresentou uma pesquisa que, entre as perguntas, questionava se o usuário pagaria taxa para acessar o conteúdo do site.

Na lista, as opiniões ficaram divididas. Uma corrente alertou que tal postura ocasionaria perda de visitantes, pois outros sites ofereceriam o mesmo material gratuitamente (alguns citaram o exemplo do Napster e a criação de seus "genéricos" e Gnutella, Kazaa, entre outros). Outra parcela de assinantes destacou a tendência crescente de cobrança, como no caso da TV aberta vs. TV a cabo": o telespectador paga por um conteúdo mais específico e segmentado.

Trabalho sem remuneração

A lista recebe mensagens oferecendo oportunidades de emprego e estágios na área. Uma dessas mensagens causou grande discussão: um assinante postou a oferta de um site que oferecia vaga a jovens jornalistas, mas sem pagamento. Muitos lamentaram a falta de valorização profissional em empregos deste tipo, e outros contra-argumentaram: vale a pena escrever em troca da visibilidade e da chance de fazer novos contatos no meio jornalístico.

Regras para textos online

É comum aparecerem mensagens de novos usuários procurando saber quais são as ferramentas necessárias para a boa prática do jornalismo online. Um ponto positivo observado foi que os assinantes mais antigos prontamente se apresentaram para reforçar uma idéia que parece unânime: a redação para web ainda não tem padrão definido.

Boas sugestões foram levantadas, como destacar links no meio das notícias, usar títulos em negrito e chamativos para atrair a atenção do usuário, entre outros. A principal apontava para a necessidade da experimentação de novos modelos para se descobrir o real interesse do visitante.

Tecnologia dos sites de notícias

A lista discutiu também o uso de novas tecnologias para o aperfeiçoamento do design de portais de notícias. Usar ou não animações Flash? E javascript? Colocar notícias em janelas popup? Qual a preferência do navegante? Uma forte tendência entre as empresas é que no currículo do jornalista da web conste a expertise no uso das novas linguagens de construção de sites.

Neste exato momento outros assuntos já devem estar em pleno debate na lista. Se antes o modelo de jornalismo estava preso a manuais de estilo e de redação (geralmente revisados de dois em dois anos), hoje as listas de discussão representam importante recurso de atualização para os profissionais que desejam se especializar no jornalismo pela internet.

É importante ressaltar que ainda não existe um estilo-padrão de jornalismo online. Talvez este seja o motivo do sucesso da lista e do crescente número de adeptos. O debate em listas é importante para descobrir por onde começar e até sugerir possíveis caminhos.

Assim, caso você seja jornalista e não tenha assinado ainda uma lista de discussão, é bom rever seus conceitos. Afinal, prática não se aprende com gurus, em cursos especializados ou nos bancos universitários.

Algumas listas de discussão sobre jornalismo online

**GJOL­Facom

**Jornalistas da Web

**Poynter.org

Artigo de Luis Fernando Rocha, repórter do portal Módulo.com
Publicado no site do Observatório da Imprensa


Postado por Rodolfo, às 12:39 PM
Comentários:

Quarta-feira, Junho 11, 2003

ENTREVISTA: ÉPOCA ONLINE





Da redação da revista, Carolina Nascimento e Silva analisa as transformações da internet na mídia e desmente a possibilidade do jornal online acabar com o impresso: "O jornalismo online não tem competido com a mídia impressa". Por e-mail, a jornalista respondeu nossas perguntas. Confira a entrevista.

Notícia na Internet: Quais as mudanças causadas pela internet na mídia impressa?
Época Online
: Uma das mudanças mais marcantes foi no trabalho de apuração do jornalista. A internet possibilita acesso fácil e rápido a todo o tipo de informação. Nas redações de veículo impresso, toda matéria sempre começa com uma busca na internet. Em relação ao conteúdo ou forma de se escrever, não houve até o momento nenhuma mudança significativa. Na verdade, a internet é um apoio ao impresso. Revista e jornais, cada vez mais, trazem em suas páginas chamadas para os respectivos sites, onde são produzidas matérias e outros materiais que irão complementar a edição impressa.

N.I.: O jornalismo on-line tende a competir com a mídia impressa?
É.O.
: Apesar do medo inicial, o jornalismo online não tem competido com a mídia impressa. Os sites trazem informações rápidas, objetivas e picadas, para atender a um público internauta, que busca e tem muita informação a ser abstraída em pouco tempo. A mídia impressa, em especial edições semanais e mensais, trazem matérias mais elaboradas. Existe ainda o fator prático, como ler no ônibus, no trânsito ou durante o almoço, hábitos comuns que ainda fazem do impresso um produto insubstituível. A internet tem funcionado muito mais como um ponto de apoio. Redações online trabalham em conjunto com o produto impresso para que possa complementá-lo, seja com texto ou com elementos multimídia (áudios, vídeos e fotografias). As revistas semanais brasileiras e alguns jornais já fazem isso com freqüência.

N.I.: O conteúdo on-line de ÉPOCA difere da revista impressa? A versão on-line tem como objetivo complementar as informações impressas?
É.O.
: O conteúdo online de ÉPOCA tem tanto matérias da revista impressa quanto informações adicionais que possam enriquecer as reportagens da revista, e ainda notas com as principais notícias do dia. Mas nem todas as matérias da revista são disponibilizadas no site. O objetivo é apenas apresentar um número de reportagens que faça o não assinante conhecer a revista. Como já foi dito, o site busca também complementar a versão impressa de ÉPOCA, com áudios, vídeos, fotos, textos, matérias de arquivo relacionas a um tema atual... Enfim, tudo o possa ser de interesse do leitor. Há ainda um boletim eletrônico que é enviado diariamente para aqueles que forem cadastrados no site, contendo os principais acontecimetnos do dia.

N.I.: Qual o perfil dos leitores de ÉPOCA on line? Quais as estratégias da revista para atrair os leitores a se atualizarem também pela versão on-line?
É.O.
: Basicamente o mesmo da revista impressa. É bem variado, mas em sua maioria formado por pessoas da classe média, sendo muitas delas estudantes. Para atrair leitores para o site, usamos toda semana chamadas na edição impressa para o conteúdo complementar disponível em ÉPOCA Online. O envio dos boletins eletrônicos diários e a inserção de nossos bunners publicitários em outros sites também são usados com o mesmo fim.


Postado por Rodrigo, às 3:32 PM
Comentários:

Terça-feira, Junho 10, 2003

O Hipertexto nas notícias online.

O hipertexto é um recurso que permite uma leitura não linear, na qual o leitor decide que caminho tomar, não tendo como fixos o príncipio, meio e fim, presentes nos textos convencionais. Pode-se dizer que esse leitor torna-se co-autor do material que está lendo, ele "costura" as informações que o tema pode fornecer, fazendo as ligações necessárias de acordo com seus interesses. Segundo Cláudia Correia e Heloísa Andrade em Noções básicas de hipertexto, a hipertextualidade "revela os limites e por isso mesmo, a falência do discurso tradicionalmente lógico, acabado, fechado em si. As infinitas possibilidades de conexões entre trechos de textos e textos inteiros favorecem a flexibilização das fronteiras entre diferentes áreas do conhecimento humano".
O internauta utiliza vários hipertextos ao navegar pelo mundo do "www". A página principal de um determinado site oferece vastas possibilidades de conexões. Os Links são os responsáveis pela complexidade que uma certa leitura pode atingir. Ao entrar em um site de notícia, o leitor virtual tem em suas mãos vários assuntos a serem acessados, como esportes, artigos policias, política, economia e notícias locais. Após clicar, por exemplo, em uma manchete sobre algum assassinato, esse mesmo leitor obtem um trecho do texto da matéria, neste artigo introdutório há um outro link o qual disponibilizará a complementação do assunto tratado. No complemento, gráficos que analisem a crescente violência, estatísticas as quais mostram os números de homicídios anteriores, fotos do assassino e da vítima e até mesmo animações, poderão estar "linkados" à notícia principal. Ou seja, são várias as direções a serem tomadas. Com remotas chances, o assassino seria criador de uma página pessoal na Internet, fato que aumentaria ainda mais as múltiplas faces de uma simples navegação. Por outro lado, um outro leitor sairia do trecho inicial da notícia e iria direto para parte de esportes do site, fazendo um trajeto totalmente diferente, mas que posteriormente seria tão complexo quanto o primeiro.
A Internet, um enorme hipertexto, fornece uma infinidade de links e possibilita que diferentes ferramentas de mídia, como a imagem, o áudio e o vídeo, sejam explorados, o que seria a hipermídia. Estes recursos propiciam que as informações a serem passadas por este novo meio de comunicação extrapolem os limites da tela do monitor, não predendo-as a este simples e quadrado plano do computador. Assim, os sites de notícias na "web" apresentam significativas vantagens em relação aos outros meios, a televisão, o rádio e os jornais impressos. Esses meios não dão aos telespectadores, ouvintes e leitores, a mesma liberdade concebida aos internautas. E o que poderia destacar ainda mais tais vantagens seria acrescentar que a televisão é vista, o rádio ouvido e os jornais são lidos nas "páginas cibernéticas". A Internet é o único palheiro no qual as agulhas seriam facilmente encontradas.


Postado por Guilherme, às 9:13 PM
Comentários:

CONFIRA AMANHÃ: ENTREVISTA COM CAROLINA NASCIMENTO E SILVA, JORNALISTA DE ÉPOCA ON-LINE


Postado por Rodrigo, às 4:26 PM
Comentários:

Segunda-feira, Junho 09, 2003

"NOVO FORMATO PARA A TV DA INTERNET
Mobilidade e interatividade: Maiores atrativos



Tela da AllTV: televisão feita exlcusivamente para internautas

As diferenças da TV da internet com a TV convencional são diversas. O principal benefício da primeira é a possibilidade de assistir qualquer tipo de conteúdo disponível na grade de programação, em qualquer horário do dia e de qualquer lugar que tenha um computador com conexão à internet. Mesmo que o tamanho da tela não seja o mesmo (ponto favorável para a TV convencional) e a conexão possa falhar ou
funcionar de forma precária, a mobilidade é outro grande benefício.

Na TV da internet, no formato sem player, é possível aproveitar filmes já existentes no formato beta para o formato VCR; ter um custo mais baixo para apresentação dos comerciais por 24 horas ininterruptas, alcance mundial e a versatilidade do formato digital.

'O formato Player Less manipula a interatividade, pois rodamos remotamente. Acho que os formatos de TV da internet que precisam de players como Windows Media para rodar um filme ou programa não
funcionam bem, pois além de ter que esperar por muito tempo para ser baixado, o usuário acaba assistindo de forma precária se sua conexão, placa de vídeo e processador não forem bons. Imagina ter que assistir um evento importante onde diversas pessoas querem entrar ao mesmo tempo'? _ pegunta o diretor-presidente da Net Television, Paulo César Saliba.

Sistemas
Apesar de ter um serviço mais específico para usuários com condições de ter uma conexão de banda larga, a AllTV utilza player e tem como principal destaque o fato de permitir que o internauta telespectador participe ativamente da programação pela própria web e telefone dando opiniões, questionando e fazendo perguntas a qualquer momento, através dos chats e web cam. Outras vantagens são que todos os programas podem ser retransmitidos para a TV convencional, além do
fato da programação do dia ficar disponível para ser vista até três dias depois. 'Acho sempre importante frisar que não somos uma TV na internet, mas sim da internet, pois não usamos a web para retransmitir programas convencionais. Tudo que produzimos é específico para os internautas. Nós nascemos através dos conteúdos de jornais, rádios, TVs, da interatividade da internet e, aos poucos, estamos voltando para esses mesmos veículos que nos deram origem. É a convergência de mídias que permite fazer um trabalho desse tipo', comenta o presidente da AllTV, Alberto Luchetti Neto.

A desvantagem de usar os players é o fato de muitas vezes ser preciso ter banda larga para visualizar os vídeos com qualidade. O problema é que se a pessoa não tiver uma boa conexão, além de demorar muito para fazer o download desses programas poderá não ver os vídeos da mesma maneira. Já o problema com a banda larga é o fato dela ainda ser inacessível para a maioria dos internautas.

Net Television www.nettelevision.com.br (31) 3225-6300 e 3281-6300 ALLTV www.alltv.com.br

(Matéria de Fabily Rodrigues publicada em 5 de Junho no Jornal Estado
de Minas
)


Postado por Cris, às 5:01 PM
Comentários:

Sexta-feira, Junho 06, 2003

Os caminhos do Jornalismo On Line

Muito se tem discutido neste início de século qual é o caminho para o jornalismo na Internet. Diversos textos e teorias estão sendo elaboradas para entender essa nova forma de divulgação jornalística. Porém, o que não se deve esquecer é que o JORNALISMO E A INFORMAÇÃO não mudaram e nunca mudarão. O que mudou foi o suporte, que antes era impresso ou apenas eletrônico e agora além do eletrônico, ficou interativo em tempo real. Essa interatividade fez com que a rapidez e a apuração fossem elementos mais importantes ainda.

A notícia ainda continua sendo a matéria-prima do Jornalismo. Exatamente nesse aspecto, o profissional tem que apurar de forma adequada e correta. Por isso, é necessário saber o que, e o que deve ser publicado na Internet. Não se tem mais o problema do papel que a mídia impressa é obrigada a obedecer, ou a corrida contra o tempo, tão comuns no rádio e na tv . Com a interatividade e com o hyper-links é possível fazer uma matéria inicial, com poucas informações e conduzir o leitor para outros textos, sem limites de espaço ou tempo. Também pode levá-lo para outros endereços virtuais aumentando ainda mais a informação.

As características básicas de um texto jornalístico, como a clareza e a importância da notícia, continuam sendo feitos da mesma forma. O novo texto jornalístico, na verdade, tem apenas uma outra roupagem. Poderíamos dizer uma outra diagramação ou design. O profissional desta área precisa na verdade saber levantar o fato, entrevistar e escrever, visando atingir um leitor ávido de notícias, com uma boa formação cultural e com pouca paciência.

O jornalismo digital possui algumas vantagens, como: gráficos, fotos, som e imagem. Pode ser chamada de notícia multimídia. Mas, o que seria notícia para a Internet? O que colocar para diferenciar da concorrência? E como ir além do lugar comum dos outros sites noticiosos? A fase atual da Internet é muito semelhante com o fenômeno quando surgiu a tv nos anos 50. Os profissionais não tinham modelo e por isso tiveram que copiar do rádio, cinema e teatro e fazer adaptações à linguagem para o novo meio. A base da linguagem da Internet é muito próxima ao rádio, com recursos do jornalismo impresso, como fotos, infográficos, som e imagens como a tv. Porém, existe uma diferença fundamental entre os meios de comunicação da atualidade e a Internet. O desenvolvimento da tecnologia avançou deixando de ser apenas mais uma mídia e passou a englobar os meios convencionais.

Dessa forma, é preciso acompanhar essa discussão. É necessário saber para onde a rede mundial está caminhando. Existem algumas diferenças que já estão sendo discutidas por alguns teóricos, como o jornalismo na Internet e webjornalismo. O que poderíamos chamar de jornalismo na Internet ocorre quando existe uma versão impressa ou eletrônica, que é adaptada para a internet. Enquanto, que no webjornalismo, toda a produção é realizada virtualmente, sem nenhum suporte impresso ou eletrônico tradicional. Ou seja, o Jornal, Rádio ou TV só existem no mundo digital.

Assim, possivelmente ainda nesta primeira década, veremos muitas transformações no mundo jornalístico, mas não no conceito ético e profissional e na sua estrutura. A mudança de forma e conteúdo está passando por transformações profundas, mas ainda conviveremos por muito tempo com a tradicional Mídia eletrônica e impressa. Ainda há um vasto público e mercado para a existência de jornais, revistas, rádios e tvs.. Por isso, dentro de toda essa perspectiva que se apresenta, não podemos e nem devemos ter uma visão apocalíptica em relação aos antigos Meios de Comunicação. Ao contrário, temos que conviver com o antigo e o novo e nos preparar para as mudanças que estão por vir.

Artigo de Robson Bastos da Silva,
publicado em 8 de junho de 2002 no site Letra Digital

:: Robson Bastos da Silva - robsonbs@terra.com.br
Professor da Universidade de Taubaté (UNITAU) e Universidade Santa Cecília (UNISANTA) - Santos/SP. Jornalista formado pela UniSantos - Mestre em Comunicação Social - Universidade Metodista de São Paulo - UMESP e Doutor em Comunicação e Semiótica - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP.


Postado por Pedro, às 3:28 PM
Comentários:

Terça-feira, Junho 03, 2003

Neste artigo, publicado na revista digital Nova-e, Manoel Fernandes Neto faz uma análise sobre a importância da Internet no Jornalismo. Numa época em que a credibilidade da imprensa tradicional vem sendo questionada, a Internet surge como novo canal de informação, onde os leitores podem interagir diretamente com os escritores, expondo suas idéias. Sites e blogs surgem como mídia independente (e crítica), tornando o papel do jornalista muito mais amplo. O texto a seguir aponta as causas e conseqüências desse novo fenômeno da Comunicação, com vários questionamentos interessantes:



"Uma onda forte de análise e auto-análise em relação à credibilidade e métodos da mídia de massa e de seus clones domina os canais cada vez mais bem informados do que gostamos de chamar de 'sociedade do conhecimento'. O que chama atenção desta vez são que essas vozes e comentários, antes restritos a círculos de interesse, chegam com bastante clareza ao trombone de um nato formador de opinião: o leitor contemporâneo. (...)

Liberdade de escolha
A pendenga credibilidade/mídia voltou à pauta com certeza pelo 'dedo' de Bin Laden. Após o '11 de setembro', muitos foram os debates de como reagiria a grande mídia a partir dessa situação-limite, e qual o caminho que seguiria em um mundo mais maniqueísta, injusto, centralizador, tirano, controlador e conservador, para ser gentil.

Vagnaldo Marinheiro, em artigo recente no Pensata, do UOL, apontou a 'futilização' do noticiário e a falta de interesse por assuntos relevantes e que levem à transformação como resultado da queda das torres do WTC. Marinheiro navegou pela mídia norte-americana e obviamente aportou por aqui, uma rota lógica: 'O Brasil parece seguir pelo mesmo caminho. E se esse processo ainda não é tão visível, a razão é econômica. Em nosso país, os meios de comunicação ainda atingem, e são sustentados economicamente, por uma elite, que é e gosta de se enxergar mais 'internacional' '.

O mundo conectado em rede não fica fora da discussão quando analisamos a falta de confiança que desperta a mídia de massa. (...) A Web expôs de forma inédita essas chagas na credibilidade. Pequenas mazelas cotidianas e miudezas sórdidas surgem em fóruns influentes e offs indecentes de quem já se acostumou com a massa crítica do debate cotidiano em rede. Claro, nenhuma novidade. Com exceção de que agora esses comentários já começam a exercer influência nessas novas cabeças, que exercitam a liberdade de escolha ao chegar na banca de jornal e ser convidado a pagar o preço de capa de publicações com reputação duvidosa e derrubam a audiência de noticiários da TV.

Mas nem tudo são ideais alternativos na Internet. Ainda são poucas as publicações independentes e inovadoras, que exercem o verdadeiro olhar crítico de transformação do exercício do Jornalismo, optando pela 'futilização' de que fala Marinheiro (...). Ou seja, a maioria das iniciativas procura repetir a fórmula da mídia de massa que é investir na idiotização e interesses comezinhos que nada acrescentam ao fortalecimento do meio, poderoso na conscientização dessa nova força de leitores engajados.

'Faca amolada do ideal'
Essa distorção não impede que a Web demonstre seu fôlego de superação na medida em que sua viabilidade como mídia de influência é colocada à prova. Claro que quando falamos nessa consolidação não vemos a comunhão de objetivos desses novos comunicadores, principalmente pela característica anárquica e rebelde desse novo meio. Mas também pelo embate de duas grandes tendências que orientam quem produz comunicação na Web. A primeira deposita fé cega no 'mercado' e quer a Web exclusivamente como saco para disseminação de suas bugigangas descartáveis, sejam mercadorias ou idéias. Um grupo que não quer nem ouvir falar em mudanças. Prefere a Web como um clone mal formado e grotesco do sistema consolidado pela exclusão à informação e do conhecimento.

A segunda tendência dominante é a que ergue a 'faca amolada do ideal' na consolidação de novos conceitos de comunicação em um mundo ainda embrionário. Tendência que enxerga na Web a real ferramenta de transformação, nas entranhas desse mesmo 'mercado', que se acostumou a trocar a qualidade e a transparência pelo 'lucro causa própria'. Nesse sentido, o movimento autoral capitaneado pela ferramenta blog é a vanguarda dessa resistência pela independência na comunicação.

Uma realidade: por sua característica libertária, a formação dessa nova imprensa, alternativa na semente e nos objetivos, representada por publicações e projetos autorais disseminadores de novos conceitos, não terá capacidade de crescimento se estiver centrada somente em pilares mercantilistas.

Impossível não citar o caso do No., que encerrou suas atividades apesar de tentar apresentar uma linha diferenciada de atuação. Quando foi arrancado o seu pilar financeiro, onde estavam centradas as relações, a casa desmoronou. Não adiantou nada a união de diversas inteligências, representadas pelos profissionais que atuavam no site, baseada nas mesmas premissas das grandes empresas de comunicação. Grupos que não abrem mão de seus interesses em nome da consolidação dessa nova mídia de influência, que assusta e assola os cardeais que tentam eternizar o pensamento estreito e corporativista do ato de se comunicar. O resultado é 'cada um para um lado' e a volta ao 'ponto zero'. Para o leitor que tanto disseminou e valorizou o trabalho, um comunicado de encerramento das atividades do site. 'Por decisão de seus investidores.'

É quase óbvio: não interessa para as grandes oligarquias da comunicação no Brasil uma Internet para todos com novos modelos, novas abordagens, independente, democrática e influente, com o fim do corporativismo no exercício da função do jornalismo. Conversações que não aparecem no Jornal Nacional mas renovam e oferecem um olhar original, uma atuação mais honesta e a consolidação de uma legião de novos pensadores/leitores que desmascaram vozes antigas, pasteurizadas e cansativas dos 'divulgadores de mercado', com suas cadeiras cativas, na Web e fora dela.

Para quem interessa uma Internet exilada em cadernos de informática que muito explicam e pouco dizem sobre essa verdadeira revolução que ocorre quando cada usuário chega ao seu local de trabalho? Revolução que começa no liga/desliga do micro ou de outro aparelho que conecta sua caixa de mensagens, checa fóruns, participa, discorda da matéria de sua revista, reclama do mau atendimento da empresa e ainda conta para todo mundo: em respostas de e-mails, em icqs, em chats, blogs individuais e coletivos e bookmarks. Revolução que consegue ultrapassar a contracorrente dos poderosos.

A campanha é antiga. A grande mídia no Brasil ainda insiste em desenhar a Internet como uma grande anomalia, ou como ferramenta de 'vantagens competitivas'. Sente uma prazer sádico em divulgar que um 'terrorista' utilizou a Internet para fabricar sua 'bomba de sabão'; ou que a Web foi utilizada na exploração de minorias, menores e por grupos racistas. Nesse caso ganha manchete, grande, com gif do site e tudo mais. Mas fecha os olhos dos primeiros cadernos para opiniões honestas e luta de uma nova imprensa cada vez mais aglutinada em torno da construção desse novo meio e sintonizada com os movimentos de transmutação da sociedade.

Caminhos abertos, novas gerações
Não precisamos resgatar grandes idealistas na construção de outras mídias como jornais, TV, rádio e até o próprio cinema, para demonstrar que o sonho deve resistir ao lucro. Até que ponto esses outros pioneiros foram movidos somente por dinheiro na sua atuação? Qual a influência exercida para consolidar suas respectivas 'indústrias de comunicação'? Qual foi a contribuição para o debate desses muitos anônimos? Quais os interesses que assassinaram os ideais de outrora?

Até que se prove o contrário, a credibilidade é a real diferença de um projeto de comunicação. Ironicamente, não foram necessários nem 5 anos da Internet como meio para o foco se inverter. Hoje, o que está na berlinda é a mídia de massa. Mais e mais pessoas ficam atentas às entrelinhas de 'vozes suspeitas' e buscam um novo jornalismo que não se acovarda em resgatar a independência e o desprendimento financeiro para deixar caminhos abertos para outras gerações de pensadores e formadores de opinião, acima de lucros e de vantagens sempre particularistas.

(...) A conscientização desse novo leitor formador de opinião tem gosto de prejuízo para projetos baseados no sistema de interesses vigente: traço, na audiência; encalhe, na tiragem. Que seja feita a sua vontade."


Não deixe de fazer comentários sobre esse texto! Sua opinião é importante para levantar debates e trocar idéias - que é o objetivo fundamental do nosso projeto.
Em breve este post se encontrará na seção "OPINIÃO".


Postado por Cris, às 8:34 PM
Comentários:

Domingo, Junho 01, 2003

Para entender os blogs

"Nosso amigo está de olho em tudo. Sempre. Nada escapa ao seu olhar crítico e aguçado. Seu posto de observação é uma plataforma de lançamento, onde informações preciosas são passadas em poucos segundos, e não há força no mundo capaz de desviá-lo de sua rota.

Um espião na Segunda Guerra? James Bond na "Cold War"? Ledo engano - nosso olho de lince é o blog, diário pessoal e intransferível publicado em todos os cantos da Web, como uma mensagem na garrafa lançada ao mar da internet...

(...)

O que um jornalista que cobre uma guerra na Ásia tem a informar, você pode ler todo dia no jornal - mas o que ele sente ao trabalhar sob fogo cruzado, você só checa no blog. O porquê da reviravolta na pesquisa de um pesquisador de doenças raras você pode ver na TV - mas as sensações deste cientista em estar adentrando caminhos totalmente inéditos, você só encontra no blog. Não há melhor contribuição para o futuro do jornalismo online que os blogs profissionais: eles criam uma ponte direta entre a fonte da notícia e seu leitor, abordam aspectos que um noticioso jamais teria interesse ou espaço para publicar. Mais uma vez, é o subjetivo, as sensações e a emoção que se misturam à informação, dão as cartas e deixam a objetividade em segundo plano. Desconcertante para quem trata a notícia com formalidade, um deleite para quem deseja saber detalhes que cercam um fato e uma jogada de mestre da nossa eternamente irrequieta amiga internet..."

Fragmentos do texto "Para entender os blogs", de Bruno Rodrigues, para a coluna Salada Cerebral do site Jornalistas da Web


Postado por Pedro, às 9:15 PM
Comentários:

Sábado, Maio 31, 2003

POR DENTRO DA NOTÍCIA VIA WEB

Os bastidores do site do Uai

Em um grande espaço de um prédio na avenida Getúlio Vargas trabalham dezenas de repórteres, fotógrafos e editores na redação do jornal Estado de Minas. Em uma pequena sala no mesmo prédio trabalham 10 jornalistas, 3 produtores e 3 auxiliares de produção. Essas dezesseis pessoas são responsáveis por todo o conteúdo do site www.uai.com.br.
A rotina de trabalho é muito dinâmica na redação do Uai. A informação chega, já é transformada em notícia e entra no ar imediatamente. Os repórteres só saem às ruas em casos extremos. Na maior parte das vezes a apuração é feita apenas por telefone. Rádio e televisão ligados durante todo o dia. Não há divisão de editorias, nem mesmo um único editor. Há, é claro, a figura de um superintendente - mas ele não está presente na redação. Por isso a competência da equipe é testada a todo momento. Todos precisam estar antenados em todos os assuntos. Agora se escreve sobre economia, daqui a cinco minutos é preciso falar sobre cultura. Apesar disso ser visto como um desafio enriquecedor, os jornalistas confidenciam que sentem falta de "puxões de orelha" e de um respaldo institucional, para ter certeza que não estão publicando bobagem.
A empresa assina duas agências de notícia - a Agência Folha e a Associated French Press. "De manhã, a agência já solta uma prévia do que ela irá publicar ao longo do dia. Então, eu escolho aquelas que têm mais a ver com o leitor mineiro", explica a jornalista Luciana Ribeiro. De acordo com ela o diferencial do Uai é justamente essa regionalização: "Quem lê é quem mora em Minas, ou se interessa por Minas", define. As modificações no texto das agências se restringem a contextualizações necessárias.
Para Luciana as principais diferenças entre jornal impresso e jornal online são o ritmo e o objetivo. Para os repórteres do Uai, a intenção é colocar a informação correta no ar o mais rápido possível. No jornal, eles obedecem a um prazo mais esticado, que permite maiores análises e apuração mais aprofundada. A jornalista conta que eles obedecem às mesmas normas de gramática e de estilo do manual de redação do Estado de Minas. Apesar disso, a Internet exige uma linguagem diferenciada: "É mais contextualizada que a linguagem do Rádio e da TV e menos que a do jornal impresso. É o intermédio entre o formal do impresso e a informalidade da TV e do Rádio".
Essa falta de rigidez na linguagem é essencial para o trabalho dos três repórteres que cuidam da página de esportes (a única divisão especializada entre os dez repórteres é essa). Segundo o jornalista Leandro Mattos, que também assina uma coluna virtual, o torcedor precisa de um texto fácil e redondo, que faça conexões com informações curiosas. Ele acredita que o noticiário esportivo tem uma brecha maior para ser mais despojado - e isso torna o conteúdo atrativo.
Como a equipe da redação para Internet é muito reduzida, o site não tem como explorar as possibilidades multimídia para criar conteúdos próprios para Internet, em assuntos cotidianos. O que acontece é que eles aproveitam material de outros veículos também pertencentes ao Diário dos Associados para complementar a informação. É possível ouvir a rádio Guarani, ou assistir aos gols do seu time pelo Alterosa Esporte. Tudo isso através do site do Uai.
Os conteúdos próprios são criados em situações especiais, dentro de sites sazonais chamados hotsites. "Os hotsites são sites temporários, para assuntos que merecem um desenvolvimento maior. Eleições, 11 de setembro, Guerra... o nosso xodó atual é o Matrix Reloaded", conta Luciana. Esses sites trazem um conteúdo amplo, explorando as facetas da criatividade multimídia.
Para isso entram em cena os três produtores, que criam o visual das páginas (não só dos hotsites, mas de todo o material). A economista (isso mesmo, economista!) Paula Fabiano é a mulher do trio. Seus companheiros são um engenheiro civil e um publicitário (esse defende as Ciências Humanas!). Apesar do seu trabalho estar restrito à forma, ela acredita que o conteúdo é fundamental. "As fotos e o visual bonito podem até atrair, mas e aí?" A produção ainda promove bate-papos com artistas, e quando isso acontece, tudo pára, segundo a produtora. Ainda de acordo com a produtora-economista, a tendência é ampliar a interatividade no portal, de uma forma geral. Apesar disso, ela lamenta que a participação do leitor não seja assim tão presente, quanto se possa imaginar. Enquanto isso, Leandro Mattos (o do esporte) lamenta justamente o contrário: o leitor é participativo até demais. "Se você publica que o Cruzeiro foi humilhado porque levou um 4 a 0, na mesma hora chega e-mail de gente te xingando e te chamando de atleticano safado (para não dizer pior)".
O conteúdo do jornal impresso (exclusivo para assinantes) é transferido na íntegra para a Internet, à noite, pelos auxiliares de produção, na base do ctrl+c, ctrl+v.
Paula Fabiano conta que o site do Uai já teve três projetos gráficos, desde que foi criado, em 99. A evolução não foi só formal: "Nos erros e acertos a dinâmica e a rotina da redação se tornam mais eficientes, em quantidade e qualidade do material jornalístico.", garante a jornalista Luciana. (Em breve, na seção ANÀLISES, teremos um texto sobre o UAI)
Quanto á enquete do blog (O jornal online vai substituir o jornal impresso?), os dois jornalistas entrevistados pensam da mesma forma. Luciana Ribeiro diz que sempre houve esse medo na história da Comunicação cada vez que algo novo surgia. "Acho que pode acontecer uma reformulação da forma de se pensar informação, mas não uma substituição. Cada um tem suas características. Eles não competem", opina. Leandro Mattos acredita que os veículos são complementares. "A substituição nunca será uma realidade", conclui.


REPORTAGEM DE FREDERICO BOTTREL
FOTOS DE GUILHERME MARTINS


A produtora/economista Paula Fabiano explica o visual do site


O jornalista Leandro Mattos aprendeu a lidar com
a interatividade escrachada do torcedor


Postado por Fred, às 3:13 AM
Comentários:

Sexta-feira, Maio 30, 2003


É estranho abrir um blog e encontrar um layout que lembra um jornal impresso, não é? Pois foi justamente essa a nossa intenção quando definimos o visual deste trabalho. A partir desse estranhamento inicial, já ficam óbvias algumas diferenças entre jornal impresso e jornal online. As diferenças gráficas são só o começo. O meio será o nosso objeto de trabalho. E o fim... ao internauta pertence. (pode ser clichê, mas na falta de uma saída melhor...)

Durante os próximos dois meses (junho e julho) este blog discutirá a "notícia na Internet". Pela quantidade de páginas linkadas ao lado dá para perceber quão vasto é o assunto. E o melhor é que é um assunto em andamento, o que vai exatamente de encontro ao formato de blog. Nós explicamos: a notícia na internet não possui regras formais (já tradicionalmente aceitas, como nos jornais impressos). Por isso essas definições são descobertas na prática diária do fazer jornalístico para Web. As inovações acontecem a todo instante e a possibilidade de atualização constante nos permitirá acompanhar em tempo real (com o perdão do trocadilho) o processo na mídia nacional e internacional.

Somos privilegiados por presenciar agora uma fase marcante na história da Comunicação Social: a Internet firma-se como um meio de comunicação que parece unificar todos os outros em um só. A oferta de recursos multimídia reúne áudio, vídeo, animações infográficas, texto, fotografia e uma série de outras estratégias que imprimem força ao ato de transmitir a notícia, ajuntando informações de todo tipo, que se agregam positivamente. Na transição para a pós modernidade o caráter instantâneo da notícia contribui para a crise ética no jornalismo, à medida que a interação das mídias é cada vez mais ilimitada. Dessa forma, o império do plágio está ao alcance de todo jornalista. A Internet destrói todas as barreiras de tempo e espaço, provocando mudanças de estrutura substanciais em uma redação. A notícia não tem mais um prazo para ser entregue: o prazo é para ontem! Isso retoma aquela concorrência saudável dos velhos tempos, quando os jornais se apressavam por publicar algo "em primeira mão". Dissemos saudável? Até certo ponto, é verdade. Velocidade ou qualidade - o que é prioritário em um site de notícias? A interatividade imediata faz com que as relações com o leitor sejam modificadas? Que atributos deve reunir o profissional que produz notícias para a Web? Como conquistar crediblidade na Internet? E a linguagem, como fica? (Esse também é um desafio para nós, bloggers universitários) Desafio. Essa é a palavra. Palavra que explica por que muitas dessas perguntas poderão ser respondidas aqui - ou não. Como prever?

Buscaremos no decorrer deste tempo, analisar os sites nacionais e internacionais de notícias - aqueles que são versões on line de tradicionais jornais impressos e aqueles que são publicações exclusivamente eletrônicas -, na tentativa de traçar um panorama geral (e é claro, efêmero) da notícia em seu formato World Wide Web. Para isso contamos também com a participação dos visitantes do blog. Não deixe de participar da nossa primeira enquete, que já está no ar: "O jornal online vai substituir o jornal impresso?" Outro canal é deixar mensagens no FALE CONOSCO.

Feitas as devidas apresentações, é hora de começar: nosso grupo visitou esta semana a redação do portal UAI, na Internet, responsável pela atualização do site de notícias do Estado de Minas. Poderíamos iniciar a discussão simplesmente analisando as páginas, mas preferimos conhecer como se faz um site noticioso, os bastidores da notícia via Internet. Não deixe de acessar o blog amanhã, para conhecer na íntegra as curiosidades do "fazer jornalismo para internauta ler." Enquanto isso, deixamos o gostinho de algumas fotos e no próximo post vamos enviar a reportagem completa.


Postado por Fred, às 12:02 AM
Comentários: